Pinícola é uma pequena cidade interiorana de apenas mil habitantes. Uma Cidade pacata, tudo muito calmo; ruas, jardins, bicicletas e uma fonte de água, lugar onde as crianças brincam de dia, e a noite ,os namorados namoram.
Como todas as cidades pequenas com poucos habitantes, todos se conhecem em Pinicola. O padre Queiro, Joaquim da padaria, Maria da quitanda e outros tão conhecidos na cidade.
Lá vai padre Queiroz! Acaba de receber uma fiel no confessionário: Dona Laila.Não vai demorar muito até que esteja na ponta da língua da população toda sua confissão. O padre até tenta ser discreto, mas é realmente muito difícil controlar os mexericos.
Mas, caro leitor, quero apresentar-lhes a outro personagem. Chamava-se Montesião, nome raro, quase único.
Montesião era neto, bisneto e tataraneto de militar. Uma longa casta de sua família haviam generais , coronéis, alferes, soldados. Mas essa longa casta de militares haviam -se quedado nele. Ele era o único dos varões da família que não havia tornado-se oficial do exercício. Sonho rompido de uma família de intensos patriotas. Sua mãe até tentou o convencê-lo a seguir a carreira, mas após o cumprimento do alistamento obrigatório, Montesião deu adeus às fardas, e um cumprimento as vestes de ovelha n***a da família.
Seu tataravô havia sido um famoso general das guerras de canudos, famosa guerra civil no país, que deu a ele reconhecimento da corte imperial e inúmeras medalhas de honra ao mérito.
Seu avô, conhecido como Barbosa, vivia gabando-se sobre a participação do Brasil na segunda guerra mundial. Segundo ele, a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial fora essencial para a derrota alemã, e que sozinho destruiu um tanque de guerra alemão com apenas um tiro de fuzil. Muitos diziam que as histórias contadas por Barbosa eram delírios, outros diziam que aumentava a maior parte delas. Decerto, a guerra não havia feito muito bem para cabeça dele.
O velho Barbosa morreu de desgosto após saber que seu único neto não iria ser militar, mas sim, um pintor. Montesião deu lhe a notícia em uma quarta feira de um lindo dia de sol. Seu avó, que estava acamado havia duas semanas, ao recebê-la, esbravejou como se estivesse lutando com alemães no exército. De modo algum aceitaria aquela situação: bateu os braços sobre a cama dizia que não iria ter nenhum neto "baitola"- Ou como e mesmo a outra palavra mais moderna?- Perguntou o avô de Montesião. Nem deu tempo de seu avô ouvir o ecoar da voz de seu neto respondendo que a palavra era “v***o’’, teve uma síncope e bateu as botas.
Dia difícil para Montesião. O que lhe restava agora era apelar a sua carinhosa mãe para lhe ajudar a pagar o curso de pintura. Mas ela também não quis ouvir os prantos do rapaz ,dizia que não ia suportaria ver o seu filho ‘’morrer de fome’’, ou um dia encontrar seu filho com a corda amarrada no pescoço, ela dizia que pintores eram propensos suicidas.
Mas Montesião era surpreendentemente teimoso, mesmo com a desaprovação de seus pais, fez o curso de pintura. Enfim, depois de quase um ano de curso, Montesião começou a trabalhar com em pequenas exposições de arte, nunca chegara a ter um grande retorno financeiro, entretanto estava a vencer a imposição do carma de sua mãe de que morreria de fome. Não demorou muito para que sentisse na pele o peso que artistas plásticos carregam. O escasso retorno financeiro lhe fizera abandonar de vez a pintura.
No mesmo ano em que abandonou a pintura foi o ano em que seus pais morreram. Montesião ficou arrasado, desolado sem perspectiva nenhuma. Desempregado, ele então foi procurar Xavier, amigo de infância de seu pai. Este era açougueiro, dono do único açougue de Pinícola. Xavier, por consideração ao amigo, contratou-lhe como assistente de açougueiro.
