O gesto que não pude controlar

1694 Words
O gesto que não pude controlar Xavier Lancaster Olhei para a Daniela, sentada no tapete à minha frente. A luz da lareira dançava nos seus olhos, transformando o castanho intenso em mel, seus cabelos sedosos brilhavam com a luz crepitante que vinha do fogo. Ela estava a exigir a minha rendição total, a exigir que eu trocasse a minha armadura por um sentimento que eu m*l sabia soletrar, mas que surpreendente estava disposto a fazer essa troca. Ela tinha tocado o meu rosto, e a suavidade do seu toque era um contraste gritante com a aspereza da minha confissão: "tenho medo de que... você vá embora". Eu sou um homem de controle. A minha vida é uma folha de cálculo; cada variável é gerida, cada risco mitigado. E, no entanto, ela estava a me dizer que a minha única saída era um salto cego para a emoção. — Você não vai embora, a menos que você me mande, aí sim, não teria como contestar. — A promessa dela era um âncora na minha tempestade. Eu deveria responder com lógica. Deveria delinear um plano de progresso emocional, um KPI para o afeto. Mas as minhas palavras falharam. O CEO em mim estava a sofrer uma falha no sistema terminal. Os meus olhos se moveram dos seus, cheios de coragem, para os seus lábios. Estavam ligeiramente húmidos de chocolate quente, um vestígio do nosso ritual na Suíça. Era uma visão tão real, tão imperfeita, que destruiu a minha perfeição. Aquele chocolate era a prova de que o homem que ela tinha beijado na Suíça ainda existia, estava aqui, dentro de mim. Eu não raciocinei. Eu não fiz uma análise de risco. A única coisa que me dominou foi um impulso primitivo, um passo que eu jamais daria com qualquer outra pessoa. Inclinei-me. Agarrei o seu rosto com as duas mãos, um movimento que era, por si só, controlador, mas a intenção era pura e inesperada. Eu precisava de a ter mais perto. Precisava de calar a minha mente e sentir. Os meus lábios encontraram os dela. Não foi um beijo de contrato, calculado para selar um acordo. Foi um beijo de necessidade, sede e presença completa. Senti o gosto do chocolate e da promessa, e tudo o que eu tinha reprimido desde que os Alpes irrompeu. Não houve eficiência ou método; houve urgência. Os seus braços envolveram o meu pescoço, puxando-me para mais perto daquele fogo que ela tinha acendido. Neste momento, não havia o sobrenome Lancaster e tudo que ele englobava, nem pais desbravadores, nem contratos. Havia apenas a confissão de que eu a queria desesperadamente, e a prova de que ela estava aqui para ficar. Afastamos, e a sua respiração era tão rápida quanto a minha. Eu não podia dizer que a amava, não ainda, mas eu podia dizer a única coisa que era a verdade absoluta no meio daquele caos. — Eu não consegui resistir ao chocolate. — Murmurei, o meu coração a palpitar no meu peito. A desculpa era estúpida, mas os meus olhos não mentiram. Uma das minhas mãos fazia um carinho preguiçoso na sua nuca, o seu calor me dava um conforto que eu não pensava sentir em uma mulher. Sempre foi carnal, necessidade, posso contar nos dedos de uma mão quantas beijei, e não senti metade do que sinto agora. Ela sorriu, o sorriso mais devastador que eu já tinha visto, o sorriso da vitória total. — É um começo muito bom, Xavier. – Ela tomou a liberdade de me dar selinhos, aquela espontaneidade me pegou de jeito. Ela tinha razão. O beijo era o meu voto não verbal. Era a prova de que, para ela, eu estava disposto a perder o controle. Fogo incontrolável O gosto do chocolate e a sensação dos lábios da Daniela nos meus foram um curto-circuito na minha lógica. Eu a beijei por impulso, algo que o CEO Xavier Lancaster jamais faria. Eu me afastei, lutando para reajustar o meu sistema. — Eu não consegui resistir ao chocolate — eu tinha murmurado novamente, uma desculpa patética para a explosão de desejo que me consumia. Minha cabeça já estava se adiantando, não era assim que deveria ser. Eu me afastei um pouco, tentando recuperar o ar e o meu controle. Mas estávamos no tapete, o calor da lareira a queimar-me as costas, e ela estava demasiado perto. Eu sabia que precisava de criar distância. A lareira, o chocolate, a i********e no chão da minha casa... era um cenário que eu nunca tinha planeado e que me estava a derrubar. Eu tentei levantar, mas a sua mão pousou no meu antebraço. — Fique. — Não foi um pedido; foi uma ordem suave. Eu tentei ficar afastado. Tentei concentrar-me nas chamas, nas luzes da cidade que podiam ser vistas através da janela. Tentei invocar uma reunião de emergência com o CFO na minha mente. Mas a única coisa que importava era a pele dela sob a minha mão, o toque que não me