Capítulo 11
~ Uma Companheira ~
QUANDO ESTÁVAMOS QUASE perto do local --segundo Karen--, eu tive que usar uma venda. Claro, foi ideia dela. Ela praticamente me obrigou.
--Ah, vai. Não custa nada-- ela disse. E aquele pedido sendo feito daquela forma, era impossível negar.
Quando chegamos, Karen pediu para que eu abrisse os olhos.
Quando abri, revoltei-me, de início. Estávamos em um estacionamento novo, em frente à praia. Achei que iríamos num restaurante ali perto, mas percebi que não quando Karen disse:
--Chegamos. Agora é atravessar e aproveitar esse mar lindo!
Ouvindo isso, meu cérebro entrou em conflito.
Como assim ir à praia? E justo pouco tempo depois de eu ter passado por uma experiência h******l na praia?
Fiquei por segundos parada exteriormente, enquanto meu interior estava um turbilhão.
--Ei, tudo bem, aí? --perguntou Karen, com cara de preocupação.
Eu lutei severamente com meu interior para dizer que sim, mas o máximo que consegui foi assentir com a cabeça positivamente. Mas Karen não era boba --nesse aspecto-- e foi para perto de mim, alisou meus cabelos e disse:
--Eu sei que tá acontecendo alguma coisa com você agora, mas olha, tá tudo bem. Eu estou aqui com você.
As lágrimas quase rolaram por meu rosto ao ouvi-la. Como ela pode ser tão incrível? Mas ainda assim, segurei e olhei para ela.
Então ela continuou:
--Eu estou aqui para te ajudar. Respira fundo. Vamos comigo, no 3...
E assim ela foi me acalmando. Isso durou mais ou menos um minuto e meio.
--Agora vamos aproveitar o dia. Não vamos deixar que nada nos impeça de ter um dia bom. Vamos lá?
A única resposta que consegui dar à Karen foi, novamente, assentir com a cabeça. Porém, dessa vez, tentei sorrir.
*
KAREN PEGOU AS bolsas com algumas coisas que ela mesma havia arrumado. Eu peguei uma para ajudá-la e fomos de encontro ao mar.
Chegando lá, Karen disse:
--Vamos para lá-- apontou para um lado da praia onde não havia ninguém. Na verdade, aquela área da praia que ela decidiu ir, estava quase vazia, com poucas pessoas.
--Você tem certeza que quer ir para lá? --perguntei, levantando as sobrancelhas.
--Sim --ela disse, simplesmente.
Chegando ao local escolhido, arrumamos da forma que ela achou melhor. Não protestei, pois tudo estava ótimo.
--Ei, tire a roupa -- ela disse, rindo -- vamos nos jogar no mar?
--Karen, eu preciso te falar algo, antes.
Ela olhou fixamente para mim, com aqueles olhos que mais pareciam porção de mel, esperando com toda atenção pelo que eu diria.
--Eu vim à praia a mais ou menos uma semana, mas não foi nessa área. Foi bem mais lá para frente, onde o movimento costuma ser maior. Enfim, eu comprei um picolé de coco e o vendedor me comparou a um c**ô, dizendo que era uma tentativa de fazer piada. Eu fui embora me sentindo péssima, tive crises e chorei muito. Por isso não demonstrei tanta alegria quando vi que o nosso passeio era na praia.
Ela ficou alguns segundos apenas olhando para mim, sem responder. Quando eu iria complementar, ela disse, pegando em minhas mãos:
--Aninha, eu posso imaginar o que você passou. Mas, olha, você está comigo agora, não está? Eu não vou deixar ninguém te machucar. Até mesmo porque não tem ninguém aqui além da gente, né? --e deu um risinho.
--Sim. Está bem. Vamos --eu disse.
Karen foi em direção ao mar comigo, de mãos dadas.
Ao entrar no mar, ela me abraçou por trás e falou em meu ouvido:
--Você não está sozinha. Eu tô aqui com você, sempre. Vou cuidar de você.
Eu senti uma paz enorme ao ouvir isso de uma voz tão calma e leve. Por um segundo achei que estava em um outro lugar.
--Posso ficar mais dias em sua casa? --ela quis saber.
--Sim, claro. Por que ainda pergunta?
--Porque hoje já é o terceiro dia que estou em sua casa. Eu tinha dito que iria ficar três dias, mas eu não posso te deixar aqui, sem uma pessoa que te ouve, entende e ajuda. Não vou te deixar nunca.
Eu senti, mais uma vez, uma v*****e de chorar enorme. Mas não era de tristeza, era de saber que alguém realmente se importava comigo.
Aproveitamos bem o mar e o dia, tomando banho salgado e comendo algumas coisas que ela fez/comprou para nós.