Eu fiquei o tempo todo dentro do carro, parado em frente ao prédio da emissora, com o motor desligado e o coração batendo tão alto que parecia ecoar no painel. O relógio do painel marcava 20h57. Giulia estava lá dentro, a poucos metros de mim, prestes a se expor diante de milhões de pessoas. Eu deveria estar tranquilo, afinal, ela era a vítima. A mulher que sobreviveu a tudo, que tinha o direito de falar. Mas, em vez disso, eu me sentia como se estivesse prestes a entrar em campo de batalha. Acompanhei tudo pelo celular, com o som ligado no viva-voz. O sinal da transmissão começou com a vinheta do Jornal da Noite. O apresentador anunciou o nome dela com aquela entonação fria de quem transforma dor em audiência: “Giulia, a mulher no centro do escândalo com o ex-padre Renato.” Ouvir meu