Parecia que estava tudo certo, mas não estava. Montesião estava infeliz. O único sonho de sua vida era que tivesse uma profissão no qual fosse reconhecido e fosse famoso. Nunca poderia ser famoso trabalhando em uma profissão tão medíocre - Pensava. Cogitou na possibilidade em voltar para a área militar, mas logo voltou atrás, não havia nenhuma guerra tão importante a vista para que pudesse “brilhar”.
Desde pequeno, Montesião tinha uma fixação um tanto estranha... Era vidrado em Serial Killers, exatamente o que você, querido leitor , está lendo. Essa sua estranha paixão fez com que comprasse livros, séries, revistas, filme e tudo o que era relacionado há um assassino em série. Apesar de sua paixão por este lado criminoso, Montesião não fora capaz de sequer m***r uma mosca, pelo contrário, era um efusivo assistente voluntário do lar dos velhinhos de Pinícola, além do mais, sempre que podia fazia alguma doação ao hospital infantil da cidade. Era avesso ao comportamento de uma mente doentia, sempre foi zeloso para com os outros.
A forma como os outros o viam, o incomodava. Montessião era um jovem franzino, tímido e f**o. Eram poucos os que notavam a sua presença nos lugares, na escola nunca fora o mais popular da turma, longe disso! Era alvo de chacotas pelos seus colegas que o apelidavam de pelicano, pela sua altura e suas finas pernas.
Entretanto, estava disposto a mudar... Faria algo que faria as pessoas o notassem . Estava decidido, iria cometer crimes sem ser pego. Estava a sonhar no dia em iria se tornar o mais famoso Serial killer de Pinícola...
Mas havia um problema. Montesião não colocava medo em ninguém, Embora vivesse adornado, toda a cidade o conhecia, e com isso ficava difícil tirar a sua fama de ‘’bom moço’’.
Todos os dias, sim, todos os dias,assim que Montesião acordava, cumpria uma rotina bem estranha: Levantava, saudava todos as fotografias de seus ascendentes varoes que estavam milimetricamente enfileirados na parede de sua sala e se prostrava a cantar o hino nacional.
O leitor pode ficar com os olhos esbugalhados, e se perguntar porque diabos ele fazia isso. Mas vou explicar-lhe meus caros, este ritual fora imposto pelo seu tataravô, desde então, fora rigorosamente cumprido por todos os descendentes varões da família Barbosa. Apesar de não ter entrado para a vida militar montesiao sempre foi respeitoso com as tradições da família. Além do que, ao olhar aqueles quadros regulares, ele se sentia mais próximo a eles. O último quadro era o de seu pai, coronel. Rosto rústico, forte, tênue, parecia olhar com ar de reprovação. Montesiao vivia a se perguntar se era verdade que seu pai furara a testa de um militante de esquerda com um alçapão, como todos diziam. O coronel tinha uma estranha mania de colecionar constituiçoes federais, ele possuia exemplares das constituição desde até 1988. Todos guardados em um armarinho
Para Montesiao aquela casa respirava história, após a morte de seus pais. Foi ele quem tratou de cuidar da casa, e rezava para que não aparecesse nenhum bastardo da família com olhos na herança.
Em um belo dia, Montesiao acordou diferente. decidiu que iria ser realmente um serial killer... Mas como? -Pensava- deveria primeiramente mudar o seu modo de vestir- Sim era isso. Naquele dia iria usar um casaco com capuz preto, queria demonstrar seriedade e ao mesmo tempo queria dar um ar sombrio. E claro, capuz preto faria toda a diferença.
Montesiao, olhou -se no espelho, achou interessante ,agora sim poderia fazer o seu sonho tornar-se realidade . Estava disposto a m***r. Precisava, no entanto, de um modus operandi, assim como via nos filmes. De que maneira iria m***r? E quem iriam ser suas vítimas.? Em uns instantes, Montesiao desistiu da ideia de escolher suas vítimas, até porque em Pinícola não haveria tantas opções de escolha.Então, decidiu que iria começar pelos quais eram os mais próximos a ele. E o primeiro em sua mente foi Pedro...