deixava ir. O calor da lareira se tornou indistinguível do calor que ela irradiava. O meu corpo, habituado à frieza do mármore e dos fatos caros, estava em rebelião. O cheiro dela, uma mistura subtil do perfume que lhe comprei em Paris e da fumaça suave da lareira, invadiu os meus sentidos. Estava a me deixar louco, a palavra certa era e******o. A mulher à minha frente mexia muito comigo. Não era lógico. Era físico. Era a necessidade de a ter mais perto do que um beijo de chocolate, seu corpo colado ao meu aqui mesmo, sem pudor. Mas não sabia até onde podia ir, essa é a parte que eu não sei o que devo fazer ao não. Quais os limites posso ultrapassar ao não. Antes era tudo ditado por mim, cada detalhe, então eu tinha o controle, mas com a Dani era diferente, eu não podia assumir o controle, ela tinha que fazer parte de cada decisão. - Não pense muito, relacionamentos são assim, não quero que fique com esse olhar de que tem uma bomba relógio nas mãos. Vamos combinar assim, se algo me incomodar, eu vou falar, pode deixar que eu sei me cuidar. Cansei de fugir ou fingir não ver, Xavier. – Suas palavras penetraram fundo dentro de mim. Eu me inclinei novamente, e desta vez, o movimento foi deliberado, mas forçado por uma atração que eu não conseguia ignorar. Passei os meus dedos pela sua mandíbula, e o meu polegar roçou o canto da sua boca, limpando o último vestígio de chocolate. Mas não parei aí. Eu a puxei contra mim, derrubando a nossa caneca vazia. O beijo desta vez não teve inocência. Era quente, profundo e faminto. Eu a beijei com a intensidade de um homem que reprimiu a emoção durante anos, despejando toda a minha confusão, a minha raiva e o meu desejo naquele gesto. Sua boca me recebia com a mesma urgência, nossa troca era perfeita, sua vibração me deixava mais perto do linear. As minhas mãos escorregavam dos seus ombros para as suas ancas, e eu a apertei, o desejo de a sentir totalmente contra o meu corpo era insuportável. Eu não estava a pensar; estava apenas a responder ao instinto, ao fogo que ela tinha acendido. Ela gemeu no beijo, e o som foi o último prego no caixão do meu controle. Eu não podia parar. Era o meu modo de dizer: "Eu te quero, e a sua presença me destrói." Afastamos, ambos ofegantes, os olhos fixos um no outro. Eu estava a arder, e eu sabia que ela também estava. — Você está a falhar miseravelmente na sua lição de "estar presente sem o controle" — ela ofegou, mas os seus olhos brilhavam. Eu sorri, um sorriso genuíno e perigoso. — Eu sou um aluno ambicioso, Marçal. Não disse que ia ser fácil. Mas eu estou a responder ao seu desafio. O que vem a seguir? A próxima lição tem de ser aqui, agora. A minha respiração estava descontrolada. As mãos dela seguravam a parte de trás do meu pescoço, e os meus dedos estavam apertados na sua cintura. O calor na lareira não era nada comparado ao fogo que me consumia. Eu tinha tentado a lógica, tentei o distanciamento, mas ela tinha me forçado à pura, descontrolada e emocionada. O meu corpo pedia mais. Eu não a via como um ativo, mas como uma necessidade. Eu queria, e pela primeira vez, o meu desejo não era racional; era puro. Ela olhou para mim, e o brilho nos seus olhos era a resposta. Ela não estava a jogar; ela estava a me guiar. — A próxima lição, Xavier, é sobre a entrega — sussurrou ela, a sua mão subindo para tocar a minha bochecha. — Você entregou o seu controle na Suíça. Entregou a sua verdade esta noite. Agora, é a hora de entregar o seu medo. Eu a levantei, e ela não protestou. As suas pernas envolveram a minha cintura, e eu senti o peso e o calor dela. Eu a segurei como o bem mais precioso, a minha mente finalmente rendida ao meu corpo. Eu a olhei nos olhos, o CEO dentro de mim teria que fazer uma última e fraca pergunta. — Isto não é o contrato. — A minha voz era séria, garantindo que ela entendesse a gravidade. — Isto é o nosso voto, Xavier. — Ela sorriu, e o sorriso dela era a minha única permissão. — É real. É apenas o homem e a mulher, sem eficiência, sem nada além das nossas almas. Eu não precisava de mais nada. Com os olhos fixos nos dela, atravessei a sala em direção à escadaria. A lareira, o chocolate, a mansão... tudo se desvanece. A única realidade era o calor do seu corpo contra o meu e a promessa de uma lição que não podia esperar. A porta do meu quarto se fechou atrás de nós. A minha primeira noite de amor com Daniela não seria planeada; seria uma explosão do desejo que eu tinha reprimido durante demasiado tempo. Seria a primeira vez que eu seria eu com uma mulher sem armadura. Obrigada pelos comentários e bilhetes lunares 🥰
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