Vida Dupla

3434 Words
Fazia um tempo que ela não via o “Gato Colorido” no banheiro, a cômoda do seu quarto estava cheia de comprimidos, que não a compreendiam e que comprimiam sua liberdade e nada mais. Não reconhecia mais o seu próprio eu. Resolveu os abandonar. Agora, o que restava era esperar Roberto chegar do trabalho, passava horas na janela do décimo terceiro andar do prédio no centro de São Paulo. Somente ela, e o seu gato Siamês chamado “Rosbife”, ainda se perguntava para que tinha esse nome se ele nunca gostou de rosbife. Ela não saia de casa há mais de uma semana, tinha pânico de sabe- lá –Deus- o -quê. Será que sei voar? Abria a janela, olhava para o céu, via um pássaro voando alto, bem longe, olhava para baixo um carrinho de sorvete passava lentamente pela rua. Seria demais querer as duas coisas ao mesmo tempo? Lembrou-se de Ismália*...Não, não. Não gostava de sorvete tanto assim. Escutou um barulho de chaves, alguém abria a porta. Ele deu um beijo em sua testa. - Hmmmm!Senti o cheiro do café lá de fora! - Já está pronto, vamos tomar - Disse ela retirando o paletó dele cuidadosamente e colocando por sobre a cama. Roberto não conseguiu evitar reparar na cômoda ao lado, com comprimidos espalhados pela cômoda Era a hora do jantar. Lucia delicadamente assoprava uma colher de sopa na antes de levar a boca, Roberto apenas a observava. Só se ouvia o tilintar dos talheres. Ele rompia o silencio: - Saiu hoje? -Não- Ela respondeu sem olhar. - Fez um sol tão bonito hoje... -Não tive v*****e. - Você não está tomando... - Chega de perguntas!- Lucia joga o prato de sopa no chão. Rosbife corre para baixo da mesa. Roberto olha assustado para ela. Ela se levanta pega o prato jogado no chão e começa a limpar. - Desculpe. – Ele agacha ao chão junto a ela, lhe da um beijo e sai. As horas passam, mas a v*****e de Lucia não. Ela vai ao banheiro olha de relance para a pia ‘’ ah, saudade do gato colorido’’. Mas precisa se controlar, daqui a pouco Roberto chega, e não vai ser bom que ele a encontre nesse estado.E Roberto com certeza ficaria desolado se soubesse. E além do mais, não faltava muito até que ele chegasse. Voltou a sentar no sofá, e ficou olhando o relógio preso a parede. ‘’Não cansa ele de estar sempre no mesmo lugar e fazendo a mesma coisa?”Ouvia o relógio responder: tédio-tédio-tédio... Escutou um barulho no banheiro, foi olhar não viu nada. Reparou em cima da pia , havia uma pedrinha branca, bem pequenininha, reluzente. Aproximou-se, sentiu-lhe o odor, aspirou-a, sentiu-lhe entrar por suas narinas e lembrou-se daquilo que lhe dava satisfação em viver, a doce sensação do prazer que a muito tempo não sentia...Sentiu falta de conversar com o ‘’Gato-colorido’’. ’’ Talvez só um pouquinho ele nem perceba’’. - Saia do banheiro, como se fosse atrás de uma caça - ‘’ Eu sei que ainda tem’’ Foi ao quarto vasculhou o armário, tateou por sobre as roupas, olhou em cima do guarda roupa, achou uma mala de viagem toda empoeirada, sacudiu o ** e abriu-a. Com um canivete que estava na cômoda rasgou os fundos da mala. Lá estava ela, do jeito que a deixou... Um sinal de que o Roberto se esqueceu de ver ali... Era hora de voltar ao banheiro... Era como um mergulho em um mar gelado e uma forte sensação, um ofuror se quando retorna a superfície. Respirava como se houvesse perdido todo o ar e depois recuperado. Uma dose única de sobrevivência,... Pegou os remédios que estavam dentro da gaveta da cômoda e jogou todos no vaso, deu a descarga. ‘’ Roberto vai ficar orgulhoso’’. Voltou novamente ao banheiro, tomou o cuidado para que não ficasse nenhum vestígio, olhou ao seu redor, pelo Box do banheiro. Percebeu que o ‘’gato’’ ainda não tinha voltado. ‘Onde estará ele?’’ Questionava-se. ‘’Talvez, esteja confuso... Muito tempo sem conversar com ele’’ Pegou a chave que estava em sua bolsa, sentiu-se com vigor para poder sair, até pensou em comprar um bolo para Roberto, ‘Sim, bolo de café’’, Era o preferido dele. Ao abrir a porta do apartamento avistou de relance alguém entrando no elevador, correu , e fez um gesto para que segurasse a porta. - Obrigada- disse - Por nada! Era uma menina, não aparentava ter mais de vinte anos, tinha o cabelo azul até a altura do ombro, tatuagens pelo braço e um piercing no nariz. Olhava da cabeça aos pés, a menina retribuiu o olhar. Uma tatuagem lhe chamou a atenção. No seu seio esquerdo, um pequeno desenho de uma arvore, tamanho de uma unha. -Doeu? - Não. Foi a que mais gostei. - Legal. Tenho v*****e de fazer também - Faz sim. Mas é um vicio, tome cuidado- disse sorridente- Eu tenho vinte e sete tatuagens pelo corpo. - Nossa! Mas requer bastante coragem não é? - Sim, mas nenhuma delas eu me arrependo. Todas têm algum significado. Essa aqui, por exemplo. – apontando para os s***s – È a primeira árvore que plantei, quando era criança. - Que fofo! - E essa- abaixou a calça até a altura do p***s- È o primeiro desenho que fiz na escola. O desenho era um formato de baleia não muito regular, realmente aparentava ser um desenho de criança. Lucia estava achando fantástico aquilo. - Bom, vou ficar por aqui- Terminou a garota- Se ainda tiver interesse na tauagem depois de passo o endereço do meu tatuador. Eu moro no décimo segundo andar. Ela sorriu para Lucia. Ela reparou que havia outro piercing na gengiva. “Onde mais ela deve ter piercing?’’.A garota saindo ela ainda conseguiu perguntar - Qual seu nome? - Bruna- Ela gritou de longe. De volta ao apartamento, com o bolo em mãos , saiu logo a procura de Roberto, olhou no quarto e na cozinha. Não estava. ‘’ Que estranho’’. Já era hora de ele chegar’’Ouviu um estrondoso barulho no banheiro, foi verificar . O vaso de vidro que havia no banheiro estava jogado no chão. Viu um rápido vulto, seu leve e doce caminhar por entre os destroços, indicava que era ele , o gato -colorido havia voltado. - Nossa!Que bom que apareceu! Senti sua falta! -Você precisa de mais espaço nesse banheiro! Humana! Disse ele com a fala mansa e l******o lentamente suas patas felpuda colorida com as cores do arco iris -Estou preocupada-ela senta por sobre a pia -Com o que? -Com Roberto. Ele não chegou até agora. -Normal... -disse o gato -Por que? -Não o percebe? . Não e difícil notar. Ele está tão distante de você... -Ele trabalha muito ... -Não seja tão dispersa! Não vês que já e tarde da noite? Ele por acaso te ligou? Te avisou que iria demorar? -Não. .Não me falou nada- respondia ela com ar cheia de dúvidas -Então...Os próprios fatos falam por si... -Devo procurar algo?Telefone? Agenda? Ela perguntava -Não se procura o que está a sua frente. -disse o gato bocejando e entrelaçando as garras por sobre a toalha. -o melhor a fazer agora e esperar. Se esta oculto será revelado. -Bom. Vou esperar mais um pouco. As vezes está preso ao trânsito. -E a menina? Perguntou o gato. - Que menina? -A do elevador,Cabelo azul... - Como sabes dela? -Eu sei de tudo. Só não sei o porque de você ainda estar casada com ele .Como e mesmo o nome dele? -Roberto... -Isso. Deveria dar um sumiço nele. -Não diga tolices. Repito. Deves dar um" fim" nele. -Deveria dar um fim em você. Olha o que fez.apontava ela para o vaso em estilhaços no chão. - Não vais conseguir. Já tentou várias vezes. Acho que deves assumir a minha existência. Sou seu conselheiro. -o gato agora se aproximava do espelho olhava seu reflexo e o encarava como se fosse atacá-lo. - ₢ontinuou - Deveria chamar essa garota para sair... -O que? Não sou lésbica. -Mas sente d****o por ela? -Não vou responder isso a você. E além do mais, Roberto deve estar para chegar. Acho melhor ir embora. Amanhã nos falamos. -Como queira. -Mas... Acho que deves experimentar novas experiências Lúcia andava de um lado para o outro pela sala de estar. Nada de Roberto. O tédio estava voltando. Foi até o quarto. Pensou em procurar mais pedrinhas brilhantes. Mas desistiu, pensou que seria arriscado demais. "Roberto deve estar chegando"-pensava. Foi ao quarto, vasculhou as coisas do Roberto, abriu a gaveta dele, não sabia exatamente o que estava a procurar mas as palavras do gato-colorido não saiam de sua cabeça... Não e possível, n******e ser...Ele me ama...