Capítulo 07

1369 Words
09:00hrs Hospital de Willisburgo. — Não sei como te dizer isso Anthony. O médico estuda os exames recentes com ambas as sobrancelhas erguidas. — Estou com algum tipo de câncer . - Anthony responde sem rodeios. — Não. Claro que não. - O doutor ergue o rosto. — É um tipo raro de infecção. John deveria saber desses riscos. Temos que falar com ele. — Não! Se ele voltar Susan vai saber. Ela e meu irmão tomam conta das coisas por lá. — Está ficando sem tempo Senhor. Vamos extrair a sua córnea danificada ,ou pode ser que em pouco tempo ela inflame mais ainda  e se torne uma infecção forte de mais.. De qualquer forma John é seu médico. É ele quem deve cuidar de você. —  Quanto tempo? Ambos se olham. Anthony teme tanto a resposta que o estômago se embrulha. — Para perder a visão? Meses, seis no máximo. Se a infecção se alastrar você irá a óbito antes mesmo desse prazo. — Preciso de alguma coisa para as dores. - Anthony fecha os olhos. — Só até... Até eu ter tempo de contar para minha família. — Você chegou aqui tendo uma crise de convulsão. Eu deveria te manter internado até John chegar. E te operar as pressas. Te manter medicado e tentar salvar sua vida. — Não quero voltar a ser cego. Se esse for o caso, prefiro mesmo morrer. Só Deus sabe como é sentir e não enxergar. Eu preciso ir embora. Susan vai desconfiar. -—Aqui está um remédio. Tome ele duas vezes ao dia. Se a dor não passar volte com urgência. E por favor procure tratamento. As vezes ficar cego não é nada comparado com a vida. O ser humano é moldado a adaptações. E você tem uma família com poder. — Obrigado.     E só Deus sabe o quanto ele lamenta por não ter voltado para a festa. Perdera a dama pela qual sonharia o resto da vida. Sabe qual será seu destino, mas anseia por tê-la outra vez em seus braços. Mas quem será? Não se lembra de nada mais, nem um traço familiar. Nada.     Lembra- se de ter deixado a dama por causa de uma dor forte, e pela expectativa de logo descer vestido de fantasma da ópera, e poder falar com ela e ouvir a voz. Mas desmaiou no caminho e só se lembra de ter acordado no hospital. Por sorte um convidado estava passando e estava tão bêbado que não o conheceu. Seria deprimente ver Susan correndo pelo corredor e gritando por ele. — Senhor. Anthony! - O médico passa a mão na frente dele. — Está se sentindo bem? — Claro. Me desculpa. Estou cansado.     Anthony levanta da cadeira, anda pelo corredor extenso e quando não é mais observado senta no chão e chora. Chora por todo o medo de morrer, ou sofrer antes disso, de voltar a viver no mundo como se andasse em um cômodo escuro. Sabendo do que tem lá, e só podendo sentir . Sentir e sentir. *********** Emma — Eu já disse que preciso ver como ele está! - Tento passar pelo segurança mais uma vez. -— Ele está dormindo agora. Passou por uma cirurgia moça. Se conhece mesmo ele deve saber que não pode entrar.     O homem não se mexe nem quando o empurro. Um armário forte e grande, não que eu seja grande. Eu devo ficar pelo menos debaixo do sovaco dele, ou mais em baixo. — Olha. Moça. Não me faça te colocar para fora daqui, você.... Meu celular toca. Nós dois ficamos em silêncio. — Só um instante moço. Pego o celular e me Afasto dele. Confiro o número. Chamada restrita. — Emma Sullivan? —Sim? - Encosto na parede. — Conhece Jones Willber? — Meu ex patrão. - Reviro os olhos. — Ele foi deixado na frente do hospital, e trazia uma lista com seu nome. — O que? - Fico tensa. — Ele... Ele... — Tudo o que posso dizer é que agora está em coma, passou por algumas coisas mas está estável. — Quem está falando? — Policia de Londres. Ótimo. Maravilhoso. Já não bastava ser pobre e desempregada. Agora serei pobre, desempregada e fugitiva. — Eu não fiz nada. Olha, ele me mandou embora eu... Eu só dei um soco nele. Um soco não mata ninguém. — Queremos te ver Emma. Semana que vem. Se não comparecer posso acreditar que teve alguma coisa nisso. — Não! Eu irei.     