Capítulo 11

1162 Words
POV Ariana Fecho os olhos por um segundo e respiro fundo. Está decidido. Se eu quero que esse filme seja um sucesso, preciso assumir isso por completo. E essa repercussão… é exatamente o que precisamos. Abro os olhos e encaro Lucas. — Marque a coletiva de imprensa. — Digo com firmeza. — Se já estão especulando, vamos dar a eles a resposta que querem da melhor maneira possível. Lucas sorri, satisfeito com a minha decisão. — Vou resolver isso agora mesmo. — Ele diz, pegando o celular e se afastando. Sinto Danila se aproximar, seu olhar carregado de algo que não consigo decifrar completamente. — Então é oficial? — Ele pergunta, seu tom suave, mas curioso. Levanto o queixo e encaro diretamente nos olhos dele. — Sim. Eu sou a Rose Hathaway. Ele sorri, aquele sorriso confiante e cheio de orgulho que me faz sentir um calor inesperado no peito. — Eu sabia. — Ele murmura. Reviro os olhos, cruzando os braços. — Não se ache demais. Ele ri baixo, mas não responde. Apenas me observa, como se estivesse tentando memorizar esse momento. A coletiva será um grande passo. Eu não sei o que me espera depois disso, mas uma coisa é certa: não há mais volta. O mundo todo está prestes a saber que Academia de Vampiros está de volta. E, dessa vez, será inesquecível. POV Danila A coletiva de imprensa está marcada. Hoje é o dia em que o mundo finalmente saberá que Academia de Vampiros está voltando, e que Ariana é a nova Rose Hathaway. No caminho até o local, sentado ao lado dela na limusine, tento manter a expressão neutra. Mas é quase impossível não notar como ela está deslumbrante. Ariana veste um conjunto elegante, mas com aquele toque de ousadia que combina perfeitamente com a personagem. Seu cabelo cai em ondas suaves e, mesmo tentando parecer calma, posso notar a tensão em seus olhos. Ela está nervosa. Richelle, sentada ao outro lado, fala animadamente sobre a importância desse momento para os fãs. Mas minha atenção está dividida. Quando chegamos ao local, os flashes das câmeras começam a disparar antes mesmo de sairmos do carro. O burburinho aumenta, jornalistas de vários veículos estão à nossa espera. Desço primeiro e, em seguida, ofereço minha mão para Ariana. Ela hesita por uma fração de segundos antes de segurá-la e sair do carro. E então acontece. Os olhares. As pessoas nos observam de maneira diferente. Algumas trocam sorrisos discretos, outras cochicham algo entre si. Não é só sobre o filme. Eles estão vendo algo mais. A forma como instintivamente permaneço ao lado dela, como nossos corpos parecem se alinhar sem esforço, como a minha mão demora um pouco mais do que o necessário para soltá-la. Preciso me recompor. Solto sua mão e ajeito a jaqueta, desviando o olhar como se nada tivesse acontecido. Ariana parece não perceber de imediato, focada no que está por vir. Mas quando subimos ao palco e nos sentamos para dar início à coletiva, posso sentir alguns olhares se fixando em nós. E não são só os jornalistas. Richelle percebe. Lucas, que está entre a equipe organizadora, também. E quando cruzo o olhar com um dos nossos produtores, ele apenas sorri de lado, como se soubesse de algo que eu mesmo ainda estou tentando ignorar. O problema é que, por mais que eu tente esconder… talvez eu já tenha percebido. Os flashes disparam sem parar, e a coletiva começa com uma energia intensa. Ariana, sentada ao meu lado, responde com confiança as primeiras perguntas dos jornalistas. Seu tom é firme, profissional, mas com um brilho no olhar que deixa claro o quanto esse projeto significa para ela. Eu deveria estar focado na coletiva. E, em parte, estou. Mas, inevitavelmente, meus olhos encontram Ariana de tempos em tempos. Ela fala com paixão sobre a importância de trazer Academia de Vampiros de volta, sobre como acredita no potencial da história e na conexão dos fãs com os personagens. Quando um jornalista pergunta como foi a decisão de interpretar Rose, ela hesita por um segundo antes de sorrir. — No início, eu resisti muito à ideia. Mas, conforme o projeto avançava, percebi que ninguém poderia amar essa personagem tanto quanto eu. Então, decidi aceitar o desafio. Sorrisos e alguns aplausos discretos surgem na plateia. Ela está conquistando a todos, e eu não posso evitar sentir orgulho. Quando Richelle começa a responder as perguntas sobre sua visão para o filme, aproveito para observar Ariana melhor. Não percebo que estou olhando por tempo demais até que nossos olhares se encontram. Ariana franze a testa levemente, confusa, mas logo volta a atenção para Richelle. Eu me forço a desviar o olhar e respiro fundo. Preciso manter o foco. Mas, naquele momento, percebo algo que deveria ser óbvio há muito tempo. Ariana não é apenas a produtora desse filme. Ela é a alma dele. E talvez, apenas talvez… ela esteja começando a ser algo mais para mim também. A coletiva segue com perguntas bem direcionadas. Ariana e Richelle respondem com confiança, e eu apenas acompanho, absorvendo o momento. No entanto, uma nova pergunta me faz despertar completamente. — Danila, como é para você voltar a interpretar Dimitri Belikov depois de tantos anos? Os olhos de todos se voltam para mim, e por um breve instante, hesito. Voltar a esse papel não foi uma decisão fácil. Desde o primeiro filme, minha carreira seguiu outros caminhos. Mas agora, sentado aqui, ao lado de Richelle e Ariana, percebo que nunca me desliguei completamente desse personagem. Sorrio, ajustando o microfone antes de responder. — É uma sensação única. Quando interpretei Dimitri pela primeira vez, eu o via como um personagem forte, reservado, mas com um coração leal. Agora, anos depois, eu o enxergo com mais profundidade. Há nuances que antes eu não compreendia completamente, e acho que isso vai refletir na minha atuação. Algumas pessoas anotam minhas palavras, enquanto outras simplesmente me observam atentamente. — E devo dizer que essa nova adaptação tem algo especial. Há mais paixão e cuidado no projeto. E muito disso vem da pessoa que está tornando tudo isso possível. Instintivamente, olho para Ariana. Ela parece surpresa com a menção, mas mantém a compostura. No entanto, a maneira como seus lábios se entreabrem levemente e como seus olhos brilham por um instante me dizem que ela sentiu o peso das minhas palavras. O jornalista percebe a troca de olhares e aproveita o momento. — Falando nisso, Danila, como tem sido trabalhar com Ariana nesse projeto? Eu deveria ter previsto essa. Sorrio de canto e olho novamente para ela antes de responder. — Desafiador… e inspirador. Ariana não só entende a essência da história, mas também tem uma paixão contagiante pelo que faz. Trabalhar com ela tem sido uma experiência única. Ariana abaixa ligeiramente o olhar, como se estivesse processando minhas palavras. A coletiva continua, mas a tensão entre nós fica no ar. E, pela primeira vez, percebo que não sou o único sentindo isso.
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