Malagutti sentou-se, sentindo o peso de uma revelação que, no fundo, sempre temera. As palavras de Ricardo ainda ecoavam em sua mente como um trovão que nunca se dissipava. Cristiano matou a sua sobrinha. A frase parecia corroer a sua alma, transformando cada lembrança feliz da menina em uma ferida aberta e pulsante. Por mais que ele suspeitasse daquilo, ouvir da boca de outra pessoa tornava toda a situação mais real do que o seu coração partido poderia aguentar naquele momento. Ele apertou as mãos sobre o rosto, sentindo os dedos tremerem. O coração martelava contra o peito, não por medo, mas por uma revolta silenciosa que crescia a cada segundo. Durante anos, tentara aceitar a perda. Dissera a si mesmo que era apenas um acidente, uma fatalidade que poderia ser evitada se Cristiano fos