Olhos de lince, por sobre suas vitimas. Um caminhar desorganizado tropeçando em sua pernas, não olhava para frente, seguia com a cabeça baixa com as mãos no bolso pronto para fazer o errado, o p******o. Sentia o calor de suas vítimas como cada pedaço cortado no açougue e ...
- Doçura tire esse capuz!!! Está muito quente!!!
Era Dona Isaurina. Era uma velha senhora que morava ao lado de sua casa. Montesião tinha pavor dela e não só por lhe chamar de “doçura’’ todos os dias que passava em frente a sua casa, mas também porque suspeitava de suas intenções com o rapaz- Velha tarada! - Pensava.
Montesião não deixou nem que ela iniciasse qualquer outra frase, retirou o capuz acanhadamente, e continuou a caminhar.
Mal conseguiu dar dois passos seguidos que já ouviu outra voz do outro lado da rua:
- Olá! ‘’Montinho!! – Gritou n***o que andava de bicicleta
Negão, que apesar do apelido era mais branco que a neve. Trabalhava na quitanda do seu Joaquim entregando pães pelas casas. Montesiao acenou para ele de longe...
Chegando ao açougue, monte Sião entra sorrateiramente verificando se há mais alguém no local, constata que está só. Atravessa a portinhola e o corredor que dava nos fundos, caminha lentamente, ouve um barulho do frigorífico e um sonoro batucar do arco de serra. Xavier estava a fatiar pedaços de carne . Montesiao pega um facão que está por sobre a mesa sem fazer qualquer movimento brusco para que ele não possa ouvir. Ergue acima de seus ombros como se fosse uma alavanca e se prepara para para esfaqueá-lo...
- Ah!!! Aí está você!!!- Diz Xavier que se vira de supetão para Montesião.
Este desce a faca novamente, meio sem graça pelo ocorrido. Xavier não dá muita importância e diz:
- Estava te esperando rapaz! Não pense que aqui vai ser moleza não. Não tolero isso, está ouvindo? O que está fazendo? Pegue esse facão e comece a cortar a carne. Anda! não podemos perder mais tempo!- Dizia empurrando o garoto para perto do balcão.
Era tarde da noite, Montesião, sentado a beira de sua cama, preparava-se para o inicio de sua vida como um maníaco. Pegou um caderno que está na cabeceira e se pos a anotar. Aquela ideia singular, parecia um tanto estúpida para ele, tanto quanto se tornar um serial killer, como anotar as regras do jogo, não faziam sentido...
Não posso anotar- pensava ele- isso pode constituir prova contra mim. E é claro, os psicopatas mais sagazes não anotavam, tinham tudo em sua mente ou então agiam impulsivamente.
Apesar de sua fixação por assassinos em série, Montesião não compreendia muito bem este fetiche por m***r. O que entendia é que o fato de m***r te dava um poder, ainda que por alguns instantes, era como brincar de deus, cabia ao assassino ponderar a sua vida, e aquilo que então Deus nos deu, em instantes, você poderia tirar. A súplica da vitima, elevava o detentor de sua vida como alguém superior, aquele que poderia atender a sua misericórdia, ou não. Era basicamente isto que psicopatas assassinos queriam sentir. Diversos estudos de psiquiatria embolam nossas mentes com complicados textos teóricos. A teoria mais simples para explicar Serial killers, segundo Montesião, era essa: ambição humana em querer igualar-se a um deus. Essa conversa com seus botões o fez pensar em Lúcifer. Desde os primórdios da humanidade, a ambição pelo poder é algo inerente a todos nós, e, é claro, Montesião levava a risca os ensinamentos de seu pai. O velho coronel vivia a dizer que, o poder nos dava um certo temor. E quanto mais medo temos, mais vulnerável ficamos.
