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1371 Words
Helena Eu não acredito no que está acontecendo, por que logo comigo? Será que não fui uma boa pessoa? Eu sempre faço coisas boas e só recebo traições, dor, sofrimento. Eu não aguento mais, por favor, alguém me ajude a me levantar e recomeçar. Quero ser feliz novamente. Hoje é mais um daqueles dias em que você acorda e percebe que tem algo errado. Passei a manhã toda pensando. Por que meu marido está agindo estranho nos últimos dois meses? Eu sei que ele tem muitas coisas para fazer, principalmente se forem assuntos relacionados à empresa. Mas o que mais me incomoda é ele não ter falado nada comigo, ele sempre me dizia o que o incomodava. Mas parece que dessa vez ele não quer me contar, o que será que está acontecendo? Deve ser algo muito sério para ele não falar nada. Apesar de eu ter quase certeza de que isso deve estar relacionado ao fato de eu ainda não poder lhe dar um filho. Sou tirada dos meus pensamentos com a voz da empregada. _ Boa tarde, senhora. Me viro para ver Ana. _ Boa tarde, Ana - digo a ela. _ A senhora tem visita. _ Quem é? Pergunto para Ana, não estava esperando ninguém hoje. _ É a senhorita Raquel - diz ela. _ Tudo bem, mande ela entrar. _ Claro, senhora. Com licença - diz e sai da sala. Logo depois, Raquel entra na sala onde eu estava. Raquel: Oi, amiga. Ela diz assim que se senta ao meu lado, eu que não vou me levantar. Helena: Oi. Eu digo a ela. Raquel: Como você está? Pergunta. Helena: Bem, e você? Ainda não contei para ela a maneira estranha que meu marido vem agindo nos últimos dois meses. Raquel: Tô bem também, amiga. Helena: Que bom. Eu sei que Raquel é minha amiga desde pequena. Ela tinha 10 anos e eu 8 anos quando a vi pela primeira vez, foi numa das vezes que ela veio com a mãe dela para o serviço. Ela foi tão doce e gentil comigo. De lá para cá, nos tornamos amigas. Ela sempre vinha dormir na minha casa quando éramos crianças, mas hoje em dia isso raramente acontece. Quando éramos crianças, ela me pediu para falar com meus pais para colocá-la na mesma escola que a minha, e assim eu fiz e eles aceitaram de bom grado. Desde então, nossa amizade só cresceu, mas nos dias atuais ela está bem estremecida. Não tem mais aquela confiança da minha parte. Mas às vezes, no modo de agir e até de falar, dá para perceber que ela é muito ambiciosa, que faz qualquer coisa pelo dinheiro e poder. E se necessário, ela é capaz de trair a própria família e amigos para conseguir o que deseja. E por isso que não confio 100% nela, estou sempre com um pé atrás. Não tinha percebido antes, mas essa desconfiança começou há dois anos. Ela acha que não percebo o jeito que ela olha para o meu marido, um olhar de desejo, de paixão. - Ei, Helena, está ouvindo o que estou dizendo? Ela fala, me tirando dos meus pensamentos. - Estou te ouvindo. Eu e Raquel conversamos um pouco mais até ela ir embora, disse que tinha hora marcada no salão de beleza. Já eu, passei a tarde fazendo algumas coisas e quando já era noite resolvi tomar um banho e trocar de roupa. Depois fui para a sala na esperança de encontrar meu marido para jantarmos juntos. Mas como das outras vezes, ele não veio e resolvi jantar sozinha. Depois do jantar, fui direto para meu quarto dormir um pouco e quem sabe acordar antes dele chegar. (...) Acordo assustada e começo a ouvir sussurros, acho que é alguém falando ao telefone. Me levanto e vou até a porta para ver se consigo ouvir melhor, então eu escuto. "Não, hoje não dá. É, eu sei, escuta, estou cansado e ainda tenho muito trabalho para fazer." Tudo fica em silêncio, penso que ele já acabou de falar. "Vou