Capítulo 05

1249 Words
O baile...     Bem, o baile deveria ser o lugar onde as pessoas iam para dançar, flertar ou ser pedidas em alguma coisa. Já fui em um, mas não dessa magnitude. Era um baile anual de escola, e embora não tenha sido chamada por nenhum garoto fui mesmo assim. E essa se tornou a lembrança mais perturbadora da minha vida. Não só a ida, a volta foi uma catástrofe.     Me vejo no espelho, usando um vestido ousado até. Queria que minha mãe estivesse comigo como foi da primeira vez. Ela tiraria fotos e choraria, como choraria. -Você entendeu Emma? - Eloise aparece vestida de cisne branco. - Pode repetir? Eu estou um pouco destruída. - Dormiu m*l? Porque eu dormi como uma pedra. Só minha cabeça não ajudou em nada. - Não. Estou ansiosa de mais. - Mostro os dentes para ela. - Vai Elo, repeti por favor. - O baile de Willisburgo não é qualquer baile por aí, você deve saber algumas coisas como não descobrir o rosto e nem falar. Muito menos falar. - E quanto a dançar?- Encaro ela pelo espelho. - Deve dançar com um cavalheiro. Se ele gostar de você poderá te procurar, mas depois da meia noite. - Deve ser chato. - Falo. - Te garanto que não. Vai acabar rindo bastante. Agora deixa de falar e vamos ao baile. - Vamos. Ao baile. Respiro fundo ergo a barra do vestido e antes de sair do quarto pego minha máscara. ********* No palácio... - Já sabe como funciona Anthony. Anthony afirma com o dedo e volta a atenção para a gravata. Ele usa casaco e chapéu alto, não até a dança, nessa hora ele deve trocar de roupa. Será uma surpresa até para Susan. - Não falar nada, apenas escolher a parceira de dança e deixar acontecer certo? - Certo. - Susan joga um lenço nele.     Sorrindo ele segue Susan para fora do quarto, e a segue até o grande salão. Apinhado de gente até o lugar mais escuro. Alguns casais já dançam. Susan se afasta e vai na direção do marido. Mathew sério como sempre só sorri quando a esposa chega perto ,envolve a cintura dela e juntos se arrastão para a grande massa dançante.     Ah como ele queria ter alguém assim, especial a ponto de fazê-lo dançar sem nem mesmo olhar para os lados. Não, importa. Não deve querer alguém, isso só deixaria mais dolorosa a partida.     Sem olhar ele pega uma taça e vira na boca. Quando se prepara para a próxima a porta do salão abre, não muito e nem escandalosamente, abre como toda hora é aberta. Só que dessa vez todo o salão olha. Duas figuras passam por ela. Um cisne branco, belo , mas não como a segunda. A jovem de vestido azul esvoaçante, com pérolas negras na altura dos s***s. O engraçado era que o vestido ia perdendo a cor a medida que descia para as pernas, como se ela estivesse pairando ali, um fantasma ou um anjo . Anthony perde o ar quando ela caminha, o abdômen descoberto. A verdadeira musa inspiradora de todos os contos de fada. Sem ter controle sobre as pernas ele praticamente corre até a dama e estende a mão. Se ela negar talvez ele seja obrigado a sequestra-la, ou... *********     Seguro a respiração e aperto os dedos quando a grande porta se abre, todo o salão vira na nossa direção. Eloise solta um gritinho. E eu? Bem eu lembro de respirar e dou uns passos até que um homem aparece na minha frente, nossos olhos. Por Deus nossos olhos conversam. Os olhos dele são tão claros que me deixam tonta. Sem tirar os olhos dos dele percebo uma mão grande estendida. Se eu não aceitar terei de dar conta depois da meia noite, mas e se eu aceitar? Serei feliz. Pelo menos essa noite.     E então... Pego na mão dele e sinto ondas de choque por todo o meu corpo. E sem uma única palavra somos levados pela onda da emoção ao centro do salão. Ele pega delicadamente na minha cintura nua, recua e volta a tocar - me, com mãos firmes e quentes.     Dançamos uma, duas, três músicas. Até que uma outra começa, ele pega na minha mão e me leva da multidão. Paramos na sacada, onde as estrelas dançam e aí começa os acordes da música que jamais irei esquecer. All of me. É de se se espantar que Susan quis chamar o próprio John Legend para cantar. A voz dele corta o ar e chega aos nossos ouvidos, o piano tocando ao toque das mãos dele. E então o estranho me  puxa mas está sorrindo, fica sério, como se fizesse isso a primeira vez na vida.     Ele nos aproxima e leva a mão direita até a minha nuca, sinto todas as minhas forças se esvaindo, ele toca minha máscara com o nariz, um toque delicado e perigoso. Fecho os olhos e prendo a respiração quando a boca dele toca minha bochecha. Sinto queimar. Cada toque da boca criando uma onda de calor .     Meu pobre coração dispara e percebo que ele também sente o mesmo. Nossas mãos se entrelaçam, a medida que meus olhos ganham foco a única coisa que vejo é a boca dele, rosada e macia, assim como ele também olha para a minha. Seria loucura não desejar um homem assim. Levanto o rosto lentamente e ele abaixa a cabeça.     Nossas bocas se tocam, de início um beijo leve, até que a urgência nos atinge e ele me prende no corpo dele e devora minha boca, nossos corpos se encaixando. Movimentos frenéticos um mundo silencioso só nosso, nossos corações batendo forte e a noite testemunhando. A música acaba, mas quem se importa? Ele é perfeito.     Uma badalada. Meia noite. Nos afastamos, ele faz sinal com a mão e se afasta, pelo gesto é para eu esperar, ele beija minha mão com um beijo demorado e se vai. Fico sozinha ouvindo risos e respirando fundo. Em minutos irei saber quem é ele, nunca vou me esquecer do nosso silêncio ruidoso.     Talvez se passaram dez ou vinte minutos, estou de olhos fechados esperando para saber quem é o homem com quem dancei. E de repente um grito horroroso para toda a música, abro os olhos assustada, tentando focar em algum ponto, seguro e saia do vestido e entro correndo. Encontro a multidão em volta da porta. Me livro da mascara e corro para fora. Cubro a boca com a mão. É ele, deitado no chão encoberto por sangue. Tem que ser. O casaco o chapéu. Deus do céu. - O que aconteceu? - Paro uma empregada. - Pobre homem. Ele estava indo buscar o carro e foi atropelado. Acho que estava distraído ele está muito m*l, se continuar aqui  não durará muito tempo. - Não! Tento me aproximar. Os seguranças não deixam. Logo ele é levado. - Emma! - Eloise me puxa para longe. - Vamos Emma. - Foi tudo minha culpa. - Sento no chão. - Ele me deixou e... E foi buscar o carro... Elo... Eloise se pega pelo braço e me leva até o carro. - Emma. Está cansada. Amanhã vamos até o hospital e saberemos dele tudo bem? Confirmo com a cabeça. - Tem que ficar calma. Vamos dormir aqui, já aconteceu coisas de mais por hoje. E se entrar em algum carro vai querer ir atrás dele no hospital. Confirmo outra vez. - Ótimo. Ela me puxa para longe da multidão.
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