A festa de fim de ano da empresa foi no rooftop de um hotel cinco estrelas. Champagne, vista panorâmica da cidade e todo mundo fingindo ser mais feliz do que realmente era. Eu, de vestido preto colado, tentando não olhar demais para o Marcos. Meu chefe. O dono da porrä toda. Ele tinha aquela aura, quarenta e poucos anos, bem cuidado, com um olhar que parecia raio-X. E, segundo os boatos do escritório, ele era super dotado. Aquele tipo de boato que vira lenda, que as estagiárias sussurravam e as executivas olhavam com um misto de curiosidade. Ele se aproximou quando eu estava sozinha na varanda, tentando escapar do karaokê forçado. — Fogindo da música r**m, Sofia? — a voz dele era grave, um pouco rouca. — Algo assim — respondi, virando-me. Ele estava sem o paletó, a camisa branca com as

