15 anos depois
POV Julianna
"Psst.... psst...." Ouvi alguém sussurrar em meu ouvido. Pensei que fosse apenas um sonho, recusando abrir meus olhos. "Psst! Julia!" Acordei assustada. Minha mãe estava em pé ao meu lado, inclinada para sussurrar em meu ouvido.
"Caramba, mãe. Você podia me acordar como uma pessoa normal."
"Sim, mas onde está a diversão nisso?" Ela sentou ao meu lado na cama.
"Que horas são?" Perguntei sonolenta.
"São 7:30," ela respondeu, muito alegre para tão cedo. Eu gemi.
"Você sabe que a escola já terminou, né?"
"Eu sei, mas estou tão animada para te dar seu presente de aniversário, não consegui esperar mais."
"Meu aniversário é só amanhã."
"Sabe, você é a única filhote que eu conheço que não fica animada em receber um presente antecipado."
"Eu já não sou mais uma filhote, mãe, estou prestes a fazer dezoito anos." Eu me sentei e olhei para ela.
"Eu sei, você é minha filhinha de dezoito anos muito crescida," ela se inclinou e começou a me beijar como costumava fazer quando eu era criança. Rindo quando os beijos ficaram mais molhados. Eu ri.
"Tudo bem, tudo bem." Estendi minhas mãos. "Estou pronta." Ela colocou uma pequena caixa preta em minhas mãos estendidas. Estava amarrada com uma fita vermelha. Desfiz a fita, abrindo a tampa da caixa. Dentro havia um belo broche de ouro com um P no centro, representando nosso sobrenome Parker. Havia trepadeiras entrelaçando o P e um lobo mostrando ao fundo. "É lindo", disse a ela, pegando-o delicadamente da caixa.
"É uma tradição nesta família passar para o primogênito em seu aniversário de dezoito anos. Sua avó me deu e agora estou te dando. Um dia você também passará adiante. Seu pai ficaria orgulhoso em te ver com isso." Ela ajeitou meus longos cabelos castanhos atrás da minha orelha.
"Eu amei, obrigada", disse, me inclinando para abraçá-la. Ela fungou levemente, mas quando se afastou, todas as lágrimas que ela poderia ter derramado haviam sumido. Minha mãe era uma mulher muito forte. Ela perdeu meu pai e seu companheiro quando eu tinha sete anos. A maioria dos lobos teria morrido de dor e desespero, mas ela sempre disse que eu era o que a mantinha em frente. Ela nunca mostrou medo ou fraqueza, sendo a ex-fêmea gama, ela não podia.
Nosso Alfa era um homem aterrorizante. Ele gostava de ordem e obediência acima de tudo. Foi um milagre ele ter me deixado ficar aqui quando me encontraram há 15 anos. O Beta Marvin disse que era porque eu era uma criança. Se eu fosse mais velha, ele teria me rejeitado. Ele me odiava por ser parte bruxa, não que fosse minha culpa. Eu era proibida de usar meus poderes na alcateia. Essa era uma das condições para eu ficar aqui. Também era proibida de treinar com os outros guerreiros, não podia participar de eventos da alcateia quando outras alcateias estavam na cidade, e não podia contar a ninguém que eu era parte bruxa. Não que eles não pudessem sentir meu cheiro. Eu podia assistir à escola como todos os outros e comer na casa da alcateia para as refeições normais, mas essa é a extensão das minhas liberdades.
Outra condição para eu ficar aqui era trabalhar. Atualmente, trabalho no berçário da casa da alcateia durante a semana. Eles tinham um berçário para os filhotes dos guerreiros e membros superiores da alcateia. Foi lá que conheci minha melhor amiga, Naomi. A maioria da alcateia não queria ter nada a ver comigo porque não queria sentir a ira do Alfa, mas Naomi não se importava. Ela era uma ômega, então já estava sujeita à mão c***l de Gregory.
