Capítulo 1
Na escuridão de um mundo asfixiado por conflitos de uma iminente Terceira Guerra Mundial, um grupo de cientistas financiado pelo alto escalão do governo uniu-se para criar a arma definitiva: super-soldados geneticamente modificados. O objetivo era claro: eliminar alvos estratégicos sem deixar rastros. O experimento foi um sucesso brutal. Cada cobaia respondia com perfeição, mas uma delas se sobressaía. Ela possuía uma inteligência fria, força desproporcional e uma capacidade de adaptação que beirava o impossível. Ela não era apenas uma arma; era uma força da natureza. Seu codinome: Projeto Katana.
Distrito de Colingan – 20 de abril de 2025, 10:37 da manhã.
O som estridente do despertador perfurou os sonhos de James como uma agulha. Ele tateou a mesa de cabeceira, derrubando alguns objetos até silenciar o aparelho. A claridade que entrava pelas frestas da janela parecia queimar suas retinas.
— Ah, minha cabeça... não acredito que já amanheceu — resmungou, sentindo o gosto amargo da ressaca. — Acho que exagerei ontem à noite. Que horas são?
Ele respirou fundo, encarando o teto por alguns segundos. A culpa era sua companheira constante. Beber era a única forma de silenciar os gritos de Jordan, seu irmão mais novo, que ele não fora capaz de salvar.
— Melhor eu tomar um banho, não quero chegar atra... — Ele travou ao focar no relógio. — Ah, não! d***a!
James saltou da cama. Ele era um agente de elite da SION, uma agência secreta especializada em "limpar" as sujeiras do governo. Seriedade era sua marca no trabalho, mas ultimamente, o luto vinha ganhando a luta contra seu profissionalismo.
Pouco depois, James estava preso em um engarrafamento caótico. O volante sofria com seus socos de frustração. Sem saída, pegou o celular e discou para a única pessoa em quem confiava.
— Ei, Ana...
— James? Onde você está? — a voz dela soou baixa, mas urgente. — A chefe vai pedir a sua cabeça se descobrir que você faltou de novo! A reunião está prestes a começar.
— Tive um imprevisto. Pode me cobrir?
— De novo? Você andou bebendo, não foi? — Ana suspirou do outro lado. — Tudo bem, eu dou um jeito. Mas corre! Não quero ser cúmplice da sua demissão.
Dez minutos depois, James estacionou seu esportivo derrapando na garagem da SION. Ele entrou na sala de conferências tentando parecer invisível e deslizou para a cadeira ao lado de Ana.
— Valeu — sussurrou ele. — Perdi muita coisa?
— Por pouco, perdeu o emprego — devolveu ela, sem desviar os olhos da frente.
— Pelo salário que pagam, não seria uma perda tão grande — brincou James, tentando aliviar a tensão.
Na frente da sala, a Dra. Norma German, diretora da agência, iniciou a projeção. Sua postura era rígida como aço.
— Temos missões críticas. Uma delas envolve o desaparecimento de "ativos" de um laboratório militar de alta segurança. O governo solicitou nossa intervenção imediata.
James levantou a mão, a voz ainda meio rouca:
— Se são apenas "experimentos", por que os militares não resolvem? Eles têm homens para isso.
A Dra. Norma o encarou com um olhar gélido.
— Porque esses ativos são de altíssima periculosidade, Agente James. Nossa missão não é apenas recuperar; é garantir que o público jamais saiba que isso existiu.
Ana sentiu um frio na espinha.
— Então estamos lidando com o desconhecido?
— Exatamente. E para isso, terão o apoio da Interpol. Senhorita Ana, Agente James e Agente Neytan — anunciou a diretora. — Vocês foram os escolhidos. Neytan será o líder da equipe. Parabéns.
Um sorriso sarcástico cruzou o rosto da Dra. Norma. Ana arregalou os olhos, o coração disparando. Neytan era o melhor agente da agência, e ela nutria uma admiração — e uma queda secreta — por ele.
— Quando partimos? — perguntou Neytan, com sua habitual frieza.
— Amanhã ao amanhecer. Passaportes e passagens já estão prontos. E James... — ela fixou os olhos nele — tente não se atrasar.
Deserto de Nevada – Noite profunda.
Enquanto os agentes se preparavam, o caos reinava em outra parte do mundo. No Deserto de Nevada, uma equipe de contenção rastreava uma fuga em um laboratório subterrâneo.
— Por aqui! — gritou um soldado, apontando para uma sala de comunicações com as luzes estouradas.
O único brilho vinha das lanternas acopladas aos fuzis, revelando um cenário de pesadelo: paredes pintadas de sangue e corpos de soldados de elite espalhados como bonecos de pano. No centro da sala, uma silhueta feminina permanecia de pé. Suas roupas estavam encharcadas de vermelho. Ela segurava um fuzil com uma naturalidade assustadora.
O silêncio foi quebrado pelo comando desesperado do capitão:
— Atirem! Matem essa coisa!
Foi o último erro que ele cometeu. A mulher não correu; ela desapareceu em um borrão de movimento. Os tiros atingiam apenas o ar. Gritos de dor e o som de ossos quebrando ecoaram no escuro.
O último soldado caiu, sentindo o próprio sangue escorrer. Antes de apagar, ele viu a mulher largar a arma, como se instrumentos humanos fossem desnecessários para ela. Ela caminhou lentamente em direção à saída, em direção ao mundo lá fora, com os olhos brilhando em um tom de ódio que nenhum humano jamais deveria possuir.