Capítulo 4

2063 Words
Minhas mãos estão cheias de sacolas, com mais das diversas coisas. Eu terei aula em uma semana,mas ja comprei meus materiais para me organizar. Foi difícil abrir abrir a porta, os pesos puxavam meus braços e eu estava cansada do dia longo, mas consegui. Anthony esta jogado no sofá, uma garrafa de whisky no chão ao seu lado e os olhos vermelhos. — Você está bem? — ele não me respondeu, continuou olhando para o vazio. Subi para o andar do meu quarto, deixar as sacolas e ligar para a minha mae,mas tinha uma pulga atrás da minha que falava baixinho que Anthony havia falecido no sofá. E se? Deixei minhas sacolas no chão do quarto e voltei a passos apressados para a sala. Ele não tinha se mexido e os okhos continuava no vazio. — Anthony? — chamei,me aproximando dele. Ele não se mexeu ou respondeu — Não precisa falar nada, só resmunga — belisquei o braço dele fortemente, mas ele não reagiu — Anthony? — bati nele,no rosto,no estômago. Ele não reagiu, e o pânico estava tomando conta — Droga! Alcancei meu celular no bolso de trás e disquei a emergência. Atende, atende,atende. —Boa noite,qual a sua emergência? — a voz feminina falou do outro lado. —Oi, meu amigo está apagado,ele não responde, eu bati nele, belisquei,mas ele não responde a estimulos, ele...eu acho que ele morreu — minha voz foi falhando e o choro em minha garganta doia. —Eu preciso que você verifique os sinais vitais dele, tem que ser rápido senhorita — alcancei o pulso dele e senti as ondas quase inexistentes. —Esta muito fraco — engoli em seco. —Ele ingeriu algo? Preciso que procure sinais de remédios,pílulas, álcool... —Ele bebeu, tem uma garrafa de whisky vazia e eu tenho certeza que nao foi a primeira,ele sempre bebe muito e eu não o vi comer — falei. Por favor,não morra,por favor. —Pode ser coma alcoólico, eu mandei uma ambulância para a sua localização, por favor me passa o numero da casa. —116, moça, ele vai ficar bem? — as lágrimas rolaram pelo meu rosto, e minha garganta está em chamas. —Nao se você agir rápido, force o vômito dele, assim que ele recobrar a consciência o faça beber água , pode ser um caso grave de desidratação. Eu não demorei muito, corri até a cozinha enchi uma xícara e levei de volta para a sala. Eu já vi nas aulas de primeiros socorros da escola como se faz, só nunca imaginei que eu teria que fazer. —Vou fazer agora — falei para ela. Com toda a minha força, sentei o corpo de Anthony no sofá e fiquei atrás dele, uma de minhas mãos foi a testa dele para segurar a cabeça que pendia para frente, e com a outra mão introduzi dois dedos na garganta dele pressionando o esfíncter da faringe. Ele se mexeu,o vômito subia pelo esôfago e ele forcava o vômito. Vamos, vomite,vomite. Retirei meu dedos e o vômito jorrou sob a mesinha de centro e chão, ele engasgava e soltava todo o líquido cor de ambar para fora. Sustentei as costas dele e as alisei com a mão, minha mãe sempre fazia isso em minha quando eu vomitava. Desci do sofá e o ajudei a ficar sentado,mas o corpo dele parecia mole demais,fraco demais. Evitei o vômito e fui até o celular e a xícara com água. —Ele vomitou, vou dar água a ele. — Certifique-se que ele está respirando bem, a ajuda esta a cinco minutos daí — ela falou e eu suspirei. Levei a xícara até a boca dele e o ajudei a ingerir o líquido. Ele está reagindo, está letárgico mas reagindo, vivo. — Lena... — ele sussurrou, a voz baixa e fraca. — Não fale, você precisa poupar suas energias — sentei ao lado dele, e o aninhei em meu corpo o abraçando. Se fosse eu, eu gostaria de alguém ao meu lado, alguém que dissesse que tudo ficaria