"Ok, levante e se vista. O café da manhã na casa da alcateia começa em trinta minutos." Minha mãe saiu da minha cama e saiu do meu quarto. Fiquei ali sentada, admirando o broche que ela me deu. Mesmo sendo minha mãe adotiva, ela sempre me tratou como se eu fosse dela. Marvin queria me levar para casa, mas Gregory não permitiu. Ele disse que não podia ter seu Beta criando uma criança híbrida fraca. Acho que não importava para o Gama porque ele não o via como importante.
Balancei as pernas ao sair da cama, esticando-me enquanto me levantava. Hoje era sábado, então não precisava ir trabalhar. Tomei um banho rápido, vesti um jeans e uma camiseta, antes de encontrar minha mãe na sala de estar. Nossa casa era pequena, mas era perfeita para nós duas. Depois que meu pai, Dale, faleceu, o Alfa fez com que minha mãe e eu nos mudássemos da casa da alcateia. Acho que ele já queria fazer isso fazia um tempo, porque odiava o fato de eu também morar lá. Foi uma desculpa fácil para nos fazer mudar o mais longe possível da casa da alcateia.
Vivíamos na parte exterior da alcateia, isolados de tudo. Minha mãe nunca reclamou, no entanto. Ela sabia que não adiantava, mas também sabia que estava feliz em ter uma criança. Ela e meu pai tentaram por muitos anos sem sucesso ter um filhote. Minha mãe sempre tentou fazer de tudo para garantir que eu estivesse segura e pudesse ficar na alcateia.
Fizemos a longa jornada até a casa da alcateia, que era uma grande casa de tijolos de três andares. O Alfa, Beta e o novo Gama viviam na casa. Também abrigava a sala de jantar da alcateia, escritórios para os membros graduados, mas nada mais. O Alfa não gostava que os membros regulares da alcateia ficassem na casa, exceto durante as refeições.
Nossa alcateia tinha cerca de 400 membros; éramos considerados uma das alcateias menores da região. Eu sabia que também havia uma alcateia Lycan não muito longe, onde vivia o Rei Lycan, mas ambas as alcateias se mantinham à parte. Nossas alcateias vizinhas eram Crescent Night, Black Autumn e Moonlight River. Acho que a alcateia Lycan era chamada Black Hollow, mas não tenho certeza. Aprendemos sobre as diferentes alcateias na escola, mas só me lembro de muita coisa. Eu sabia que o Rei Lycan e os Alfas das outras alcateias estiveram aqui ocasionalmente, mas nunca pude conhecê-los, já que não me era permitido participar dos eventos.
Quando entramos na casa da alcateia, nos juntamos à multidão de pessoas já na fila do buffet. Esta era a maneira mais fácil de servir o café da manhã para todos. Os membros graduados tinham suas refeições trazidas às mesas deles, mas nós não. Pegamos um pouco de torrada, ovos e bacon, antes de encontrar uma mesa vazia. Normalmente, só minha mãe e eu sentávamos juntas, já que ninguém mais queria sentar conosco. Cometi o erro de olhar para a mesa principal, onde o Alfa Gregory e seu filho Logan estavam sentados. Eu peguei o olhar do Alfa e ele me encarou furiosamente. Rapidamente abaixei o olhar para que ele não ficasse com raiva de mim.
Terminamos nosso café da manhã, e algumas ômegas vieram limpar nossos pratos.
"O que você vai fazer no seu dia de folga hoje?", minha mãe perguntou. A verdade era que eu costumava passar meus sábados treinando com o Beta Marvin. Eu não podia treinar com os outros lobos, mas ele me treinava em seu dia de folga na floresta além das fronteiras da alcateia para que ninguém nos pegasse. Eu não queria contar isso para minha mãe caso o Alfa Gregory descobrisse. Ele puniria ela por permitir que isso acontecesse. Era melhor se eu fosse a única que sabia.
"Provavelmente vou passar um tempo com a Naomi. Os pais dela saíram para o fim de semana."
"Parece divertido. Devo esperar você para o jantar?"
"Sim, nos encontramos em nossa mesa de sempre."
