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A Detenta Que Ganhou O Meu Coração

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Blurb

Pérola é uma mulher forte, de espírito indomável, marcada por um passado de dor, injustiça e sobrevivência. Tatuada por dentro e por fora, ela carregou o peso de uma vida que tentou quebrá-la dentro de um sistema c***l, onde foi presa injustamente e exposta a traumas profundos que quase apagaram sua identidade.

Paulo é um homem poderoso, intenso e determinado, que construiu sua vida na disciplina e no controle, mas que sempre carregou um vazio: a ausência de um amor verdadeiro. Quando ele cruza o caminho de Pérola, não vê apenas uma mulher ferida — ele enxerga alguém que já era dele de alguma forma, antes mesmo que ela conseguisse se reconhecer.

Entre perseguições, injustiças, segredos do passado e feridas emocionais profundas, nasce um amor avassalador, capaz de resistir até ao esquecimento. Quando Pérola perde a memória após um grave acidente, Paulo precisa lutar não apenas para protegê-la, mas para fazê-la lembrar do amor que os uniu e da família que construíram juntos.

Mas o destino não facilita. O reencontro entre memória, trauma e amor cria um conflito interno devastador em Pérola, que precisa escolher entre fugir de uma vida que não reconhece ou se permitir sentir aquilo que seu coração insiste em lembrar.

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O barulho das grades batendo ecoava como um aviso de guerra. Pérola caminhava lentamente pelo corredor da penitenciária feminina enquanto dezenas de olhares acompanhavam cada passo seu. Algumas detentas abaixavam a cabeça. Outras se afastavam do caminho imediatamente. Até as agentes evitavam encará-la por muito tempo. O apelido tinha vindo rápido. Gavião. Porque ela observava tudo. Porque atacava rápido. Porque nunca errava quando decidia destruir alguém. Três anos antes, ela provavelmente teria chorado ouvindo aquele nome. Agora sentia orgulho. A calça laranja do uniforme marcava as pernas fortes. A camiseta branca colada no corpo deixava visíveis as tatuagens espalhadas pelos braços, pela clavícula e pela lateral do pescoço. Os cachos escuros caíam livres pelas costas. O rosto bonito continuava ali, mas endurecido. Frio. Mortal. Os olhos eram o pior. Não existia mais delicadeza dentro deles. — A Gavião tá passando… — uma novata cochichou. A outra imediatamente segurou o braço dela. — Cala a boca, garota. Tu quer morrer? Pérola ouviu. Ouviu e ignorou. Continuou andando até o pátio externo, onde algumas detentas treinavam. O sol batia forte contra sua pele morena enquanto ela parava diante de uma mulher maior que ela, mas claramente nervosa. Vanessa. Uma das presas que tentava ganhar espaço dentro do presídio. Pérola inclinou levemente a cabeça. — Fiquei sabendo que tu andou vendendo coisa escondida sem passar por mim. Vanessa tentou sustentar o olhar. Tentou. — Eu não preciso da tua autorização. Silêncio. As outras detentas começaram a recuar devagar. Porque sabiam. Sabiam exatamente o que vinha depois. Pérola deu um sorriso pequeno. Quase bonito. Quase. Então avançou tão rápido que Vanessa nem conseguiu reagir. O soco acertou o rosto dela com violência. O corpo da mulher bateu contra a parede enquanto Pérola a segurava pelo uniforme. — Escuta aqui — ela falou baixo, perigosamente calma. — Eu mando nesse inferno. Tudo passa por mim. Tudo. Vanessa cuspiu sangue. — Tu não manda em mim. Pérola sorriu de novo. Dessa vez pior. Ela acertou o joelho no estômago da mulher, fazendo Vanessa cair sem ar. Em segundos, Pérola puxou seus cabelos e aproximou sua boca do ouvido dela. — Da próxima vez eu arranco teus dentes um por um. Soltou a mulher no chão. Ninguém se moveu. Ninguém ousava. Pérola respirava calmamente enquanto ajeitava a própria camiseta. Como se aquilo não significasse nada. Como se violência tivesse virado rotina. E tinha virado. Porque a prisão matou a garota que ela era. A professora sorridente que passava as tardes ensinando inglês para crianças pobres. A mulher apaixonada que fazia planos de casamento. A filha que acreditava na família. A noiva que dormia abraçada acreditando ter encontrado amor verdadeiro. Tudo morreu naquela cela. Ela lembrava exatamente do primeiro mês. Lembrava de implorar para Luiz visitá-la. Lembrava das cartas sem resposta. Das audiências adiadas. Da mãe dizendo pelo telefone que precisava “se afastar daquela confusão”. E principalmente do dia em que descobriu. Luiz tinha assumido relacionamento com sua irmã. Dois meses depois, estavam morando juntos. Cinco meses depois, casaram. Enquanto ela apodrecia numa cela. Pérola fechou os olhos por um segundo. Ainda doía. O ódio era a única coisa que continuava viva dentro dela. — Gavião. Ela abriu os olhos imediatamente ao ouvir a agente penitenciária chamando. — O que foi? — Visita jurídica. Pérola riu sem humor. — Outra? — Parece que sim. Ela começou a andar pelo corredor novamente, algemada agora. O som metálico acompanhava seus passos pesados. A maioria dos advogados desistia dela em menos de vinte minutos. Alguns tinham medo do caso. Outros tinham medo dela. Ótimo. Era assim que ela gostava. Quando a porta da sala foi aberta, Pérola entrou sem interesse algum. Então parou. O homem sentado do outro lado da mesa levantou os olhos lentamente para ela. Terno escuro. Relógio caro. Postura impecável. Bonito demais para aquele lugar. Ele analisou Pérola em silêncio. E por alguns segundos, o mundo pareceu estranho. Porque Paulo esperava encontrar um monstro. Mas a mulher diante dele era pior. Ela era linda. Perigosamente linda. A camiseta branca destacava o corpo definido. Os cachos escuros caíam bagunçados pelos ombros. As tatuagens davam um ar agressivo. E aqueles olhos… Os olhos dela estavam mortos. Paulo sentiu algo apertar dentro do peito. Pérola puxou a cadeira e sentou relaxada, abrindo as pernas sem qualquer delicadeza, encarando ele como se estivesse avaliando uma ameaça. — Vai desistir em quanto tempo? — perguntou friamente. Paulo sustentou o olhar. — Eu ainda nem comecei. Ela deu um sorriso torto. — Todos vocês falam isso. — Eu não sou todos. Silêncio. Pérola inclinou levemente a cabeça, observando melhor aquele homem. Bonito. Calmo. Confiante. Idiota, provavelmente. — Qual teu nome? — ela perguntou. — Paulo Bastos. — Advogado famoso… — Às vezes. — Então por que pegaria meu caso? — ela perguntou sem desviar os olhos. — Tem assassinato, tráfico, sequestro, roubo… até formação de quadrilha jogaram em cima de mim. Eu sou um lixo pra justiça. Uma causa perdida. Paulo abriu lentamente a pasta sobre a mesa. — Porque eu li teu processo inteiro. — E? Ele ergueu os olhos novamente. — E nada faz sentido. Pela primeira vez em muito tempo… Pérola ficou sem resposta.

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