bem — , você vai ficar bem. ~•~ A ambulância nos levou a emergência mais próxima,e Anthony havia perdido a consciência durante o caminho. Eu estou tentando manter a calma,estou segurando o choro e a vontade de ligar para os meus pais,mas não sei se isso seria o melhor. Meu pai sempre age como um pai, vai discutir com Anthony por ter causado isso,vai culpa-lo por qualquer que seja o meu trauma,e eu nao quero isso, eu não vou ficar entre a amizade deles. Anthony esta fazendo uma terapia intensiva para limpar o organismo dele, e por mais que ele tenha sido furado, o sangue coletado e até vestido com a manta do hospital,ele continua apagado. — Tem alguém da família dele para que possamos ligar? — perguntou a enfermeira. — Não — e eu não menti, meu pai poderia vir mas ele brigaria mais que ajudaria e fora ele Anthony não tem mais ninguém — , só sou eu. — Vou pedir que tragam cobertores extras pra você — ela falou e eu tentei sorrir,mesmo não sentindo vontade. — Obrigada. Eu não soltei a mão de Anthony, desde que eu o abracei em casa,eu segui segurando a mão dele até agora e eu não ia soltar, tenho medo que se eu fizer isso ele se vá. ~•~ Eu não consegui dormir, apesar de sempre cochilar e acordar assutada com as lembranças de Anthony apagado no sofá, ao me recordar do medo que eu senti, então eu desistir e fiquei assistindo a programas ruins na teve presa na parede, o áudio está tão baixo que eu tenho que ler as legendas. Anthony se mexeu, os olhos abriram e se tornaram confuso. Segurei sua mão mais forte e me levantei da poltrona que eu estava sentada. — Está tudo bem, ei — os olhos dele se acalmaram quando me viu, e um ar forte saiu de suas narinas — estamos no hospital. — Ah, está doendo — ele levou a mão livre ate a barriga. — Eu vou chamar a enfermeira — eu ia me soltar mas ele me segurou,apertando mais ainda sua maos na minha. Ele não falou nada a princípio,mas seus olhos me pediam para ficar —, eu não vou sair do quarto. — Detesto hospitais — ele falou, mais como um xingamento do que como um comentário. Me coloquei parcialmente para fora do quarto e encontrei duas enfermeiras no balcão logo adiante. — Oi, ele acordou — falei e uma delas veio em direcao ao quarto. A enfermeira digitou no smartphone e informou que o médico já está a caminho, e após uma rápida avaliação ela disse que o quadro de Anthony havia se estabilizado. — Seu namorado vai precisar de um desmame do álcool, — namorado? — e vai precisar seguir uma dieta rica e saudável para uma boa recuperação, suplementa vitamínicos também é aconselhável. — E quando eu vou poder beber novamente? — perguntou Anthony. Pela expressão do médico ele pensava o mesmo que eu. — O álcool está degradando o seu corpo, se continuar com esse costume o seus rins, seu fígado vão parar, é necessário que reduza ou deixe de consumir. — Ah, eu mereço — ele bufou. Anthony recebeu alta, e eu liguei para Carlos vir nos buscar. Minha cabeça rodava, e eu me sentia péssima. Como não vimos o estado de Anthony? Em todas as vezes que eu o vi ele estava com um copo de alguma bebida ou drinks, ou ate mesmo com uma garrafa. Como não percebemos? — O táxi chegou — informei a ele. — Vamos. Eu não conseguia parar de pensar, meus pensamentos tão conturbados e cheios de medo. Tinha um sentimento em meu peito que gritava, que doia,mas eu nao sei o que é, não sei o que está me dizendo. — Pode esperar um pouco, minha carteira está lá dentro — falou Anthony para Carlos. — Carlos eu vou precisar de você amanhã, pode me cobrar essa corrida com a próxima? — Claro Lena — ele falou —, que horas eu tenho que está aqui? — As