Capítulo 22

998 Words
Capítulo 22 Daniela Marçal Quando o baque da porta do meu chefe ainda ecoava na sala onde eu e a sua secretária ficava, Joana me olha como se finalmente pudesse respirar novamente. Nós duas sempre ficávamos na linha de frente de tudo relacionado a empresa e comunicação de Xavier Lancaster. Era muita responsabilidade, tinha momentos que eu e ela pensávamos que não daríamos conta de tudo. Porque a demanda era grande, e Xavier Lancaster gostava da perfeição, e é claro exigir a isso de nós duas. Mesmo diante disso, da correria do dia a dia e da alta exigência que era sempre questionada, eu e Joana éramos quase que cúmplices de um crime naquela sala de recepção.Nós duas nós éramos companheiras para não surtar com a alta exigência do nosso chefe. - O que aconteceu entre você e chefe? – A secretária do Xavier me pergunta. - Nada! – Digo olhando as flores que não me emocionaram mais. - Ele viu as flores e se irritou, você sabe que ele se irrita com tudo Joana. – A mulher que sempre me ajudava com tudo, estava querendo saber demais. - Ele se irrita com o alinhamento dos planetas, imagina com as flores que somente estão aqui para deixar a vida mais bela e florida? Xavier é um ser amargo, não liga para ele. Joana vem até a minha mesa, e me olha como se tentasse me pegar na mentira ou fazer uma telecinesia para obter a verdade. - De quem são as flores? – Ela estende uma barra de cereal. Joana vivia fazendo dieta, mesmo dizendo que ela estava linda, a mesma queria emagrecer para conquistar um namorado ou marido, a ordem não importa. - Não obrigada... – Recuso a barra. – As flores são do Paul. - Joana me analisa. – Meu futuro ex-namorado... – Joana me olha desacreditada. - Como assim menina? Que eu me lembro, na sexta você saiu para um jantar para se tornar a noiva do ano. – Rio sem humor. - Agora está falando sobre ex. - Pois bem, sai bela e fui comunicada que meu futuro ex estava feliz com um novo passo que ele está dando na sua profissão. Não teve pedido ou qualquer chance de ver algo no futuro. Cansei Joana, estou velha para esperar o tempo do Paul. – Joana me olha indignada. - Pelo amor de Deus, menina, você só tem trinta e pouco anos... Uma criança! Eu estou com sessenta e querendo ser jovem e sair com os novinhos. – Acabo rindo. - Quero uma família, Joana. Quero ter o que os meus pais têm lá no Brasil. – Digo triste. – Você sabia que eles acordam todos os dias juntos para trabalhar, fazem café e vão juntos até o ponto para pegar o ônibus? Meu padrasto lava a louça enquanto a minha mãe faz a comida... Ah Joana, eu queria ser amada, somente isso... – Minha amiga me abraça. Joana era um amor de pessoa, mesmo morrendo de medo do nosso chefe. - Você está nessa relação, o quê, quatro anos? – Aceno que sim. – Como vai jogar quatro anos fora, minha menina? Sei que Paul não é esse rapaz que você desenhou na sua cabeça, mas ele não tem seu coração nem um pouquinho? Não vale a pena tentar mais um pouco? Nego com a cabeça acreditando que não tem volta. - Eu não queria dar esse passo para trás, mas não me vejo na vida do Paul, Joana. – Digo na defensiva. – Ele que não está na mesma página que a minha, Joana. Paul quer ser grande, ter uma rede de hotéis, fazer nome na grande indústria de hotelaria. – Deixo minha voz morrer com a constatação que não tinha espaço na vida de Paul. – Ele não quer família ou esposa. Foi tempo perdido, e não o amo tanto ao ponto de me anular mais. - Digo tudo de uma vez. Joana absorve tudo que eu digo. - Posso te falar algo? – Olho para ela. — O quê? — Arrumou a pasta com os próximos passos que devo analisar com o meu chefe. - Eu acho que eu chefe estava morrendo de ciúmes de você. – Eu quase, veja bem, quase caio para trás com tal informação. - Está vendo Dorama demais, Joana! – Digo me sentindo super sem graça. – Eu vou lá na sala dele antes que o mesmo volte, e faça um monólogo me repreendendo pela demora. – Arrumo a minha postura. - Não brinca com uma coisa dessas, Joana. A mulher ri como se fosse a coisa mais engraçada do mundo. - Não estou vendo Dorama demais, nada amiga. Eu vi com esses olhos que a terra há de comer que Xavier Lancaster estava sim, morrendo de raiva e ciúmes por você ter recebido essas rosas. Eu acho que ficariam lindas na minha casa. – Acabo rindo. - Agora voltando ao assunto, Xavier estava com aquela cara de cachorro que caiu da mudança. - Leva! São todas suas... – digo colocando na mesa dela. – Agora sobre Xavier Lancaster. - Arrumei minha postura mais uma vez. - O nosso chefe, aquele homem cheio de adjetivos que eu não posso falar para não ganhar uma volta direta para casa. Aquele mesmo homem que vai me matar por está aqui batendo papo com você. - Aponto para a porta. - Esse homem afirmou que nunca vai amar. – Joana me olha assustada. - Como Você sabe disso? - Vejo que falei demais. - Homens com Xavier Lancaster não amam ninguém, Joana. Eles sugam! - Joana ri. - DANIELA MARÇAL! - Ouço o grito vindo de dentro da sala do homem impossível. - Viu!? Ele não ama, ele suga até a sua alma! - Vou quase que correndo para a sala dele. Xavier Lancaster iria me arrasar pelo atraso, mas eu não estava me importando muito. Ainda estava com raiva dele, querendo arrumar uma confusão para arrumar uma briga.
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