POV Ariana
Sinto o ar ao meu redor mudar no instante em que a pergunta é feita.
— Acha que vai ser um desafio contracenar com Ariana sendo Rose Hathaway?
Meu coração dispara, mas mantenho a expressão neutra. Tento não reagir, mas é impossível não sentir o peso das palavras.
Danila solta um riso baixo e ajusta o microfone antes de responder.
— Desafio? — Ele repete, pensativo, olhando diretamente para o jornalista. — Acredito que atuar ao lado de qualquer pessoa exige adaptação e química. Mas, depois de tudo que vi nos ensaios e na forma como Ariana se dedica ao papel, não diria que será um desafio. Pelo contrário… Acho que vai ser uma experiência intensa.
Se antes meu coração batia rápido, agora está prestes a saltar do peito.
Danila me lança um olhar de canto, e há algo ali. Uma mistura de provocação e sinceridade que me deixa inquieta.
— E química entre vocês dois? Como está sendo desenvolver isso? — outro jornalista insiste.
Droga.
Danila sorri, como se esperasse essa pergunta.
— Bom… — Ele inclina a cabeça levemente, pensativo. — Acho que isso vocês poderão ver por si mesmos quando assistirem ao filme.
Os jornalistas riem com a resposta evasiva, e eu aproveito para desviar minha atenção para Richelle, que parece se divertir com toda a situação.
Tento ignorar o calor que sobe pelo meu rosto e a forma como meu corpo reage à presença dele.
Danila sabe exatamente o que está fazendo.
E isso me assusta.
Tento manter a compostura, mas sei que meu nervosismo está visível. As perguntas, os olhares atentos, e, principalmente, a maneira como Danila responde… Tudo isso me deixa inquieta.
Então, sinto.
Um toque firme, quente, seguro.
Danila segura minha mão por baixo da mesa, longe dos olhares curiosos.
Minha respiração vacila por um segundo. Olho para ele, mas ele mantém a expressão tranquila, focado na coletiva, como se nada estivesse acontecendo.
A pressão de seus dedos sobre os meus é sutil, mas presente. Não é apenas um gesto de conforto, é algo mais. Um lembrete de que ele está ali.
Tento ignorar o frio na barriga, mas meus dedos se movem levemente, quase sem querer, se entrelaçando aos dele por um instante.
Ele percebe e, discretamente, aperta minha mão de leve antes de soltá-la, me deixando com uma estranha sensação de vazio.
Volto minha atenção à coletiva, tentando não demonstrar nada.
...
Assim que a coletiva termina, solto um longo suspiro de alívio. Foi intensa, e meu coração ainda bate acelerado pelo que aconteceu.
Voltamos para o set em silêncio, cada um imerso em seus próprios pensamentos. Richelle caminha animada ao nosso lado, comentando como a repercussão tem sido positiva. Lucas está ao telefone, provavelmente lidando com a imprensa.
Danila, por outro lado, está calado.
Uma parte de mim quer perguntar o que ele está pensando, mas hesito. Não quero abrir espaço para um assunto que me deixa vulnerável.
Quando chegamos ao set, a equipe já está preparando o cenário para a próxima cena. Respiro fundo, focando no trabalho.
— Ariana, vamos rever o roteiro antes da gravação? — um dos assistentes pergunta.
— Sim, claro.
Danila me lança um olhar antes de se afastar para o camarim.
No entanto, eu o ignoro e presto atenção no que estou fazendo.
O clima no set mudou completamente após a coletiva.
Os paparazzi começaram a aparecer ao redor, mantendo uma distância respeitável, mas com as câmeras sempre ligadas, prontos para capturar qualquer momento. Não importa o que estejamos fazendo — seja uma pausa para o café ou uma simples troca de olhares — eles estão lá, aguardando.
Eu tento focar no trabalho, mas é difícil ignorar a pressão que paira sobre nós. Cada movimento, cada palavra parece estar sendo analisada, e isso aumenta a tensão no ar.
...
— Acho que não vamos conseguir escapar deles tão facilmente agora. — Danila comenta, se aproximando enquanto me vê observando os paparazzi do canto dos olhos. Sua voz baixa, mas ele sorri como se isso fosse uma novidade.
