O Despertar do Titã

937 Words
CAPÍTULO 7 ​Observando atentamente o movimento dentro da base, James e Neytan adentraram um laboratório de alta segurança. O ar ali era frio, saturado com o cheiro metálico de ozônio e produtos químicos. Nas bancadas, repousavam armas de design agressivo e tecnologia desconhecida. Ao fundo, o que mais os chocou: várias pessoas estavam suspensas em tubos criogênicos de vidro, mergulhadas em um fluido esverdeado. ​— Este lugar é um abatedouro... um local de experimentos com humanos — sussurrou James, sentindo um calafrio. ​— Sim — respondeu Neytan, a voz tensa. — Parece que estão tentando recriar o projeto de super-soldados. Isso me faz pensar que talvez já tenham usado o composto em escala maior. ​O comunicador de James chiou discretamente. Era Ana. ​— Agentes, na escuta? ​— Na escuta, Ana. Algum problema? — respondeu James, mantendo o tom baixo. ​— Um grupo de civis armados e investidores acabou de chegar à base. Katana está com eles e, pelo que vejo nas câmeras térmicas, estão indo diretamente para o laboratório! ​James e Neytan trocaram um olhar rápido. Passos ecoaram no corredor metálico, acompanhados por vozes autoritárias. Sem tempo para sair, os dois se esconderam atrás de armários largos que estocavam recipientes de vidro. Segundos depois, a porta pneumática se abriu. ​— Por aqui, por favor — disse uma voz masculina e grave. Era o Sr. Gordon, o mentor por trás daquele complexo. ​— Sr. Gordon, por gentileza — interrompeu um homem de terno impecável, o Sr. Smith. — Mostre-nos logo o projeto "tão importante" que o senhor disse ter em mãos. Tempo é dinheiro. ​— Com certeza, cavalheiros. ​James travou o maxilar ao ver Katana entrar logo atrás deles. Ela mantinha uma expressão gélida, observando tudo como um predador. Neytan, agindo rápido, sacou uma microcâmera acoplada a uma pistola de ar comprimido e disparou silenciosamente. O dispositivo grudou no alto da parede, transmitindo imagens em tempo real para Ana. ​— Meus cientistas vão mostrar o que este composto é capaz de fazer! — anunciou Gordon com um sorriso sádico. ​Dois cientistas se aproximaram de uma maca onde um soldado parecia estar em um coma induzido. Ao aplicarem o composto diretamente na veia jugular, o efeito foi imediato. O homem arqueou as costas, seus olhos se abriram revelando íris de um vermelho vibrante. Ele começou a se debater violentamente, esbravejando sons que m*l pareciam humanos. Suas veias dilataram como cordas sob a pele e sua musculatura expandiu-se de forma grotesca, rasgando o tecido da farda. ​Com um estalo metálico, ele quebrou as algemas de aço e se levantou. Tinha o dobro da largura de um homem normal. Quase todos recuaram, horrorizados, exceto Katana. ​Gordon apertou um comando em seu tablet. Uma parede lateral se recolheu, revelando uma arena de testes blindada. ​— Vamos lá, soldado. Mostre-nos sua força! — Gordon olhou para a mercenária. — Katana! Teste o produto. ​Ela caminhou para o centro da arena. A disparidade era absurda, mas Katana não recuou um milímetro. ​— Lutem! ​O "monstro" avançou com um soco lateral que teria decapitado uma pessoa comum. Katana deslizou por baixo do golpe, rápida como uma serpente, e desferiu um chute potente na parte posterior do joelho da criatura. O gigante dobrou o peso, e ela o recebeu com uma cotovelada devastadora no abdômen. ​Os agentes, escondidos, ficaram impressionados. A força dela era sobre-humana. Gordon, porém, fez um sinal para o cientista chefe: ​— Aumente a dosagem. Agora. ​Um dispositivo no pescoço do soldado injetou mais soro. O homem rugiu, crescendo ainda mais, e sua velocidade dobrou. Ele agarrou o chute de Katana no ar e a arremessou contra a parede reforçada. O impacto fez o vidro dos armários onde os agentes estavam escondidos vibrar perigosamente. ​Katana se levantou, limpando o sangue do canto da boca. A luta seguiu por minutos brutais, uma dança entre técnica pura e força bruta irracional. Quando o soldado finalmente a ergueu pelo pescoço, sufocando-a, Katana começou a forçar a a******a das mãos gigantescas com uma força que desafiava a lógica. ​— Já é o suficiente! — ordenou Gordon, satisfeito. — E então, senhores? Não é o soldado perfeito? ​O Sr. Smith sorriu, estendendo a mão para selar o acordo. ​— Impressionante. Queremos o primeiro lote para o próximo mês. ​Mas o aperto de mão foi interrompido por um alarme estridente. As luzes do laboratório ficaram vermelhas. Na tela de monitoramento, Ana percebeu algo que ninguém ali vira: o batimento cardíaco do soldado modificado não parava de subir, entrando em uma frequência crítica. ​De repente, o soldado não parou de rosnar sob o comando de Gordon. Ele olhou para o próprio criador e soltou um urro de fúria cega, estraçalhando a mesa de controle principal com um único golpe. O painel de controle explodiu em faíscas, desativando as travas de segurança de todas as celas e tubos criogênicos do laboratório. O pânico se instalou instantaneamente. Investidores e cientistas corriam em direção à saída, enquanto Katana sacava sua espada, sendo a única barreira entre o monstro enfurecido e o resto da sala. Escondido atrás dos armários, James sentiu o chão vibrar. Ele olhou para Neytan e viu o mesmo pensamento nos olhos do colega: a missão de reconhecimento havia acabado. Agora, era uma questão de sobrevivência. — Ana! — James sussurrou desesperado no comunicador, em meio ao som de metal sendo rasgado. — O laboratório caiu! O plano mudou: vamos sair daqui agora, e vamos levar o composto custe o que custar!
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