Capítulo 5.

413 Words
Capítulo 5 ~ Emoção Negativa ~ A TORMENTA FICOU me perturbando por horas. Pensamentos como: "eu não deveria existir", "gostaria de morrer", "só queria sumir para sempre" eram constantes em minha mente. Chorei por horas, enquanto olhava o céu pela janela, incapaz de me sentir melhor. Eu tinha ido para a minha casa justamente para me sentir melhor, pois achei que, estando eu em casa, as coisas se acalmariam para mim, uma vez que eu não precisaria fingir para ninguém e ter solitude. Estava errada, pois, nem para isso, eu me sentia capaz. * Um dia depois, o dia amanheceu chovendo, e eu acordei com o toque do celular. "Mas eu não adicionei nenhum alarme!", pensei eu. E realmente não havia alarme. Era ligação. Levantei-me e fui ver quem me ligava. Quando olhei a tela do celular estava escrito mãe. Eu atendi: --Alô? --Filha?-- disse ela. --Oi, mãe. Bom dia. Pode falar. --Gostaria de saber... se está tudo bem --ela disse, meio relutante. Ela deveria estar preocupada. Deveria, não. Ela estava preocupada. Porém, jamais admitiria. --Não sei, mãe. Estou mas não estou, sabe? Ela suspirou, mas não soube o que responder. Então emendei: --Fisicamente estou bem, mas emocionalmente, não. Porém, não precisa se preocupar. --Quem está preocupada, Ana? Só quero saber se está aproveitando suas últimas duas semanas de férias. Apenas isso-- retrucou ela, embravecendo. --Tá bom --respondi. --O que você está fazendo para curtir esses dias?--quis saber ela. --Fui à praia um dia atrás. --Que bom, filha! E se divertiu?-- perguntou, com entusiasmo. --Não. Foi péssimo e eu voltei para casa m*l. --Você não quer voltar para cá e passar aqui esses últimos dias livres? Quando eu ouvi essa pergunta saindo dos lábios de minha mãe em tom de tristeza e até mesmo de choro, senti v*****e de desabar em lágrimas, daquelas que você soluça sem parar, até por para fora tudo o que te aflige no interior. Mas eu não podia. Simplesmente por amar ela ao ponto de não fazê-la sofrer mais do que ela já estava sofrendo. --Não, mãe. Só foi um m*l estar. Hoje eu estou ótima. Você já tomou café da manha?-- mudei de assunto. --Vou agora. E você? --Eu também. Depois vou ler meu livro. --Que bom. Você sempre lendo, não é? --Sim. Não vejo minha vida sem isso. --Isso é bom. Cuide-se, filha. --Sim, mãe. Todas nós. Tchau. --Tchau, meu amor. Eu te amo. --Eu também te amo, mãe. A chamada foi finalizada e eu desabei.
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