nove, uma corrida de ida e volta está bem? — Tudo bem — falou Carlos. A casa cheira a lavanda e o a mesinha, o chão e tudo o que o tem estava imundo foi limpo. Uma senhora veio da cozinha, o rosto preocupado. — Senhor, eu fiquei tão preocupada, me disseram que você foi levado para o hospital — falou a senhora. — Esta tudo bem Mariana — ele falou, caminhando em direção ao pequeno bar em sua sala. O alcancei antes que ele alcançasse a garrafa. Segurei o braço dele e o puxei em direção a cozinha. — Esta maluca? — ele falou enquanto eu o arrastava. — Você precisa comer. — Não estou com fome. Eu não sei se é o cansaço,mas eu estou ficando sem paciência a cada segundo. — Senta, que eu vou fazer algo para você comer. — Quer ajuda senhorita? Mariana me ajudou a fazer dois sanduíches, um para ele e um para mim, eu fiz uma vitamina de morango e coloquei em dois copos. Anthony digitava no celular, e eu agradeci que ele estivesse entretido. — Agora coma — falei, me sentando ao lado dele na mesa. — Você é muito mandona,sabia? — Eu sei. — Ah, eu não acredito que eu perdi a festa de ontem — ele falou, o tom decepcionado. — Você é um i****a sabia? — Eu sei, mas sou um i****a irresistível. — Um babaca suicida isso sim — Mariana soluçou quando eu falei, ainda não tinha explicado a ela o que aconteceu. — Olha a boca. — Eu aposto que você nãoao vai aguentar ate a noite, provavelmente vai chamar uma p**a qualquer e encher o r**o de álcool — era a raiva falando,mas eu estava sendo sincera. — Eu faço o que eu quiser, minha vida so diz respeito a mim. — E vai acabar morrendo por causa disso. — Não acha que eu consigo? — ele perguntou, uma risada em meio a fala. — Eu tenho certeza que nao. Olhei para ele e por algum motivo os olhos do canalha brilhavam e um arrepio percorreu o meu corpo. — Quer apostar? — e o pior é que ele está falando sério. Anthony é um Jô nato de jogos de azar, meu pai uma vez me contou que ele ganhou milhões em uma só noite e que mesmo sendo dono de uma multinacional e CEO, ele ganha o triplo com as apostas. Eu sempre achei que ele fosse fácil de viciar, porquê ele se torna obcecado facilmente por aquilo que ele gosta. — Quer apostar? — mordi o labio inferior — O que eu ganharia com isso? — O que quisesse — mas aí eu teria o que ele quisesse e essa é a pegadinha so jogo. — Então eu posso escolher qualquer coisa? Hum — se fosse uma aposta ele levaria a sério a abstinência do álcool, seria matar um coelho com uma cadajada só —, eu aposto que você bao consegue ficar tres meses sem álcool, de qualquer tipo. — Hum, — e é agora que ele volta atrás — feito, mas eu não vou revelar o que eu quero, não agora — meu queixo caiu. O que ele iria querer em troca de seu maior vício? Se for algo a altura eu estou terrivelmente ferrada. — Eu quero que não desista da vida — falei para ele — se você ingerir álcool nesses tres meses eu quero que você faca reabilitação e que frequente um psicólogo, que encontre a felicidade. — É o que quer? — ele riu. Eu tinha meus motivos, tinha aquela sensação peito que me fazia querer chorar. — É o que eu quero — falei firme. — Feito — ele estendeu a mão e eu a apertei, selando nossos acordo. — Vou comprar um bafômetro, já que não vou poder vigiar você vinte e quatro horas por dia. — Mariana pode fazer lasanha pro jantar? — perguntou Anthony iniciando uma conversa com ela. Minha cabeça ficou pior,mais pesada e turbulenta. O que ele iria querer de mim? Me ver fora daqui? Me mandar pra longe? Algo sacana que digno da ma fama dele? Por um momento, torci que ele bebesse um pouco.
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