``- fechou a porta da gaveta batendo com força. As duvidas continuavam a pairar sobre sua mente. Deu meia – volta, Abriu novamente a gaveta, voltou a procurar .Encontrou uma agenda, de cor n***a , capa de couro, `` ele deve ter esquecido`` - pensou. Ao colocar novamente a agenda onde a tinha retirado, percebeu que havia um papel que estava entre as folhas havia caído ao chão. Abriu o papel amassado era um recibo, referente a uma conta de motel com datado da noite anterior. Colocou novamente o papel dentro da agenda onde a mesma se encontrava e fechou a gaveta. Acendeu um cigarro, foi até a janela. Abriu.Sentiu um frescor em sua face. Podia sentir o odor da chuva que caia do céu. Sentiu v*****e de se despir, e sentir aquele frescor por seu corpo. Queria sentir algo gelado em sua pele, suas pernas seus braços, sua boca, sua p***s. Sobreveio- lhe a v*****e de ver novamente aquela tatuagem de baleia... Aquele cabelo azul... Pegou o elevador desceu no andar de baixo. Apertou a campainha. Ela atendeu. Fazia dois meses que as duas mantinham um caso, sempre que Roberto saia, Lucia fazia a mesma rotina, passava as tardes com ela e a noite subia para preparar o jantar. ... - Está indo ao Doutor Welder?- Perguntou Roberto. - Sim. - Eu liguei para o doutor hoje, ele disse que tem um mês que você não vai... - Amor! Estive pensando... Acho que estamos gastando muito dinheiro com esse médico. E ele nem é tão bom assim... - Sério? Agora que você que está pensando nisso? Depois de seis meses de consultas? Só pode estar brincando! - dizia Roberto irritado. - Eu sei..., È que... Bem... Acho que deveríamos guardar esse dinheiro, para fazer uma viagem, sei lá. Vamos a Paris?Não sente saudades? Tanto tempo que não vamos, já estou sentindo falta de Miriá... - O que? Fomos ano passado. Esqueceu?Além disso, Miriá está vindo ao Brasil para cuidar do pai que está doente. - Andou conversando com ela? - Claro, ela é minha prima. Conversamos muito. Você sabe disso. Lucia se levantou da mesa rapidamente e foi recolhendo a mesa de jantar rapidamente parecia incomodada.... Sobre a luz do final da tarde Lucia admirava o corpo voluptuoso de Bruna, aquele corpo deitado nu era o que ela queria, Eros, p***s, aureola, ela era tóxica para ela Lucia estava viciada naquele encanto. Apesar da paixão secreta que sentia, Bruna parecia desdenhar seu amor, sentia que era apenas uma curtição de finais de tarde. Pensara em fugir, desaparecer com ela, para sempre. Perto dela sentia-se lúcida novamente, mas sua lucidez durava pouco já estava entardecendo era chegada hora de se despedir. Ela se aproximou e beijou-lhe a face sua boca e foi descendo lentamente até a sua barriga sua língua se deliciava com aquele corpo adocicado pelo perfume, escutava Bruna já ofegante sussurrando ardentemente pedindo mais e com impulso gemia o nome dela, em uma explosão de prazer.Naquela frenética pressão, de repente Ouviu-se um ruído de alguém batendo na porta, com ímpeto, Lucia e Bruna e recompunham-se. - Quem será?