Me chamo Marcela. Essa história começa com uma culpa do tamanho do mundo, mas um dësejo que era maior ainda. Adotei o Cássio quando ele tinha 17 anos. Eu era jovem, solteira, e achei que poderia salvar alguém. A vida nos separou quando ele foi morar em outra cidade para fazer faculdade, e depois seguiu sua vida. Dez anos sem vê-lo. Até aquele sábado. A campainha tocou, e quando abri a porta, não era mais o menino magricela que lembrava. Era um homem. Alto, ombros largos, barba por fazer, olhos escuros que carregavam histórias que não conhecia. O Cássio, meu coração deu um salto que não tinha nada de maternal. — Oi, Marcela — disse, a voz grave, e me envolveu num abraço que me tirou o chão. O cheiro dele, invadiu meus sentidos. Eu o trouxe pra dentro, fiz perguntas, mostrei a casa. Ele i