Ele me passa o endereço e depois desliga. Tudo o que eu mais queria era ser normal. Sem um passado horroroso, um presente incerto e um futuro impossível. Meu celular toca novamente. Atendo sem olhar na tela. — Emma! — Mãe? - Fecho os olhos e encosto na parede. — Emma  Sullivan onde está? Te procurei em casa. — Pode parar de me chamar pelo nome? Eu avisei para o Long que iria sair em viagem  — Mudar. Quis dizer mudar. Emma eu deixei uma casa para você cuidar... — Acontece que a casa era alugada e você nem se quer ligou para saber como eu estava me virando. Se pelo menos eu havia virado uma p********a e ... — Não... — Estou brincando mãe. - Reviro os olhos. — Quero te ver. Onde está? — Willisburgo. — Emma vem embora, sai desse lugar agora mesmo. Está me ouvindo? Aí pode ser perigoso e... — E? — Long está me chamando. Mais tarde eu te ligo.     Desligo o telefone e antes de pensar em chorar ouço um choro alto. Pego minhas coisas e vencida pela curiosidade rumo ao desconhecido. — A vida é uma d***a não? - Sento do lado dele no chão.     O desconhecido está com a cabeça escondida entre as pernas, os fios loiros caindo para frente. Ele para de chorar assustado e levanta a cabeça, e por Deus. Ele olha na minha direção. —  Você? - Falamos ao mesmo tempo. — O Que faz aqui? – Ele limpa as lágrimas na manga da blusa.     Vasculho minha mente em busca de uma desculpa, não que eu tenha dificuldade em dizer o real motivo. Só que eu fico sem graça de falar que vim atrás de um cara que m*l conheço, e me sinto muito culpada por tudo. Então entre mentir e ser sincera, descido ser sincera. — Acho que dancei com  o cara que foi atropelado. – Dou de ombros. — Mas não me deixaram entrar. — Não sabia que você o conhecia? – Ele fica meio estranho, vermelho. Eu juro que até ouvi os dentes dele trincando. — Dancei com ele na festa, logo depois foi atropelado. Me senti em partes culpada. – Mexo as pernas sem parar.     Eu tenho uns "tiques nervosos". Minha mãe nunca prestou atenção, só o Long. Ele dizia que minhas pernas tremiam quando eu estava nervosa, e quando algo me deixava sem graça eu  mexo os dedos sem parar. Enquanto for só  o meu não tenho que me preocupar em parar. — E você? Porque está aqui? – Paro de mexer as pernas.     Ele levanta a cabeça e olha para o teto. Esse simples ato me trás a fragrância dele, rapidamente sinto uma coisa estranha em mim. Quando ele me encara eu viro o rosto. — Curiosa você. – Ele funga antes de rir, e por Deus quero me enfiar em algum lugar. — Falou o cara que sabe o meu motivo antes de qualquer um. – Me levanto. — Não importa. Espero que algum dia reconheça que a vida é feita de momentos, e ficar sentado dentro de um hospital não é o melhor deles. — O que me sugere ? – Anthony levanta também. — Sair por essas portas. A vida é curta de mais Conde. – Me Afasto dele. — Não me chame disso. Sou muito novo. – Ele fica tenso. — Eu sei. – Pisco para ele. Novo e bonito.     Anthony não sabe o quanto me sinto desconfortável na frente dele. Me Afasto mexendo a mão sem parar. Meu coração anda tão i****a. — Ainda quer vê-lo? – Ele vem atrás de mim. — Posso dar um jeito. — Tudo bem. – Respondo. — Me segue...
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