Diz mesmo o que você pensa - II

1148 Words
Ela lançou um olhar mortal para ele, e Nick se pegou mais uma vez admirando a força dela enquanto sua mandíbula se apertava. Seu cabelo castanho-claro ainda estava impecável no alto r**o de cavalo, sem um único fio fora do lugar, e ele percebeu que isso combinava perfeitamente com sua postura. Apesar de tudo o que estava acontecendo, ela permanecia centrada. Seus olhos mostravam um leve traço de tristeza, provavelmente pela traição da ex-melhor amiga, mas fora isso, ela era pura resistência. Ele apreciava isso. "Eu posso ter vindo de Coldreach, Colorado, população mil oitocentos e vinte e seis, mas eu não caí de um caminhão de abóboras ontem. Quando minha confiança é quebrada, está quebrada. Minha amizade com Hazel, assim como os edredons no chão, está manchada, estragada e nunca mais vai chegar perto de mim novamente." Ele enfiou a mão no bolso e colocou um doce embrulhado no criado-mudo. "Algo doce para mais tarde, caso você acabe chorando lágrimas amargas." Ele sempre carregava doces consigo. Afinal, dirigia uma empresa internacional de confeitaria. Ela olhou para o caramelo embrulhado e um pequeno sorriso puxou seus lábios. "Obrigada." "Estou indo. Você vai ficar bem? Tem alguém para quem quer ligar?" De repente, ele se preocupou em deixá-la sozinha. Certamente, como a maioria das mulheres, ela desabaria no momento em que ele desse as costas. "Estou bem. Como eu disse, tenho minha garrafa de vinho. Também quero ligar para um chaveiro, caso ela tenha mais de um conjunto de chaves, e depois só quero ir para a cama. Foi uma semana longa." O comentário dela sobre a semana o lembrou do que ela disse mais cedo sobre ele ser um "pé no saco". "Se pudesse mudar uma coisa sobre essa semana, o que seria?" Ele fez um gesto para o quarto. "Além do óbvio." "Quer a verdade?" "Sim." "O jeito que você fez a Srta. Samantha chorar na fábrica de chocolate em Ohio na terça-feira." "Ela derramou café em mim." "Você a chamou de 'cabeça de vento insípida' e disse que ela precisava aprender a andar antes de tentar fazer duas coisas ao mesmo tempo. Levei vinte minutos para acalmá-la no banheiro." "Ela queimou meu p*u com o café. Você não viu porque seria inapropriado te mostrar, mas quando entrei no banheiro e tirei tudo, estava vermelho como uma cereja. Eu juro que ela ferveu a água duas vezes antes de jogar o café em mim. Dói pra caralho." "Não tanto quanto um p*u quebrado." Os lábios dela se curvaram. "Aposto que isso dói mais. Mas você ainda deve um pedido de desculpas para a secretária pelo erro dela." Ele se pegou, estranhamente, tentando não rir enquanto ela diminuía seu próprio sofrimento. "Vou mandar um bilhete de desculpas e um novo copo de café para substituir o que ela quebrou. Isso te deixaria satisfeita?" "Sim." "Considere feito. Vou te dar o fim de semana de folga, como prometido, mas não desperdice se afundando nisso." Seu telefone vibrou no bolso, e ele suspirou. "Preciso ir." "Obrigada de novo por estar aqui e por ter chamado o Barrett para removê-los." "Não precisa me agradecer." Ele a deixou sentada na beira da cama e saiu do apartamento dela. Seguiu para o elevador e entrou, odiando o fato de que, em qualquer lugar que fosse hoje em dia, havia câmeras. Ele adoraria simplesmente sair, mas havia regras quando se estava sendo observado. Assim que entrou no carro, levantou o telefone para o ouvido. "O que foi?" "É assim que você fala com seu pai?" "Eu estava ocupado." "Com uma garota? Quem é ela? Como ela é?" A voz animada de sua mãe entrou na ligação. O tom alegre dela poderia derreter o coração mais frio, e ele sentiu o seu amolecer um pouco. "Mãe," ele gemeu. "Eu estava com minha assistente. Ela esqueceu a bolsa do notebook no carro, então levei até o apartamento dela e a encontrei lidando com o namorado e a melhor amiga dela fo—" Ele se interrompeu. Nunca xingaria na frente da mãe. "Se agarrando na cama dela. Fiquei lá até eles irem embora." "Por que você não pode encontrar uma boa garota e se casar? Sua assistente é bonita?" "Deslumbrante." Ele não mentiu. Diferente da recepcionista, ele havia notado Grier Bush anos atrás, quando ela trabalhava no departamento financeiro, mas ele não era do tipo que misturava negócios com prazer. "Cabelo da cor de melaço caramelizado, olhos como caramelo queimado e lábios mais vermelhos que um picolé de cereja." "Mas?" "Ela é minha assistente, e o RH não costuma gostar muito de situações onde subordinados são perseguidos pelo chefe ao redor da mesa. Além disso, ela é uma assistente excelente, e eu preciso que ela não peça demissão." "Mas ela está solteira e você também." "Mãe. Isso não é como na sua época, quando essas coisas eram socialmente aceitáveis. Eu poderia ser processado se a assediasse." "Você gosta dela?" "Eu admiro a força dela." "Por quê?" Dessa vez, a pergunta veio de seu pai. "Ela nunca recua. Mantém a postura mesmo nas situações mais difíceis. Ela até," ele soltou uma risada ao lembrar, "me chamou de 'pé no saco' bem na minha cara." "Que palavra horrível!" Sua mãe exclamou. "Eu mereci. Tive uma semana difícil e, como minha assistente, acredito que a dela tenha sido ainda pior, já que teve que apaziguar algumas situações complicadas por minha causa." "Você sempre fica tão irritado nessa época do ano. Volte para casa. Podemos colocar outra pessoa no seu lugar e você pode trabalhar com seu pai e—" "Mãe. Chega. Eu concordei em trabalhar na empresa, e estou fazendo isso. Não há necessidade de eu me aposentar tão cedo para trabalhar com o pai. Ele ainda tem décadas pela frente para comandar as coisas por lá." "Sentimos sua falta. Você vai estar aqui na véspera e no dia de Natal?" "Sim. Eu não perderia isso por nada no mundo." "Seria muito bom se você trouxesse uma garota para casa." Ele soltou uma risada curta com o comentário. "Imagine só." "E sua secretária?" "Assistente, mãe. E acho que a última coisa que precisaríamos em casa seria alguém ainda mais cínico do que eu estragando a alegria do feriado." Ele inspirou fundo. "Estou quase chegando em casa, então vou desligar agora. Mande meu amor para as meninas." "Filho, mais uma coisa." Seu pai falou. "O que foi?" "Eu sei que você não gosta quando eu digo isso, mas estou sentindo algo para você agora. Algo grande está prestes a acontecer na sua vida." "Pai, poupe-me desse papo místico. Eu não quero ouvir. Se você me contar como minha vida vai se desenrolar, qual seria a graça de vivê-la?" "Mas você não faz nada para encontrar a alegria, Nick. Me faça um favor? Encontre a alegria." Ele encerrou a ligação sem dizer mais nada. Às vezes, seu velho era demais.
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