"Tchau, meu amor,"
"Tchau." Acenei para ela e me virei, caminhando em direção à casa de Naomi. Quando tive certeza de que estava fora da vista e do alcance auditivo, mudei minha rota em direção à floresta. Eu tinha minha bolsa pequena comigo, onde tinha alguns shorts, top e sutiã esportivo. Eu estava de tênis no café da manhã, então não precisava carregá-los. Eu estava quase chegando à linha das árvores quando ouvi vozes atrás de mim.
"Lycani, híbrida!" Virei e vi Logan e seus amigos Tyler e Ian. Todos tinham 20 anos, então tinham seus próprios lobos e podiam se transformar. Virei e tentei ficar o mais longe possível deles, mas podia ouvi-los me seguindo. Acelerei o passo, tentando desesperadamente não ser o saco de pancadas deles hoje.
"Para onde você está indo tão apressada, meia-loba?" Agora comecei a correr, ouvindo seus passos ficando mais próximo. Senti uma mão segurando meu braço. Tentei me soltar, mas era forte demais. Logan estava me segurando, ele me girou, de modo que eu estava de frente para ele. "Droga, você está ficando mais rápida; mas não rápida o suficiente."
"Me solta!" Gritei, tentando me soltar. Isso só fez ele apertar ainda mais.
"Você está ficando atrevida", ele riu. Ele me soltou com uma mão, levando-a para me golpear.
"Logan, Ian, Tyler, chega!" Uma voz profunda e estridente veio de trás de mim. "Solte-a e volte para o treinamento de vocês. Vocês deveriam saber melhor como futuros Alfas." Marvin tinha vindo ficar ao meu lado.
"Nós só estávamos nos divertindo um pouco, Beta," Logan disse inocentemente.
"Atacar um m****o da alcateia sem provocação é três dias na masmorra acorrentado em prata. Deveria saber disso, eu escrevi essa lei."
"Isso não se aplica a mim", ele riu.
"Se aplica a todos, você ainda não é o Alfa." Ele olhou de mim para Marvin, soltando sua presa.
"O que você está fazendo aqui, afinal?" Ele perguntou a Marvin. Eu dei alguns passos para trás, tentando ficar fora de alcance.
"O que eu faço e aonde eu vou não é da sua conta."
"Você tem sorte que o Beta estava aqui para te proteger desta vez", ele rosna entre dentes cerrados. Virando-se, ele e seus dois amigos idiotas voltaram pelo caminho que vieram.
"Você não deveria ter feito isso", eu disse para ele. "Ele vai contar para o Alfa e você será punido por me defender. Você sabe que essa lei não se aplica a ninguém, exceto a mim."
"Deixa eu me preocupar com o Alfa. Depois de todos esses anos, eu fiquei muito bom em evitar suas punições." Sorri para ele, agradecida por ter uma pessoa nessa alcateia que cuida de mim. Caminhamos por mais um tempo até chegarmos à nossa área de treinamento. Marvin fez o possível para conseguir algum equipamento antigo do nosso centro de treinamento. Tínhamos um saco de pancadas, pesos livres e alguns tapetes rasgados para colocar quando esparrávamos.
"Preciso me trocar", disse a ele, pegando minhas roupas.
"Claro", ele disse, se virando. Fui atrás de uma árvore próxima e me troquei. Voltando e jogando minha calça jeans em cima da minha bolsa.
"Vamos começar com 50 polichinelos, 50 abdominais e uma corrida de 2 milhas como aquecimento."
"Nada de meia maratona hoje?", brinquei.
"Engraçadinha, vamos começar." Ele saiu correndo pela floresta e eu o segui. Ele me treinou duro, e eu apreciei isso. Começamos quando eu tinha 15 anos, quando consegui dizer a minha mãe que estava saindo com amigos, e ela não insistiu em ir comigo. Depois da nossa corrida e aquecimento, fizemos algumas lutas. Marvin tinha sido o melhor guerreiro na época dele, e mesmo aos 57 anos, ele ainda podia enfrentar até mesmo os lobos mais jovens e vencer.