Bom preciso achar alguém que já seja mais vulnerável - pensou- assim eu poupo mais tempo, e mesmo porque, não posso medir forças com alguém como o Xavier, o danado deve pesar mais de cem quilos!
Quem sabe uma mulher?Quem sabe a Marli? - pensou- E lembrou-se, que quando ainda estava no colegial, Montesião tivera uma amiga quase inseparável chamada Nischa. Ela era a única que sabia da estranha fixação de seu amigo por Serial Killers.Vivia dizendo, que se um dia ela fosse m***r alguém, iria m***r os tarados e assediadores. Tinha repulsa a eles. Montesião achava graça, mas era só isso que achava mesmo, mesmo porque, ela não sabia o quanto Montesião era apaixonado por ela, e ele não sabia também se poderia se enquadrar na concepção de Nischa sobre ser um “t****o-assediador’’.
Nischa foi estudar fora, em Londres. Montesião nunca mais a viu, e também nunca mais se apaixonou.
Montesião coloca seu caderno de anotações novamente na cabeceira. Vai à sala e olha para os quadros de seus antecedentes. Nunca deixa de dar “boa noite” a cada um deles. Ao lado há uma estante de madeira de acácia, onde há vários artefatos representando mitologia de diversas culturas, seu finado avô era fascinado por mitologias. Uma das estatuas, a maior, que fica no meio, é de uma Fênix representando mitologia grega, era a preferida de seu avô
Seu avô adorava contar a lenda da fênix, figura lendária que estava presente em várias formas e em diversas culturas. Era um pássaro com lindas penas que entrava em auto-combustão e, passado algum tempo, renascia das próprias cinzas. Um significado muito forte quanto ao renascimento para seu avô, mas para Montesiao não passava de um pássaro suicida com uma história interessante.
Amanhecia em Pinícola, montesiao se levanta e se arruma para trabalhar, do lado de fora, um dia normal , o sol brilhava , os pássaros cantavam, as crianças brincavam na rua, mas o que estava por vir Montesião.
Anoiteceu, Montesiao já estava decidido, iria assassinar Marli . Não tinha dúvidas que iria ser naquela noite. Estava tudo preparado: foice, luvas, uma touca estilo ninja . Seria seu primeiro assassinato, precisava estar tudo perfeito, qualquer erro poderia-lhe pagar caro.
Todas as noites Marli esperava na praça sozinha um de seus 'namorados", a vizinhança já desconfiava desses encontros casuais, ela estava na boca do povo. Mas ela negava veementemente, dizia que era moça de família e que aquele era seu único namorado.
‘’Ninguém vai sentir sua falta’’ – pensava ele- “Não tem família ... Mora sozinha... Dizem até que está individada até os pés”.
Para muitos, a morte representava tristeza. A dor de perder um familiar era uma ferida difícil de cicatrizar, mas para ele não. A morte era apenas uma etapa a ser cumprida. “E quem sabe até ela não teria a oportunidade de ressurgir das cinzas,assim como fazia a mitologica fênix?”- Refletia
Sentada no banco da praça, com as pernas cruzadas, inquieta, balança os pés, olha o relógio de segundo em segundo. Nada! Que d***a!-exclama Marli.
Montesiao está na sua espreita, escondido por entre as moitas. ‘’Preciso dopá-la primeiro, não posso cometer nenhuma falha’’. Ele pega a seringa que está em seu bolso contendo sedativo e s e prepara para ataca-la.’’Vamos lá, Um... dois... Três e...De súbito da um sobressalto na direção de Marli.
- Que bom que chegou meu amor! - Marli se levanta para ir ao encontro do homem que esperava, e Montesiao... se esbofeta no chão.
