POV Marvin
Eu estava em patrulha perto da nossa fronteira sul. Eu estava liderando um novo grupo de trainees, mostrando a eles a área que eles cobririam, o que eles deveriam fazer se alguém atacasse enquanto eles estivessem em vigília, esse tipo de coisa. Meu turno estava quase acabando em quinze minutos e eu iria para casa me encontrar com minha companheira Beth. Trabalhar com novos trainees não era a minha parte favorita de ser o Beta. Tinha algumas pessoas que pensavam que já sabiam de tudo, e outras que não sabiam a diferença entre Norte e Sul, mas era um trabalho que precisava ser feito.
Eu tinha sido o Beta do bando October Moon desde que eu tinha 21 anos, quando o Alfa Gregory assumiu o lugar de seu pai. Ele não me queria como seu Beta porque tínhamos ideias muito diferentes de como liderar. Meu pai tinha sido o Beta do antigo Alfa, então por convenção do nosso bando, eu me tornei o próximo Beta. O filho de Gregory, Logan, agora tinha 6 anos. Ele assumiria aos 21, o que também era costume. Eu estava ansioso pela minha aposentadoria. Tenho tentado ajudar as pessoas deste bando e melhorar suas vidas por 21 longos anos.
Gregory era um tirano de Alfa; ele adorava ter todo o poder e se sentir respeitado. Eu não acredito que as pessoas o respeitavam porque ele era um bom Alfa. Eu acredito que elas simplesmente temiam por suas vidas se não o fizessem. Gregory era do tipo que mata primeiro e faz perguntas depois. Se a menor regra fosse quebrada, ele levaria a pessoa para as masmorras como uma gentileza. Lá ele a espancaria e mataria. Ele nunca os mantinha lá por mais de algumas horas. Nossa masmorra raramente tinha alguém por muito tempo, ele não acreditava em segundas chances.
“Acho que vocês têm uma boa noção do que precisa ser feito”, eu disse ao grupo de homens. Mulheres não eram permitidas serem guerreiras. Era uma regra antiga que ninguém se importava em mudar. Parecia ridículo para mim que as mulheres deste bando não tivessem uma chance de aprender a lutar e defender suas famílias.
"Você ouviu isso?" Meu lobo Ray me perguntou.
"O quê?" Eu perguntei a ele.
“Shhh, escute?” Eu fechei os olhos e me concentrei apenas no que estava ao meu redor. Em segundo plano, eu jurei que ouvi alguém cantando.
“Alguém de vocês ouviu isso?” Eu perguntei ao grupo de guerreiros.
"Ouvir o quê, Beta?"
"Escutem por um segundo." Todos ficaram quietos, usando sua audição de lobo. Dessa vez eu sabia que ouvi.
"Isso parece uma criança cantando," Milton disse.
"O que uma criança estaria fazendo sozinha na floresta?" Damon perguntou.
"Me sigam," eu disse a eles. Todos nós começamos a caminhar na direção do barulho. Ele estava nos levando cada vez mais longe da fronteira e para dentro da floresta. Nós caminhamos cerca de duas milhas quando o som parou subitamente. Todos ficaram parados, escutando qualquer sinal de quem estava fazendo o barulho. À minha esquerda, ouvi o farfalhar das folhas seguido pelo estalo de alguns galhos.
"Olá?" Eu chamei. Todo o barulho parou com o som da minha voz.
"Isso é ótimo, você a assustou."
"Eu não fiz isso, tenho certeza de que eles estão apenas brincando de esconde-esconde." Eu comecei a caminhar novamente, olhando atrás das árvores. Pelo canto do olho, vi um pequeno borrão vermelho correndo atrás de uma árvore.
"Esperem aqui." eu disse ao resto dos guerreiros. Eu lentamente me aproximei da árvore, como Ray havia dito, eu não queria assustá-los. Eu olhei cautelosamente atrás da árvore. Lá sentada na grama estava uma menininha. Ela não podia ter mais de 4 anos. Seus cabelos castanhos caíam em volta de seu rosto, escondendo-o da minha visão. Ela estava brincando com as folhas, mas notei que ela não as estava tocando. Elas estavam rachando e se desintegrando em muitos pedaços, suas mãos pairavam sobre as folhas fazendo-as desintegrar diante dos meus olhos.
"Ela é uma bruxa!" Ray exclamou. Isso era r**m. O Alfa odiava qualquer coisa que não fosse um lobisomem. Ele não permitia híbridos no bando, e se alguém descobrisse que sua companheira não era uma loba, eles eram ordenados a rejeitá-las. Eu não conseguia acreditar que essa criança estava aqui sozinha. Eu olhei em volta, mas não pude ver mais ninguém. Eu não conseguia sentir mais ninguém por perto também. Notei que o cheiro dela não era apenas de bruxa, tinha algo mais. Ela cheirava como um lobo! Eu me agachei, ficando na altura dela.
"Oi pequenina, o que você está fazendo aqui fora?" Ela não me respondeu imediatamente, mas continuou a brincar com as folhas.
"Oi." foi tudo o que ela disse.
"Meu nome é Marvin, qual é o seu nome?" Ela riu,
"Isso é um nome engraçado." Ela finalmente me olhou e eu vi seus grandes olhos redondos âmbar. Sorri para ela.