resolver logo a questão do casamento". Ele volta a falar, casamento! Do que ele está falando? "Vou falar com Helena, mas não agora, só se ela não conseguir engravidar logo." "Não, ela não vai fazer nada, te garanto." "Agora me deixa trabalhar." Assim vejo ele desligar o celular e olhar na direção onde eu estava. Só agora percebo que tinha saído do quarto, mas também me pergunto, quando foi que eu saí do quarto? Então vejo ele andar na minha direção com um olhar muito, mas muito furioso. - Sabe, querida esposa, é muito feio escutar atrás da porta as conversas dos outros. Ele diz com raiva. - Sabe, querido marido, é muito feio trair a esposa. O desafio. - Trair? Ele diz e começa a rir. - É trair. Digo com convicção, não estou doida, escutei muito bem o que ele falou. - Se quer saber, querida esposa, eu tenho uma amante sim. Eu não acredito, é como levar um soco na cara. Ele ainda tem a cara de p*u de me dizer isso, sem nem um pingo de sentimento, sem nem se preocupar se vai me machucar ou não. - E você diz isso assim, na cara dura. Digo magoada, tentando segurar o choro. - O que, que eu diga? Ele fala com sua maneira fria. - Você é um i****a. - Olha o respeito. Ele me repreende. _ Se você tem uma amante, como você mesmo disse, por que ainda continua comigo? Pergunto. Eu poderia esperar tudo do Vitor, menos que ele tem uma amante, já que ele jurou nunca me trair. _ Você sabe o porquê, você, Helena, é minha e de mais ninguém. Eu nunca vou dividir você com outro homem. Diz, me causando um medo terrível. - Vai assumir ela? Pergunto do nada, quero mudar de assunto. - Ainda não. A menos que você não me der um filho. Filho, eu sabia que tinha a ver com isso. Se eu não consigo dar aquilo que ele quer, ele vai procurar outra que consiga. - Você só pode estar ficando louco. Eu não vou aceitar isso. - Se você me xingar de novo, não vou responder por mim. Ele me ameaça. - Vai me bater agora também? Pergunto incrédula. Era só o que me faltava, meu próprio marido me ameaçando. É a primeira vez que ele age assim, sei que me casei com um homem frio e sem sentimentos na frente dos outros, mas comigo era diferente. Ele era protetor, carinhoso, ciumento e gentil e sempre fazia questão de jantar comigo, e quando não dava, me avisava. Mas agora tudo isso mudou, já não é mais o mesmo. - Não desse jeito que você está pensando, eu não bato em mulher, mas posso fazer você se arrepender, sem tocar um único dedo em você. A primeira lágrima caiu pelo meu rosto e depois dela vieram as outras. - Olha aqui, eu não vou aceitar isso. Se você assumir ela eu vou pedir o divórcio. Já estou decepcionada,se ele tem outra e melhor eu sair de cena e seguir a minha vida. Mais eu sei que não vai ser tão fácil assim. - divórcio e uma palavra muito forte não acha. Diz me olhando sério. - não. Nego. - se eu não quiser dá, vai fazer o que? Me pergunta. - vou falar com o meu pai. Digo. - hum interessante. Fala como se estivesse pesando. Por fim diz. - divórcio e uma coisa que não existe no meu vocabulário, e vamos para com essa conversa que já tá me dando dor de cabeça. - você tá me traindo a quanto tempo? Pergunto quero tirar essa dúvida. - eu não vou te dizer mais nada. Agora vai dormir. Me deu as costa e foi em direção a porta mais parou e olhou pra mim. - se você não conseguir o que eu quero. Eu irei me casar novamente e se você quer saber vai ser com a minha amante. Talvez eu te der o divórcio e te faça de amante. Fala como se não fosse nada, e vai embora me deixando sozinha com essa informação. O que eu vou fazer agora? ☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆
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