******HELENA******
O Morro do Vidigal é o nosso lar. Apesar de meus pais terem se mudado para Angra, que também é um lugar maravilhoso, eu e a Jamily decidimos retornar ao Vidigal.
Sempre fomos unidos: eu, Heitor e Jamily. Refletindo sobre isso, imagino como deve ter sido desafiador para nossa mãe carregar os três em sua barriga. Com o passar do tempo, Heitor se transformou no que é hoje, um temido proprietário de morro, cuja implacabilidade é resultado das circunstâncias que o cercam. Ele se fechou para o mundo e seguiu o caminho do nosso pai, e o motivo por trás dessa mudança se chama Cristina.
Além disso, nossa família sempre foi unida. Meus pais deram um grande apoio ao Heitor após a partida da Cristina, e minha mãe, em especial, proporcionou todo o amor e carinho que ele necessitava naquele momento.
Ela, hoje em dia, ainda é um mulherão, onde o senhor Erick beija o chão que a Anja dele pisa.
Vou compartilhar um pouco sobre mim. Primeiramente, não sou virgem, assim como a Jamily. Somos mulheres com experiências. A diferença é que, para mim, o que eu busco é um amor duradouro, enquanto a Jamily tem uma abordagem diferente. Eu gosto de me aventurar, mas quero esperar pelo meu amor verdadeiro para me sentir em paz. Enquanto isso não acontece, eu continuo me aventurando.
A Jamily, por outro lado, é um pouco mais ousada. Às vezes, fazemos coisas bem malucas. Por exemplo, se um cara demonstra interesse por mim, mas não é exatamente o meu tipo, a Jamily é quem vai no meu lugar, e vice-versa. Lembro de uma vez em que aconteceu isso com o Miguel. Ele estava interessado em mim, mas a Jamily acabou indo no meu lugar. Ele percebeu logo e ficou bastante irritado. O motivo pelo qual fiz isso foi para saber se ele realmente tinha sentimentos por mim. E, mesmo ele mostrando que sim, eu decidi não levar essa paixão adiante, já que ele é meu primo e isso não iria dar certo.
No final, percebi que ele não estava realmente a fim de algo comigo e preferiu ficar com outras garotas. Preferi seguir meu caminho sem me iludir com ele. Posso ter um lado romântico, mas não deixo que ninguém me menospreze.
Uma diferença entre nós duas é que eu tenho uma tatuagem de sereia no pescoço, enquanto a Jamily possui uma de escorpião. Ela realmente admira esses animais, o que pode ser considerado um traço peculiar de sua personalidade.
JAMILY
Agora é a minha vez. O que posso dizer sobre mim? Sou intensa e gosto de tocar o terror no morro. Comigo, essas putas não têm vez, pois sou a irmã do dono do morro e filha do antigo, então ou elas se comportam ou elas Vaza do morro . Eu e Helena somos inseparáveis; sempre fomos amigas e irmãs, unidas em tudo.
Optamos por nos mudar para o morro, pois aprecio a adrenalina. Em Angra, a vida é mais tranquila, o que atende ao desejo dos meus pais por sossego. Assim, em conjunto com meus tios, eles decidiram residir em Angra. No entanto, a minha natureza é mais voltada para a agitação, sem muita calmaria.
Helena e eu sempre nos divertimos juntas e, devido à nossa semelhança, acabamos frequentando encontros que seriam da outra. Essa situação nos trouxe bastante adrenalina. No entanto, tenho ciência de que Helena tem interesse no Miguel, que, por sua vez, também demonstra interesse por ela. Depois de nossa brincadeira, ele retaliou, tentando se aproximar de outras garotas aqui do morro, algo que deixou Helena desconfortável e a levou a se afastar dele. Mais, quem realmente saiu prejudicado nessa situação é ele, pois, apesar de nossas ações, isso não justificava o fato de ele tentar desdenhar de Helena ao se envolver com outras mulheres. Não estou disposta a tolerar isso, nem vou permitir que ele a iluda.
Nunca me apaixonei e, para ser sincera, não considero isso uma prioridade. Uma coisa que posso afirmar é que o amor muitas vezes traz sofrimento. Observei de perto o quanto o Heitor sofreu quando o Maldito do pastor, de forma c***l, levou a Cris.
Heitor, era ter deixado nosso pai matar o pastor. Que Deus me perdoe,mas merecia a morte, esse pastor não considerou os sentimentos da filha dele. Ele se importou apenas com o que os outros iriam pensar sobre sua filha estar com o filho de um traficante.
Mas, de qualquer forma, estamos de volta ao morro do Vidigal e dessa vez viemos para ficar.
HELENA
Heitor havia subido para o quarto e, ao passar para o meu, observei que ele estava deitado na cama, segurando na mão a foto que tinha em seu quarto, uma lembrança da sua adolescência com Cris.
Helena: Ainda pensa muito nela?
Pesadelo: Nunca deixei de pensar nela, nem por um único dia. As lembranças de sua partida continuam a me atormentar. Queria esquecer e me libertar dessas malditas lembranças de uma vez por todas, mas algo parece me impedir.
Helena: será que isso ocorre porque, na verdade, você ainda nutre a esperança de reencontrar seu grande amor da adolescência?
Pesadelo: um amor que foi encerrado e enterrado, Helena.
Não existe mais eu e Cristina; creio que o que tivemos foi apenas uma fase juvenil, um amor passageiro que se limitou a promessas vazias.
Helena: Heitor, a promessa que você fez a ela antes da partida foi apenas uma ilusão?
Ele se levanta e guarda a foto na gaveta.
Pesadelo: O que isso importa agora, Helena? Se ela quisesse voltar, já teria feito isso há muito tempo. Ela não voltou porque, entre eu e ele, éramos apenas uma paixão de adolescência. Cansei de esperar; minha vida não pode parar por causa disso.
Helena: Você sabe que sua espera não foi em vão. Se ela realmente te amava, ainda poderá retornar, e vocês viverão esse grande amor.
Pesadelo: Isso é apenas parte de um sonho. Uma filha de um pastor não abriria mão de sua vida por um traficante.
Helena: A questão é: Heitor, você abriria mão de ser esse temido traficante, dono do morro, para viver seu grande amor, ou deixaria ela ir embora novamente?