A Vingança da Egenheira dos 5 Alfas
CAPÍTULO 1: O RETORNO
O corredor da Kingstone Construções cheirava a vidro caro e poder.
Meus saltos batiam firmes no mármore. Capacete laranja na mão, pasta com as plantas debaixo do braço.
A porta de aço da sala de reunião se abriu sem aviso.
Eles entraram.
Os 5 herdeiros Kingstone.
Altos. Ternos sob medida. E um silêncio que pesava mais que concreto.
Meu coração parou por um segundo. Oito anos.
Mas meu rosto não moveu um músculo.
Levantei da cadeira. Capacete na cabeça agora. Planilhas espalhadas na mesa como armas.
— Bom dia, senhores. Sou Lana Reeves, a nova engenheira responsável pela Torre Kingstone 3.
A voz dele era gelo.
— Bom dia, Sra. Reeves. — disse Damian.
O sorriso dele não alcançava os olhos.
— Ouvimos falar muito da senhora. E dos seus “magníficos” trabalhos. — Luca frisou “magníficos” como se fosse um insulto.
Estendi a mão. Primeiro para Damian.
A mão dele era fria. O aperto foi forte. De propósito.
Depois Luca. Ethan. Mason. Noah.
Os cinco me olhavam. Frio. Calculista. Como se estivessem avaliando uma rachadura na fundação.
Eles não me reconheceram.
Ainda.
Damian largou minha mão e apontou para a planta na mesa.
— Sra. Reeves… esse projeto vai demolir o prédio mais antigo da família.
Levantei o queixo.
— Exatamente, Sr. Kingstone. É por isso que estou aqui.
A voz dele cortou o ar.
— A senhora sabe com o que está lidando, Sra. Reeves? — Ethan perguntou.
Sorri. Irônico. Frio. Meus olhos não piscaram.
— Se o senhor acha que eu não mereço trabalhar no seu edifício… então chamem outra pessoa.
Ele bateu a caneta na mesa.
— Você está insinuando que não sabemos o que é melhor pra nós? — Mason questionou.
Cruzei os braços. Capacete na mão.
— Eu não disse isso. Só disse que eu sou a melhor opção para fazer esse trabalho. E dados não mentem.
Empurrou os óculos. Voz baixa, perigosa.
— E o que nos garante que a senhora tem competência? — Noah quis saber.
Peguei a pasta e bati na mesa.
— É só ver o meu currículo e o meu histórico. — Fiz uma pausa. Peguei as planilhas. — Mas vejo que não precisam de mim.
Virei e fui até a porta. Mão na maçaneta.
A voz dele me travou no lugar. Fria. Final.
— Sra. Reeves. — Damian falou.
Parei. Não me virei.
— Nós confiamos no seu trabalho. Você é a melhor opção para o nosso edifício. — Pausa. — Então… considera-se contratada.
Virei devagar.
Os 5 alfas me encaravam. Como se estivessem avaliando uma rachadura na parede desde o primeiro segundo.
Ele se aproximou. Um metro de distância.
— Espero que o seu trabalho seja tão bom quanto a sua ousadia. — disse Damian.
A tarde inteira se foi discutindo vigas, concreto e números.
Seis pessoas. Uma mesa. E uma guerra silenciosa.
Quando percebi, a noite já tinha engolido os vidros da Kingstone.
Parada dentro do elevador. Mão no cilindro frio da pasta preta.
A porta estava quase fechando quando um sapato italiano preto a impediu.
As portas abriram de novo.
Os 5 Alfas entraram.
Enrijeci. O ar ficou pesado. Cheiro de perfume caro e poder.
As portas se fecharam. _Ding_.
— Que coincidência, Sra. Reeves. — Noah ajustou os óculos.
— Coincidências não determinam fatos, Sr. Kingstone. Erros de cálculo, sim.
Ele riu baixo.
— Você é muito direta. Até demais. — Mason disse
— Eu sou franca e objetiva. Tempo é dinheiro.
Sorriso de canto.
— Você é muito atrevida. — Luca provocou.
— Se o senhor acha que responder sem medo é atrevimento… — Olhei ele de cima a baixo. — …então o senhor está equivocado.
O elevador balançou.
Um segundo.
Dois segundos.
O mundo caiu.
Perdi o equilíbrio e caí para frente. Direto nos braços de Damian.
Forte. Frio. E cheirando a ameaça.
Nos encaramos a centímetros de distância.
_Click_.
A luz apagou.
Escuridão total.
A voz dele veio perto do meu ouvido. Com um sorriso na voz.
— Acho… que estamos presos.
Meu coração deu um soco no peito.
Oito anos. E era a primeira vez que ele tocava em mim desde aquela noite.