Grier atravessou a recepção do saguão em direção ao elevador, fingindo não ouvir Hazel chamando seu nome. Quando a mulher agarrou seu braço pouco antes de Grier alcançar seu destino, ela lançou um olhar irritado para Hazel.
"O que você quer?"
"Precisamos conversar! Você não atendeu nenhuma das minhas ligações."
"Você está dormindo com meu namorado há um mês. Acho que tenho o direito de recusar suas ligações."
"Se você apenas me deixasse explicar!"
"Não. A explicação é para o seu benefício, não para o meu. Não me importo com o motivo pelo qual você fez isso. Só me importo que você fez. Eu preferiria que nunca mais nos víssemos."
"Fomos amigas por dez anos!"
"E você não levou isso em consideração quando transou com Arlo na minha cama."
"Você pode simplesmente me cortar assim, tão fácil?"
"Basicamente, sim."
"Grier! É época de festas. Você não vai me descartar para sempre bem nas festas de fim de ano."
"Eu não poderia me importar menos se hoje fosse o último dia antes do mundo explodir. Acabou. Eu não tolero traições, Hazel. Você, mais do que ninguém, sabe disso."
"E o Natal?"
"O que tem ele?"
"Faltam apenas duas semanas."
"E daí?"
"Mas são as festas de fim de ano. Eu sempre passo as festas com você em Coldreach."
Grier olhou para Hazel, surpresa com sua audácia, e soltou uma risada incrédula. "Você está brincando comigo? Não. Você não está mais convidada para a casa da minha família nas festas. Liguei para meus pais ontem e contei tudo o que aconteceu."
O rosto de Hazel ficou vermelho. "Você contou para eles!"
"Sim. Eu contei. Contei tudo!"
Hazel arfou, incrédula. "Tudo?"
"Eu até contei para minha irmã como eu ouvi você dizendo para o cara que estou saindo há seis meses gozar dentro de você." Grier se deliciou ao ver Hazel passar do vermelho para um tom esverdeado repugnante. "Ela te deu um apelido novo."
"O quê?" Hazel cerrou a mandíbula, furiosa.
"O novo nome dela para você é balde de porra."
"O quê?"
"Ela disse isso. Pegou. Minha mãe e meu pai acharam hilário e apropriado para você, dado o que eu ouvi você dizendo para Arlo."
"Você contou para o seu pai?" Os olhos de Hazel se encheram de lágrimas de incredulidade. "Não."
"Eu estava chateada. Liguei para minha família em busca de apoio. Eles me apoiaram."
"Como você pôde? Como pôde contar todos os detalhes nojentos para eles? Eu já estava envergonhada, mas isso torna tudo ainda pior. Você devia se envergonhar, Grier!"
"Com licença?"
"Por que você contaria para eles? Eles são—"
"Minha família. Antes de abrir essa boca imunda, nojenta e traidora para reivindicá-los, saiba que eles são minha família, não sua. Você os conhece por minha causa. Eles te trataram como parte da nossa família por minha causa. Mas, quando as coisas ficam difíceis, minha família sempre estará do meu lado. Não do seu. Mesmo se eu estivesse errada aqui, o que com certeza não estou, seria a mim que eles apoiariam, não você. E sabe por quê?"
Ela deu um passo à frente, encurtando a distância entre elas, sem recuar da emoção que sentia, nem da que Hazel demonstrava. "Porque eles são minha família, e você não."
"Você sempre disse que sua família era minha família."
"Até você me trair. Um mês! Você dormiu com ele por um mês. Você sentou no meu apartamento há uma semana me parabenizando porque eu achava que estava me apaixonando pelo cara que você estava transando. Eu não consigo nem começar a entender na minha cabeça por que diabos você faria uma coisa dessas."
"Posso explicar?"
"O que há para explicar? Você transou com o cara com quem eu estava saindo. Não há nada mais a ser dito. Eu não preciso das suas desculpas. Elas não valem nada para mim."