- Perguntou Lucia. Do outro lado da porta alguém gritava: - È a ultima vez que lhe intimo sua v***a! Pague o aluguel, ou amanhã estará no olho da rua. Era o dono do apartamento, Bruna contou que devia mais de três meses de aluguel, e sentia intimidada por ele, que a incomodava dia e noite. - Vou matá-lo! - Está louca?! Quer ser presa?! - Ele não me deixa em paz, dia e noite me atormenta... Além disso... Não tenho o dinheiro para pagar e nem para onde ir. - Não seja por isso Bruna, darei um jeito. Eu peço o dinheiro a Roberto, ou até você pode ficar no meu apartamento enquanto isso. - Não, não quero incomodar vocês... - Não vai. Eu vou resolver isso. Fique calma. E deu-lhe o mais doce dos beijos. ... No espelho do banheiro Lucia penteava seus cabelos longos e encaracolados conseguia ver alguns fios de cabelos brancos, nascendo no alto de sua cabeça, um farol aceso, uma luz de velhice, deu um sorriso, gostava de ver aquilo, sentia que as coisas haviam melhorado conseguia dormir melhor a noite, estava tão contente que m*l notou que o gato colorido estava sentado atrás dela,sereno, habitual, sempre l******o seus pelos coloridos de arco iris : - Olá!- Vejo que parece bem melhor! Como estão indo as coisas? - Estou bem. E você? Tem estado ausente... - Há muitas coisas a se fazer, caçar ratos é uma delas. - Estou preocupada com Bruna. Ela está para ser despejada, não tem para onde ir. - Preocupada? Não deverias estar preocupada com o problema dos outros. Não basta os seus? - Você mesmo disse que ela seria boa para mim. - Ela ser boa para você, não significa que você tenha que resolver os problemas dela. - Eu a amo, e não posso deixá-la a mercê de perder o apartamento e ir para a rua. - Não se preocupe, ela sobreviverá a um simples despejo. - Você às vezes é c***l. - Como a vida, Não? - Seja o que for, não a deixarei em perigo, vou ajudá-la. - Acho que devias se preocupar com outras coisas -Como o que? Por exemplo? ... Fazia dias que não a via, não atendia aos seus telefonemas, não havia encontrado em seu apartamento deixou recados e cartas, mas nenhum sinal dela. ‘’Onde será que se meteu?”O que será que aconteceu? Lucia andava preocupada sem saber de seu paradeiro. Voltou a sentir insônias, e aquele intimo d****o de abandonar tudo, que há tempo não sentia. De volta ao abismo profundo Recebeu em uma tarde qualquer um bilhete embaixo de sua porta, e embaixo assinado por Bruna: Preciso falar com você! Encontre-me no meu Ap. PS: Eu o matei! Bruna. Ela vai ao décimo segundo andar. Verifica que a porta não está trancada. Olha para o lado. Não vê ninguém. - Bruna!- chama ela. Ninguém responde. Caminha até a sala, e a encontra sentada no sofá. -Porque demorou? Já estava aflita... – Respondia Bruna levantando-se efusivamente. -Onde esteve? Ficou louca? Que bilhete era aquele? Ela apenas aponta para o chão em direção ao cadáver. La estava o dono do apartamento, sem vida, sua face levemente azulada, uma corda enforcava seu colo. Sentiu náuseas daquilo. O que vai fazer agora?- pergunta Lucia desesperada - Temos que esconder o corpo... - Respondia Bruna acendendo um cigarro. -Como esconder o corpo? Meu Deus! Não percebe que pode ir presa? -Ele me ameaçou. O que queria que eu fizesse? Estava com medo... Ele veio cobrar o aluguel, percebi que ia sacar algo do seu paletó. Não pensei duas vezes, esperei pelo pior, quando ele se distraiu, peguei essa corda e o enforquei. -Bom, vamos manter a calma. Talvez, com sorte, podemos alegar legitima defesa. Fique aí. Vou ver se acho um saco plástico para desovarmos esse corpo. Lucia esperava o elevador. Estava atordoada com a situação. Internamente debatia-se o conflito, entre ajudar Bruna a fugir, ou denunciá-la a polícia. Sabia que ela estava errada, era uma assassina e devia pagar pelo crime que cometeu. Porém,a amava, e o amor que sentia por ela era capaz de acobertá-la de um crime. Entretanto, não sabia de seu futuro em diante , viver em um cárcere isolado do mundo, com ela, parecia uma ideia não tão r**m. Talvez assim não conseguisse ouvir as agruras de seu coração Foi ao banheiro jogar uma água no rosto. - Temo que não consiga escapar dessa... -Que susto! Gato!- gritou ela ao avistar o gato colorido -O que vais fazer com o corpo? Jogar em qualquer terreno baldio?