O que é isso?- Marli aproxima-se lentamente tentando desvendar o vulto que estava por sobre o chão
-Montesiao? O que está fazendo aí?- Pergunta
Ele ainda desnorteado tenta dizer algo...
-Conhece? diz o namorado de marli que aproximava-se desconfiado
Ele se levanta e olha para os dois que estão atônitos, não consegue dizer uma palavra, ‘’ Vamos diga alguma coisa’’- Pensou.
-Bom, pessoal.. me desculpe se os assustei .. Bom... E que... Vim procurar meu relógio que deixei cair... Achei que tivesse achado e... Vocês não viram nada por aqui?
Os dois, sem entender, apenas acenam com a cabeça negando.
-Bom, então acho que não está aqui... Vou indo... Tchau, tenham uma boa noite.
Montesiao sai dali apressado e mancando. Parece que torceu o pé na hora do "ataque"- Que m***a- exclama!
Chegando em casa, vai até a sala ,abre uma garrafa de vinho que está na adega – “Diabos!’’- diz batendo na mesa- ‘’Que desastre! Desse jeito vou acabar sendo preso antes de cometer um assassinato! Preciso de outro plano! Uma nova vítima’’. Montesião quer apenas esquecer a noite desastrosa, pensa em desistir da idéia e sem querer começa a reparar no castiçal que está sobre a mesa, e lembra-se que no dia seguinte vai ser Domingo...Dia de missa...Sim é isso! Vou m***r o padre- pensa”...
Todos os domingos eram sagrados para a família de Montessiao, e era comum a família Barbosa participar da “Missa do Santo Domingo” que acontecia na igreja matriz de Pinícola. Não só para eles, mas para toda a cidade de Pinícola. Sim, com seus poucos habitantes, Pinícola era praticamente uma cidade católica.
E era neste domingo que pretendia assassinar sua primeira vítima. Após a missa, era comum o padre ficar o dia todo na igreja sozinho, e era isso que monte Sião precisava ficar a sós com o padre.
Montesiao , apesar de pertencer a uma familia de tradição católica, não seguia nenhuma religião. Frequentava as missas aos domingos por honra a sua família, assim como cumpria todas estranhas rotinas impostas pelo seus antecessores. Não reclamava, cumpria, como um trem cumpre todo o seu itinerário diário.
A Missa na cidade Pinicola parecia uma festa, as mulheres colocavam seus melhores vestidos, os homens as melhores gravatas, todos marchavam impetuosamente em direção á porta da Igreja.
Ele espera ansiosamente nos últimos bancos da igreja esperando a missa acabar ‘’ Puxa como esse Padre fala!’’.
Minutos após o término da Missa, enquanto os féis se retiram pouco a pouco do local, Montesião aproxima-se lentamente do Ambão, aonde estava o Padre Queiroz.
- Olá , meu jovem, como estás?- Exclama o Padre
- Mais ou menos... Tenho um problema... Necessito falar com você ... Confessar-me...sabe?
- Claro, meu jovem. Vamos lá.
Padre Queiroz levou Montesião para os fundos da Igreja, era um pouco escuro, iluminado por muitas velas, um estilo arquitetônico das mais importantes catedrais européia. Apesar de ser uma cidade muito pequena, pinicola era conhecida pela sua lustrosa Igreja Matriz, um monumento histórico que se fazia como um ponto turístico da pequena cidade.
- Diga-me rapaz, o que lhe atormenta?
Montesião entreolhava o Padre por meio dos pequenos orifícios do compartimento, quase não conseguia ver sua a face velha e rosada.
- Padre... Preciso lhe dizer... Sinto um d****o que me atormenta meus sonhos...
O Padre aproxima-se do Lattice para ouvir melhor o penitente
- Sim...
- È algo que me acompanha desde a infância, um d****o carnal.
- Prossiga
Montesião coloca a mão em sua cintura, onde está sua a**a, e tenta retirar vagarosamente sem que o Padre perceba.
