Foi aquele tipo de briga b***a que casais de anos às vezes têm. Sobre quem esqueceu de comprar o café. Sobre quem deixou a luz do corredor acesa. Coisas pequenas que, num dia normal, passariam batido. Mas naquele sábado à tarde, com a chuva caindo lá fora e o tédio pesando, as palavras se tornaram mais afiadas, os olhares mais gelados. – Você nunca ouve o que falo! – gritei, jogando a toalha que estava dobrando no cesto de roupa suja. – E você só sabe reclamar! – ele respondeu, batendo a porta da cozinha. Fiquei parada na sala, respirando fundo, o peito apertado de raiva. Acho que fiquei uns dez minutos assim, olhando para a chuva escorrer pela janela. Até que ouvi passos. Ele saiu da cozinha, não com räiva, mas com um olhar diferente. Intenso. Focado. Sem dizer uma palavra, ele veio a