Olho para ele, tentando desviar os pensamentos para algo mais produtivo.
— Preciso me acostumar... — Respondo, tentando soar tranquila.
Ele levanta uma sobrancelha, claramente não convencido.
— Você está bem? — Danila pergunta, sua voz suave, mas carregada de uma preocupação sutil.
Isso me pega de surpresa, e por um momento fico sem saber o que responder. A tensão dos paparazzi, as câmeras, o peso do olhar deles… E, é claro, o fato de estarmos em um momento tão íntimo, mais uma vez, em um set cheio de pessoas.
— Estou bem. — Repito, como se eu mesma estivesse tentando me convencer.
Mas o olhar de Danila não passa despercebido. Ele parece perceber que há algo mais por trás das minhas palavras, mas não diz nada. Apenas se mantém perto de mim, talvez por uma questão de conforto ou p******o — não sei.
Os paparazzi, de longe, não parecem disfarçar o fato de estarem atentos a cada interação nossa. E essa vigilância constante me incomoda.
Mas eu não posso parar. O trabalho tem que seguir, independentemente de tudo.
Ainda sinto o olhar de Danila sobre mim quando Mark se aproxima. Ele parece animado, com a expectativa de continuar o treino de luta.
— Ariana, está pronta para mais uma sessão? — ele pergunta, com um sorriso tranquilo no rosto.
Eu respiro fundo, tentando não demonstrar o nervosismo que se instala por dentro. A ideia de treinar de novo, com a pressão dos paparazzi, me deixa um pouco desconfortável, mas sei que é necessário.
Olho para Danila, que ainda está ali, observando. Ele não diz nada, mas o silêncio entre nós fala mais do que qualquer palavra poderia.
— Sim, vamos começar. — respondo, tentando manter a postura profissional.
Mark parece perceber a tensão, mas não diz nada sobre isso. Apenas se move para me orientar na próxima técnica. Danila, por sua vez, não sai de perto, ainda presente no local, mas mantendo uma distância respeitosa.
A sessão de treino começa e, embora eu esteja focada no que preciso aprender, a sensação de estar sendo observada pelos paparazzi e pelo próprio Danila é inescapável. Eu me esforço ao máximo para me concentrar, mas algo dentro de mim não consegue deixar de sentir o peso do olhar de Danila.
A cada movimento que faço, sinto o peso da atenção dos dois — Danila e os fotógrafos. Eles estão lá, silenciosos, mas presentes de formas diferentes.
Não consigo evitar. A cada movimento, o som das câmeras clicando me distrai. E Danila, sempre ali, observando tudo com uma atenção que me deixa desconfortável, embora eu não queira admitir.
Eu tento ignorar, mas é mais difícil do que parece. Tento focar no movimento, nas instruções de Mark, mas, no instante em que desvio um pouco o olhar, ele se aproveita da minha distração.
— Ariana, atenção! — Mark grita, mas já é tarde demais.
Ele realiza um movimento rápido e, sem querer, acerta meu rosto com um golpe leve, mas ainda assim doloroso.
Eu fico paralisada por um segundo, a dor momentânea me surpreendendo.
— Aí! — consigo murmurar, tocando meu rosto. A dor não é intensa, mas me sinto estúpida por ter deixado isso acontecer.
Mark se aproxima imediatamente, com um olhar arrependido.
— Desculpa, Ariana. Eu não queria... — ele diz, preocupado.
Eu forço um sorriso, tentando minimizar a situação.
— Tudo bem, Mark. Eu que... — Antes que eu possa completar a frase. Danila também se aproxima, seu olhar é de preocupação.
Sem hesitar, ele estende sua mãos até meu rosto na intenção de ver o que aconteceu.
— Você está bem?
Me afasto de seu toque, me sentindo meio i****a por ter deixado isso acontecer.
— Estou. - Afirmo — Vamos voltar ao... — Tento falar a Mark, mas sou interrompida.
— Melhor não. — Danila diz — Melhor continuar isso outro dia...
O encaro surpresa com suas palavras, mas resolvo não discutir. Após soltar um longo suspiro, decido sair do local deixando os dois sozinhos.