- Este d****o vem me aquecendo por dentro, sinto que vou sucumbir a ele
- Mas diga, que d****o é este?
- Ah Padre, o pior dos desejos que um homem pode sentir...- ‘’ d***a, não consigo tirar a a**a,parece que imperrou no cinto’’ Montesião fazia movimentos para cima e para baixo com as mãos -‘’ m***a’’
- Meu filho você precisa dizer o que é para que eu possa –lhe ajudar – O padre se aproxima mais um pouco não consegue ver bem o que está acontecendo do outro lado
- Arg!!! ...È um d****o que eu tenho... – E continuava incessantemente a tentar desemperrar a a**a de sua cintura...Uma v*****e imensa...
- Fale! Exclama o Padre já impaciente.
- Eu tenho v*****e de ... Matar
- m***r?
Montesião consegue soltar a sua a**a de sua cintura - “ Isso, agora sim’’ Ele também se aproxima bem perto do painel e diz:
- È, m***r. E um d****o imenso, um ardor, um fogo que paira em minha mente e...
- Fogo?
- Sim, fogo.
- Fogo, fogo,fogo- Repetia o padre
- Sim, Padre. Fogo...
- Está sentindo um cheiro de queimado?
- Não, Padre.
- Eu estou sentindo cheiro... de... fogo- O padre se levanta velozmente, como se estivesse procurando algo e aponta na direção de montesião
- Ali! Está pegando fogo
Montesião coloca a a**a na cintura e se vira para olhar e exclama
- Fogoooo!!
- Senhor Misericórdia, chamem os bombeiros
Os dois saem da cabine em disparada em direção a porta central
- Fogo! Fogo!
- Ave Maria, a sacristia!- o padre coloca as mãos na cabeça
- Padre, não temos tempo, temos que embora, por favor
- Meu Senhor! O que será da Igreja!
Os dois conseguem sair dificultosamente pela porta dos fundos, o fogo já havia se alastrado por toda a igreja. A grande fumaça n***a que saia da porta chamou a atenção da vizinhança, que em menos de minutos chegavam para ajudar a conter o fogo.
O padre olhava decepcionado, parecia em estado de choque,a igreja estava sendo consumida pelo fogo.
O despertar da sirene indicava que a ambulância havia chegado
- Depressa, depressa!- grita um dos bombeiros.
O Padre se ajoelha no chão
- n******e ser, n******e ser...
Montesião está parado no meio da rua, não sabe o que fazer , não sabe o que pensar, não sabe o que dizer- “Será isso um sinal? Será que ele viu minha a**a? E se ele desconfiar de mim? Tenho que matá-lo’’
Prontamente o comandante dos bombeiros, que havia conseguido conter o fogo, diz:
- Aqui está- ele mostra uma das velas na sua mão- O culpado provável. Uma das velas encostou no manto , e aí... Ferrou, o fogo tomou conta né?
O padre, ajoelhado, não respondia absolutamente nada, apenas rezava baixinho.
‘’ OK. Hora de ir embora’’ - Pensava Montesião.
...
‘’Chega! Desisto!’’-Montesião se preparava para jogar sua coleção de livros de ‘’serial killer’’. -“ Chega, tem que ter dom para essas coisas. A igreja pegar fogo? Sério? Que d***a! Só pode ser intervenção divina... E... Pensando bem...Não, né?’’
Uma coisa estava certa naquele momento para Montesião: Deus escrevia certo em linhas tortas. E essas linhas estavam a irritá-lo profundamente, o que restaria a fazer. Retornar a pintura talvez?
