Capítulo 5
~ Emoção Negativa ~
A TORMENTA FICOU me perturbando por horas. Pensamentos como: "eu não deveria existir", "gostaria de morrer", "só queria sumir para sempre" eram constantes em minha mente.
Chorei por horas, enquanto olhava o céu pela janela, incapaz de me sentir melhor.
Eu tinha ido para a minha casa justamente para me sentir melhor, pois achei que, estando eu em casa, as coisas se acalmariam para mim, uma vez que eu não precisaria fingir para ninguém e ter solitude.
Estava errada, pois, nem para isso, eu me sentia capaz.
*
Um dia depois, o dia amanheceu chovendo, e eu acordei com o toque do celular.
"Mas eu não adicionei nenhum alarme!", pensei eu. E realmente não havia alarme. Era ligação.
Levantei-me e fui ver quem me ligava. Quando olhei a tela do celular estava escrito mãe.
Eu atendi:
--Alô?
--Filha?-- disse ela.
--Oi, mãe. Bom dia. Pode falar.
--Gostaria de saber... se está tudo bem --ela disse, meio relutante.
Ela deveria estar preocupada. Deveria, não. Ela estava preocupada. Porém, jamais admitiria.
--Não sei, mãe. Estou mas não estou, sabe?
Ela suspirou, mas não soube o que responder. Então emendei:
--Fisicamente estou bem, mas emocionalmente, não. Porém, não precisa se preocupar.
--Quem está preocupada, Ana? Só quero saber se está aproveitando suas últimas duas semanas de férias. Apenas isso-- retrucou ela, embravecendo.
--Tá bom --respondi.
--O que você está fazendo para curtir esses dias?--quis saber ela.
--Fui à praia um dia atrás.
--Que bom, filha! E se divertiu?-- perguntou, com entusiasmo.
--Não. Foi péssimo e eu voltei para casa m*l.
--Você não quer voltar para cá e passar aqui esses últimos dias livres?
Quando eu ouvi essa pergunta saindo dos lábios de minha mãe em tom de tristeza e até mesmo de choro, senti v*****e de desabar em lágrimas, daquelas que você soluça sem parar, até por para fora tudo o que te aflige no interior. Mas eu não podia. Simplesmente por amar ela ao ponto de não fazê-la sofrer mais do que ela já estava sofrendo.
--Não, mãe. Só foi um m*l estar. Hoje eu estou ótima. Você já tomou café da manha?-- mudei de assunto.
--Vou agora. E você?
--Eu também. Depois vou ler meu livro.
--Que bom. Você sempre lendo, não é?
--Sim. Não vejo minha vida sem isso.
--Isso é bom. Cuide-se, filha.
--Sim, mãe. Todas nós. Tchau.
--Tchau, meu amor. Eu te amo.
--Eu também te amo, mãe.
A chamada foi finalizada e eu desabei.