Me chamo Robert. Amora sempre foi aquela mina inalcançável. Não por ser metida, nada disso, mas porque ela era do tipo que desviava o olhar com um sorriso tímido e sumia na multidão. Eu, dono de uma oficina, mãos sempre sujas de graxa, e ela, estudante de design, com aqueles vestidos floridos que pareciam desafiar a lei da gravidade. A gente tinha amigos em comum, se via em uns rolês, trocava um oi, e eu ficava com o coração batendo no peito. Ela me deixava burro. A conquista foi lenta. Começou com carona pra casa depois de um churrasco. Ela não tinha medo, subiu na minha Harley sem hesitar, abraçou minha cintura com uma força, e sussurrou no meu ouvido, com o vento cortando a gente: “Pode acelerar, Robert. Eu confio.” Aquilo ali, na hora, já me deu um nó no estômago e uma pressão no meio