Não conseguia pensar em nada no momento, seu plano meticulosamente planejado havia virado cinzas. Estava com o livro na mão prestes a jogá-lo no lixo, e de repente, lembrou-se de um serial killer famoso por assassinar seus vizinhos, em menos de um ano, assassinou quase o quarteirão todo, até que a polícia passou a suspeitar dele. Foi preso, é claro, prisão perpétua. Montesião o considerava extremamente destemido e um tanto atrevido. “ m***r seus próprios vizinhos? Não seria arriscado?- pensava- ‘’Talvez não ... Talvez estaria ali a resposta...È isso! m***r o alguém que more muito próximo a você ,talvez seja a chave, principalmente quando não há nenhum conflito envolvendo você e ele...
Nascia ali, outro plano de Montesião. Estava decidido: Iria colocar uma fim na vida de Dona Isaurina. ‘’Aquela velha já passou da hora de morrer! Sem falar nos gritinhos de ‘’Ihuu’’ toda manhã para mim. É isso!vou matá-la esta noite’’
Montesião pega a a**a de seu pai novamente . A mesma a**a que havia usado para o seu plano desastroso de m***r o padre Queiroz. Desta vez seria diferente, não iria calcular meticulosamente,até mesmo porque, nem precisava . Dona Isaurina não costumava sair tarde da noite, e o melhor, morava sozinha, tinha apenas um gato velho, gordo, e de maus-bofes que as vezes aparecia em sua casa apenas para d*****r.
Apesar de achar Dona Isaurina insuportável, Montesião nunca deu indícios de que não gostava dela, pelo contrário, sempre a cumprimentava , carregava suas sacolas de compras sempre ela lhe solicitava, enfim, era um bom vizinho.
Parece que ele não sabia ser r**m, e por mais que tentasse, sua fama de “mocinho” já estava enraizada. Ele, claro, estava se prendendo a isso, não poderia jamais levantar suspeitas, e além do mais, estava com sua passagem para Barcelona comprada. Queria novos ares, uma nova vida, e, se tudo desse certo, iria escrever um livro a respeito. Aquela noite seria o fim de sua longa estadia em Pinícola.
Era meia noite. Não se ouvia sequer um ruído em Pinícola. Ruas desertas dando um ar fantasmagórico a cidade.
Montesião, aproveitando a escuridão, dá um sobressalto pelo muro da casa de Dona Isaurina. Sem querer, pisa em um regador de plantas que estava estirado sobre o gramado: - Blam!!! O barulho... Montesião espera ouvir alguma reação: porta, janela, luz, mas nada, o lugar continua emudecido.‘’ Shiuu! Não me atrapalhe agora’’- Olhando para o regador como se ele pudesse ouvi-lo.
Caminha lentamente pelas escadas em direção a porta de entrada da casa. Acende uma pequena lanterna e ilumina somente a fechadura da porta. “Espere! Está sem fechadura!’’. E de fato, não havia fechadura, só um pequeno buraco, como se alguém houvesse retirado. Ele empurra a porta com cuidado,ela se abre lentamente, está tudo escuro. Caminha pela sala pela ponta dos pés. Olha para a cozinha, está escuro, sem ninguém. Ele consegue se aproxima um pouco mais, ainda consegue ver a mesa que é iluminada pelo luar que entra pelo vidros da janela “ Tem algo na mesa’’ Ele se aproxima mais um pouco ‘’ Ah sim! È o Fred!’’ -Pensa . Era o gato da Dona Isaurina, estava deitado sobre a mesa. Parecia uma rocha, não havia qualquer movimento, qualquer ruído, nem de sua respiração, nem do ronronar típica dos gatos, parecia uma figura cadavérica. “Muito estranho’’- Analisa Montesião.
Ele sai da cozinha e vai em direção ao quarto dela, sobe as escadas suavemente. Retira a a**a que está na sua cintura e posiciona como se fosse atirar e vai em direção a porta do quarto que está encostada, as luzes do quarto estão apagadas. Ele espia por sobre a frecha não consegue ver, somente um vulto de um homem, se aproxima mais um pouco, está encapuzado e tem uma a**a na cintura. Sim! Está armado!
Ao se aproximar mais, a porta se abre um pouco que faz um leve barulho
- Quem está ai?