"Sim, acho que é. Qual é o seu nome?"
"Julianna," ela disse.
"Você tem um sobrenome?" Ela balançou a cabeça que não, fazendo com que seus longos cabelos voassem ao redor dela.
"Você está sozinha? Onde estão seus pais?"
"Eu não sei, eles disseram que eu não podia ficar mais com eles. Disseram que eu tinha que encontrar um novo lugar para morar. Eu fiquei brava com eles quando me disseram."
"Que tipo de pai diz isso para uma criança!" Ray estava furioso, andando de um lado para o outro na minha mente.
"Quantos anos você tem?" Ela não respondeu imediatamente.
"Tantos." Ela levantou três dedinhos.
"Este não é um bom lugar para alguém de apenas três anos." Ela deu de ombros, olhando de volta para sua pilha de folhas amassadas.
"Eu gosto daqui."
"Você sabe o nome dos seus pais? Ou de onde eles são?" Ela balançou a cabeça negativamente novamente.
"Nós não podemos simplesmente deixá-la aqui sozinha," Ray disse.
"Eu sei disso."
"Julianna, acontece que eu tenho um lugar onde você pode ficar. Isso parece bom para você?"
"Sim."
"Você gostaria de vir comigo?" Eu disse, estendendo minha mão para ela.
"Ok." Ela disse, pegando minha mão e se levantando. Agora eu notei que ela estava usando um vestido vermelho simples e não tinha sapatos. Ela não parecia suja, então ela não deve ter estado do lado de fora por muito tempo. Eu andei com ela de volta para o grupo de guerreiros.
"Beta, quem é essa?"
"O nome dela é Julianna, eu a encontrei logo ali." Eu indiquei a direção com a cabeça. “Ela vai vir com a gente.”
"Mas Beta, ela cheira a uma bruxa."
"Estou bem ciente disso, Damon."
"O Alfa proibiu qualquer pessoa que não seja um lobo puro de entrar no nosso bando, ele nunca vai permitir que ela entre!"
"Eu não vou deixar uma criança inocente sozinha na natureza. Nós vamos trazê-la de volta e isso é tudo."
"Sim, Beta." Eles todos falaram em uníssono.
"Como vamos explicar isso para o Alfa?" Ray perguntou.
"Eu não faço ideia. Eu sei que ele odeia híbridos e criaturas não-lobisomens, mas talvez ele faça uma exceção porque ela é uma criança."
"Você está apostando em uma grande possibilidade."
Ele estava certo, mas era a única esperança que eu tinha. Julianna segurava minha mão enquanto caminhávamos de volta para a casa do bando. Eu decidi chamar Sandra, a esposa do Gamma, para vir e cuidar de Julianna enquanto eu conversava com Gregory. Ela não precisava estar perto dessa conversa.
Sandra nos encontrou na sala principal da casa do bando. Eu não disse a ela imediatamente o motivo pelo qual precisava falar com ela. Eu estava preocupado de ela não acreditar em mim, ou ela recusar ajudar por medo do Alfa Gregory.
"Marvin," ela disse, levemente ofegante. "O que diabos?...." Ela parou quando viu Julianna espiar por trás de minha perna. A mão dela voou para a boca. "Você está louco, trazendo uma criança para dentro desta casa do bando? Eu consigo sentir que ela é uma bruxa. E se o Alfa descobrir?"
"É por isso que eu preciso da sua ajuda. Eu a encontrei sozinha na floresta e ela só tem três anos. Como eu poderia deixá-la lá fora? Vou falar com o Alfa sobre isso agora."
"Você está sonhando se acha que ele vai deixá-la ficar."
"Eu tenho que tentar. Ela é uma criança, talvez ele mostre um pouco de misericórdia." Eu me ajoelhei para falar com Julianna na altura dela.
"Julianna, eu tenho que ir falar com alguém para ver se você vai poder ficar aqui. Esta é Sandra, e ela vai cuidar de você enquanto eu estiver fora. Ela é muito legal, e acho que vocês vão se dar bem." Olhei para Sandra, que se aproximou de mim.
"Olá Julianna, é muito bom te conhecer. Você está com fome?" Ela balançou a cabeça.
"Aposto que se formos para a cozinha, a Sra. Fields, a cozinheira-chefe, terá algo gostoso para comer." Sandra estendeu a mão e Julianna a pegou sem hesitar. Eu as observei se afastarem em direção à sala de jantar antes de fazer a viagem até o escritório do Alfa no andar do Alfa. No caminho, eu o contatei mentalmente.
"Alfa, você está no escritório?"
"Sim Marvin, o que você quer?"
"Preciso falar com você sobre um assunto urgente. Você tem tempo agora?"
"Eu suponho que eu possa te dar alguns minutos. Desde que você chegue aqui rápido, estou muito ocupado."
"Estou quase chegando agora." Se você precisa falar com o Alfa sobre algo, é melhor não contatá-lo mentalmente até que você esteja passando pela porta. Ele não era uma pessoa paciente, e não gostava de ter que esperar pelas pessoas. Eu bati na porta.
"Entre." Empurrei a porta aberta, rezando à Deusa Lua para sair dessa vivo.