Capítulo 12.

671 Words
Capítulo 12 ~ Ela Se Importa ~ DIAS DEPOIS DO passeio, acordei cedo e fui fazer o café. Tudo já estava perfeitamente arrumado, pois na noite anterior havíamos dado um trato na casa. Ideia da Karen, claro. Coloquei a música Ocean Eyes de Billie Eilish para ouvir enquanto fazia o café. Quando terminei, limpei o fogão e a pia, a fim de deixar tudo brilhando novamente. Fui surpreendida por um abraço repentino por trás, ouvindo, no mesmo instante do abraço, um caloroso: --Bom dia! Era Karen, com uma carinha de recém acordada fofa. --Você comprou um caixão? -- perguntei, virando-me. --Por que eu deveria? --Porque um dia desse você vai me m***r de susto -- respondi, sorrido. Ela sorriu e disse: --Jamais. Ah, e... Hoje nós vamos fazer um piquenique, ok? Olhei para ela, mordendo a lateral do lábio inferior, tentando achar um jeito de dizer que eu não queria sair de casa naquele dia. --O que foi? --ela perguntou, olhando com olhos de quem já sabe o que vai ouvir. --É que eu não quero sair de casa hoje. Desculpe-me, mas realmente não estou confortável para isso. Preciso ver a rotina de trabalho de segunda-feira. Você lembra que volto a trabalhar na segunda, não é? Então ela disse: --Ana, eu vou tomar meu banho e nós vamos fazer um piquenique aqui mesmo, em casa, ok? Ontem eu saquei mais uma grana para comprar umas coisas e, entre elas, estão os alimentos do piquenique. E sobre o seu trabalho, você pode deixar isso para mais tarde. Ou para amanhã. --Não, eu não posso deixar para amanhã. Hoje já é sábado. Eu posso deixar para mais tarde, mas para amanhã, não. E você não deveria gastar seu dinheiro. Se faltar algo, basta que me diga e eu compro. --Ana, eu quis te dar um presente. Que m*l há nisso? E eu ainda tenho dinheiro na conta. Vamos mudar esse assunto chato, tá? Vou tomar meu banho para a gente comer. * O piquenique foi bem legal, na varanda de casa, preparado com muito amor e excelência por Karen. Quando a noite chegou, eu estava numa salinha pequena que ficava no fundo de um corredor da casa, a qual eu chamava de escritório, estudando as informações que iria publicar na segunda. Eu trabalhava num jornal, de segunda à sexta, e como era sábado e eu retornava na segunda, comecei a focar nas informações inéditas que chegaram ao meu e-mail através do meu chefe. Eu trabalhava na parte da escrita do jornal, ganhando um salário que não era incrível, mas dava para viver sem sufoco. Quando eu me formei em Letras, eu não sabia exatamente o que iria fazer com essa formação. Pensava em ser professora, depois desistia e depois voltava a querer ser. Em outros momentos, queria ser escritora, depois, várias outras coisas. Quando recebi o convite para fazer a parte escrita de um jornal, achei bacana a proposta e aceitei. Não quer dizer que eu não analisei antes de aceitar, mas achei muito boa a ideia de fazer algo que eu gosto dentro de um tempo que não abale muito o meu emocional. Karen bateu na porta. --Pode entrar, deixei a porta destrancada-- eu disse. Ela abriu a porta com a mão direita, enquanto a esquerda segurava uma bandeja com chá, café, bolo de coco e sanduíches. --Você está aqui a horas e não saiu para comer nada. Sei que está se preparando para a volta da rotina, mas você só voltará para ela se estiver bem, e para estar bem, precisa se alimentar. Eu dei um sorrisinho cansado e disse: --Eu nem percebo o passar do tempo quando estou aqui. Obrigada por se importar tanto comigo. Nem precisava se preocupar com café. Eu ia comer qualquer coisa quando saísse daqui. --Aham. E quando seria isso? À meia-noite? --perguntou ela, rindo-- Vai, come. --Certo. Por que não pega alguma coisa para me acompanhar? Então ela pegou um sanduíche. Comemos conversando, rimos, eu estudei mais um pouco, fiz umas anotações e fomos dormir.
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