Ele não responde. O homem aproxima-se da porta.
- Quem está ai?!- Mais uma vez
‘’ O que eu faço agora? O que...’’
- Ei! Me responda! Vou atirar!- Grita o homem do outro lado da porta.
Não se houve respostas . O homem nervoso, em instantes, escancara a porta, e com o susto, Montesião dispara três tiros: Bam. Bam,Bam!
O vulto está caído no chão.
Só então, Montesião percebe que Dona Isaurina está sentada ao lado da cama, com as mãos e os pés amarrados, e com uma fita isolante em sua boca. Ela tenta balbuciar alguma coisa, ele corre em sua direção e exclama:
- Dona Isaurina!
Montesião retira as fita de sua boca
- A senhora está bem?
Ainda assustada, responde:
- Filho...filho...obrigada... Você salvou minha vida...
Montesião acende a luz e olha para o chão. O homem que poderia lhe ter tirado a sua vida, está caído, ensaguentado, sem vida. Retorna a olhar para ela e responde:
- Parece que sim...
A calmaria da noite que pairava sobre Pinicola é interrompida pelo sonora barulho da cirene da policia. Policiais armados sobem prontamente o andar da casa 502. As luzes da vizinhança começam a se acender.
- Parado! Parado! Policia!- Diz um policial, ainda jovem, apontando a a**a para Montesião.
O outro policial que está ao seu lado, observa o chão e aponta para o colega, que abaixa a a**a.
Parado em frente a casa de Isaurina, a vizinhança acompanha todo o tumulto.A policia tenta afastar os curiosos, que insistem em tentar fotografar o corpo saindo da casa. Dona Isaurina. que está sendo levada de maca para o carro de ambulância, ainda tem tempo de olhar para Montesião e dizer:
-Salvou minha vida! Salvou minha vida.
Montesião, parado no meio da rua, continua sem dizer nada , apenas olha para a casa onde havia ocorrido a tragédia.
- È, meu jovem, parece que temos um herói! – Diz o chefe de policia batendo em seus ombros. Estávamos procurando este bandido há muito tempo! Coitado do gato, não teve tanta sorte assim.Veja! - Diz ele apontando para um policial que saia da casa com um saco preto- Esse foi para o saco!
-Aqui está! Aqui está!- Do meio da multidão, sai uma moça baixinha que está segurando um microfone na mão, virando- se para os seu cameraman que está correndo atrás dela- Aqui está o herói!- Como se sente sendo um herói daquela amável senhora?
- Bom...Er...
- Você ouviu alguma coisa? Algum barulho? Ficou com medo?
- Não... Digo...Sim... Na verdade...eu ouvi um barulho, fiquei assustado... e resolvi e lá ver o que era e quando cheguei , era um bandido, ele apontou a a**a para mim...Eu fiquei com medo e atirei...
Montesião nem conseguiu terminar de falar e os flashs das câmeras já estavam sendo disparados em seu rosto. A moça baixinha fazia anotações em uma caderneta enquanto continuava a fazer milhares de perguntas a Montesião:
- E o que sente sobre o gato?
- O Que?!
...
Montesião acorda, levanta, vai fazer o seu café matinal. O cheiro do café ainda era ofuscado pelo cheiro da fumaça que havia feito na noite passada ao queimar todos os seus livros de Serial Killers. Havia desistido da idéia, a noite passada foi o estopim para os seus sonho de se tornar um assassino. ‘’ È ...não levo jeito mesmo. Preciso pensar em outra profissão’’. Ainda segurando a sua xícara de café, ele abre a porta para pegar a folha de jornal. Como esperado, o Jornal de Pinicola trazia a manchete com sua foto , que parecia que chupado um limão bem azedo ,estampada na capa dizendo:
‘’ O Herói de Pinicola: jovem salva vida de senhora em assalto’’
Enfim, havia realizado seu sonho: Uma manchete em seu nome.