"Você tem tudo. Eu só queria viver na sua pele por um instante." Hazel sussurrou. "Eu queria ser você e ver como era para você. Eu só queria ser como você."
"Você é tão estúpida." Grier balançou a cabeça furiosamente. "Você é incrível do seu próprio jeito. Você passa tanto tempo tentando ser algo que não é, que perde a chance de ser quem realmente é. Você é engraçada, excêntrica e sua personalidade costuma ser vibrante."
"Você conhece a verdadeira eu."
"Eu achava que conhecia, mas nunca passou pela minha cabeça que você dormiria com alguém por quem eu estava interessada." Grier olhou para o celular. "Tenho cinco minutos para subir antes que o Sr. Santos me demita por atraso. Estou indo agora. Por favor, não me procure mais. Não somos mais amigas."
Ela apertou o botão do elevador especial, programado com sua impressão digital para levá-la ao último andar da sede da Santos Confectionary, e revirou os olhos quando Hazel se jogou no chão.
"Você não pode me deixar assim. Como pode me abandonar? Eu não tenho mais ninguém, e você vai me deixar completamente sozinha, até no Natal. Eu sei que você não é tão fria, Grier. Por favor." Hazel se arrastava pelo chão, agarrando o tornozelo de Grier, chorando de forma patética.
"Pelo amor de Deus, tenha um pouco de dignidade!" Grier sibilou para ela, sentindo a pele se arrepiar de humilhação ao perceber que várias pessoas agora estavam olhando para a cena.
"Ela é minha melhor amiga e acabou de me desconvidar para o Natal com a família dela. Eu não tenho família. Meus pais morreram e eu era filha única", Hazel lamentou para um homem que aguardava outro elevador chegar.
Quando o homem olhou para Grier, ela deu de ombros, indiferente. "Ela transou com meu namorado no fim de semana. Sua família gostaria de alguém assim servindo o molho na ceia?"
Hazel se sentou com um solavanco diante das palavras de Grier. "Você não pode continuar dizendo isso para as pessoas."
"Por que não? Eu não tenho vergonha. Eu não fiz nada de errado. Você e Arlo fizeram. Essa falha é de vocês, não minha, e eu não vou deixar nenhum dos dois me fazer sentir culpada por algo do qual eu nem participei." Ela colocou as mãos na cintura e encarou Hazel furiosamente. "Se eu quiser alugar um outdoor na Times Square dizendo que Hazel é uma v***a mentirosa e traidora, eu posso."
"Você não pode!"
"O inferno que não posso. E ainda tenho testemunhas." Grier se abaixou o máximo que conseguiu dentro da saia lápis para soltar as mãos de Hazel de sua panturrilha. "Aliás, mandei o edredom e as fronhas para o seu endereço, já que você gostou tanto a ponto de implorar para ele te fazer gozar em cima delas. Você pode mandar lavar a seco ou se enrolar nas manchas dos pecados que você e Arlo cometeram, mas eu não quero mais aquilo na minha casa."
"Grier!"
Grier olhou para o espectador curioso. "Paguei quase duzentos dólares naquele conjunto, e ela e o amante dela profanaram tudo. Você gostaria de dormir com isso na sua cama?"
"Não." Ele balançou a cabeça. "Quer que eu chame a segurança para você?" Ele lançou um olhar severo para Hazel. "Você está invadindo."
"Ela trabalha aqui."
"Mesmo? Onde?"
"Na recepção."
"Nunca reparei nela."
Grier soltou uma risada enquanto Hazel guinchava indignada com o comentário. A outra mulher se ergueu rapidamente para se defender, e Grier aproveitou a chance para escapar de seu alcance, entrando no elevador privativo. Observou as portas se fecharem bem a tempo, deixando Hazel do lado de fora, suas mãos se debatendo na tentativa de alcançar Grier novamente.
"Ela me lembra aquela criatura esquisita de O Chamado," murmurou para si mesma enquanto o elevador subia para o último andar.