- dizia o gato sempre l******o vagarosamente os pelos de seu corpo -Não tenho tempo para explicar-lhe nada.-Continuava- Tenho que ajudá-la! -Perfeito! E depois? Quem irá te ajudar? Lucia não quis ouvir mais nada. Deu de ombros e saiu. Apertava o botão do elevador constantemente, como se assim fizesse com que ele chegasse mais rápido. -m***a!-Repetia consigo - Parar em todos os andares justo agora? . Ela não chegaria mais rápido mesmo que se o desejasse com todas as forças. ``As coisas nunca funcionam de acordo com o nosso querer``- pensou. O elevador chegou, Lucia passou os dedos pelo botão do andar de Bruna, assim como todos os outros botões sequenciais do elevador. Seu indicador a levou a apertar o botão da portaria. Estava confusa. Era isso mesmo que queria? Não dava mais tempo, já estava chegando ao primeiro andar. A porta se abriu, avistou o enorme corredor que findava pela bancada da recepção. Lucia caminhava lentamente como se fosse para o martírio. Parou na direção do porteiro e ficou encarando por alguns segundos. -Bom dia! Dona Lucia! Que bom que veio. Eu tenho uma encomenda para você. O porteiro retirou uma grande caixa de papelão e entregou a ela. Estava toda lacrada, em cima, um adesivo colado indicando o endereço e o nome de Lucia. Deixou a caixa ao lado do balcão e disse ao porteiro timidamente: -Tenho uma coisa para falar a você. ... Em particular... -Claro, Dona Lúcia! Ele saiu de trás do balcão e a guiou até os fins do saguão. Lucia olhava constantemente para trás e para os lados como se estivesse com medo de algo. -O que posso lhe ajudar? - È... Eu quero que entenda... Ela não fez por m*l, ela estava confusa e solitária... Mas ela... Ela e uma pessoa boa... Eu posso afirmar... E tem o Gato Colorido... Eu sabia que ele tinha razão. Por isso estou aqui e... - Calma! Calma! Você parece bem nervosa, Dona. Vamos por partes. Você está falando de quem? - A menina do 1210! Sim! É ela! A do cabelo azul. Piercings e tatuagens. Ela assassinou o dono do apartamento, ela disse que ele a estava ameaçando se ela não pagasse o aluguel, ele a mataria. O cadáver está lá. Jogado na sala e... Lucia olhava para o porteiro que ouvindo atentamente, o seu rosto deixava transparecer que tinha algo errado ali, e se deu conta de que estava sendo incompreensível para ele. -De qual andar você disse que ela é? -Perguntou abismado. -1210. O porteiro tirou a boina que cobria sua a cabeça, e coçou. -Senhora ... Lamento te informar, mas esse andar não está sendo ocupado por ninguém tem uns dois anos... -Como assim? Eu estive lá! Tenho certeza! Foi ela! Tem um cadáver lá! Você precisa ir lá! O porteiro tentou acalmá-la colocando-a sentada um sofá da recepção. -Aguarde aqui. Vou ver se o faxineiro consegue ir lá para mim. Só um momento. Ele chamou um senhor que estava limpando o chão e cochichou em seus ouvidos. O homem prontamente deixou a vassoura em um canto e foi até o elevador. Após alguns momentos de espera, Lucia avista o faxineiro saindo do elevador. Diz algo ao porteiro e este vem na sua direção. -Dona ...- Tirava mais uma vez a boina da cabeça. -Diga! Acharam o corpo? -Bom... Era o que eu disse... Não há ninguém morando naquele apartamento. Isso já tem uns dois anos. O dono até colocou a venda... Lucia olhava incrédula para ele, percebeu os olhares das outras pessoas na recepção sobre ela. Estava louca? -E a menina do cabelo azul? Tatuagens, piercings? -Bom, pelo que eu saiba ninguém nunca viu ninguém com essas feições por aqui e nem esse nome consta no cadastro de moradores do prédio... -Mas tem um cadáver lá? O porteiro faz uma breve pausa segura as mãos de Lucia e senta ao lado dela na cadeira da Recepção e responde : - Encontramos um cadáver, já contatamos a policia,...Lucia... O seu marido , Roberto, foi encontrado morto, e há uma faca enterrada em seu peito.. -Roberto.... -Lamentou Lucia.
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