CAPÍTULO 1 LINA
Treinamento de mergulhadores livres para reduzir os batimentos cardíacos deles a meros onze minuto. Aprendi isso em um documentário na televisão e fiquei fascinado. Se ao menos eu tivesse me interessado o suficiente para lembrar como eles adquiriram esse tipo de controle.
Meu coração batia tão forte que eu tinha certeza de que ia quebrar uma costela.
Foi isso que ganhei por retornar voluntariamente ao Olympus Club — o recanto secreto dos mais ricos e poderosos da cidade. Meu coração disparado, porém, não era por empolgação. Eu sabia muito bem que "ricos e poderosos" eram apenas maneiras educadas de dizer "babacas arrogantes e hedonistas" que não se importavam com quem pisoteavam para conseguir o que queriam..
Eu sei disso. Eu nasci nesse mundo.
O conhecimento geral sobre o Olympus Club era extremamente limitado fora dos círculos mais elitistas. E mesmo dentro desses grupos, a filiação era altamente cobiçada. As pessoas fariam quase tudo para entrar por aquelas portas de mogno maciço — um fato que eu gostaria de não conhecer tão bem.
Tive a sorte de ir várias vezes como convidada do homem com quem estava saindo nos últimos meses. Lawrence Wellington — magnata do setor naval e um dos homens mais cobiçados da cidade. Maduro solteiros. Ele tinha um filho não muito mais novo do que eu, mas eu nunca o tinha conhecido. Felizmente, Lawrence não aparentava a idade que tinha. Ainda tinha bastante cabelo escuro com alguns fios grisalhos nas têmporas e mantinha-se em forma com exercícios regulares.
Lawrence estava conduzindo nosso relacionamento nascente de forma surpreendentemente lenta. Eu não tinha certeza se era por cautela ou por uma indiferença inata a qualquer coisa além da aquisição de poder. Não que ele precisasse de mais. Esse poder emanava dele como a nuvem de poeira ao redor daquele personagem Pig-Pen no filme. Amendoins desenhos animados. Todos ao seu redor pareciam reagir como se aquela aura de poder embaralhasse seus cérebros, fazendo-os tagarelar sem sentido ou cobri-lo de elogios.
Sabendo que ele estava acostumado a tanta atenção, não tinha certeza se ele me daria uma segunda olhada quando me aproximasse. Adotei uma postura mais distante, e funcionou. Isso, somado à minha genética tão invejável — cabelo loiro, olhos azuis, lábios carnudos e um corpo escultural com pernas longas e s***s fartos. Tudo natural. Uma dádiva e uma maldição. Bastava entrar em uma sala para que todos os olhares se voltassem para mim. Preferiria ser invisível, mas não escolhemos nossa genética. E não podia reclamar totalmente. Minha aparência me beneficiou quase tanto quanto me prejudicou.
Esta noite, eu estava usando-as ao máximo a meu favor. Scarlet-Um vestido vermelho abraçava meu corpo, com as costas abertas quase até o bumbum. O corte devia ser impecável para que o vestido não caísse. Prendi meu cabelo num elegante coque de cachos para deixar meu pescoço à mostra e acentuar o decote do vestido.
Pela minha experiência, os homens adoravam a visão do pescoço de uma mulher. Delicadeza e vulnerabilidade sempre foram atraentes para predadores. Nesse caso, eu estava feliz em ser a presa.
E para garantir meu sucesso, pintei meus lábios e unhas com o tom perfeito de carmesim. Se antes não havia todos os olhares voltados para mim, agora certamente havia. Eu parecia estar desfilando no tapete vermelho do Oscar, e embora pudesse ser apenas uma quarta-feira à noite comum, aquele era o Olympus Club. Todas as noites eram noites de tapete vermelho no Olympus.
“O que você achou do pato? Semana passada, estava passado do ponto”, perguntou Lawrence, recostando-se e tomando um gole de vinho.
Sequei meus lábios com o guardanapo de linho branco, sem deixar nenhum vestígio de batom, e o coloquei ao lado do meu prato vazio. "Não estava r**m hoje e combinou bem com o vinho branco que você escolheu." Dei um gole na minha taça. "Jogaremos cartas hoje à noite?"
"Apostar dinheiro com alguém na mesa de cartas pode me ajudar a relevar um dia r**m no escritório." Ele virou os últimos goles de vinho e se levantou antes de me ajudar a levantar da cadeira.
A sala de jantar era pequena, mas não apertada. Tudo no Olympus era íntimo e opulento ao mesmo tempo, com uma paleta de cores escuras e iluminação aconchegante. Uma versão moderna da riqueza do velho mundo, a decoração com acabamentos em madeira e pedra era suavizada por couros e tecidos de veludo em tons quentes, mas sem o estilo ornamentado do passado. Tudo era projetado com muito bom gosto, com linhas limpas e elegância simples. Devo parabeniza o designer pelo excelente trabalho.
Em frente à sala de jantar havia uma sala de jogos usada para encontros sociais e entretenimento após o jantar. Cada uma das quatro vezes Lawrence me convidou para o jantar semanal do clube, e as mesas de pôquer ficaram ocupadas a noite toda. Naquela noite, parecia que quatro mesas já estavam ocupadas, restando apenas uma disponível.
Lawrence interrompeu nosso movimento, sua mão na minha lombar deslizando até minha cintura para sinalizar que parássemos. Quando olhei para trás, fiquei surpresa ao ver um leve rosnado se formar em seus lábios.
Pelo que pude perceber, Lawrence Wellington não demonstrou nenhuma emoção.
"O que é isso?", perguntei discretamente.
“Parece que os critérios de admissão por aqui estão ficando cada vez mais frouxos.”
Segui seu olhar até os dois homens que conversavam na mesa ao fundo. Um deles era barbudo, usava uma gravata borboleta elegante e tinha um penteado para disfarçar a calvície. Eu só conseguia ver o perfil do outro, mas era o suficiente para saber que ele era de uma beleza estonteante. Queixo anguloso, sobrancelhas bem definidas e um nariz bem proporcionado sobre lábios carnudos, o inferior maior que o superior. Seus cabelos castanho-escuros estavam penteados para trás, sem um fio fora do lugar, e seu smoking preto delineava seus ombros largos com a precisão de um alfaiate experiente. Nada naquele homem indicava que ele fosse um marginal. E, a julgar pelo diamante do tamanho de uma bola de chiclete no dedo mindinho do outro, ele também não estava passando por dificuldades. Eu estava curiosa para saber o que Lawrence achava desagradável.
"A gente sempre pode encerrar por hoje", sugeri, na esperança de que ele finalmente me convidasse para ir à casa dele. Eu estava saindo com ele havia três meses e, em nenhuma ocasião, ele tinha me levado para casa.
“Não. Ninguém vai me expulsar deste clube, nem de lugar nenhum.” Ele nos conduziu até a mesa dos fundos, com passos firmes, porém confiantes.
Um rápido olhar para Lawrence me disse que o belo rapaz mais novo não demonstrava qualquer irritação. Interessante..
“Wellington, que bom que você se juntou a nós”, disse o homem barbudo. “Gostaria de lhe apresentar Oran, que está aqui em sua primeira noite connosco. Ele acabou de entrar para o clube.”
O homem chamado Oran se levantou e se virou para nos cumprimentar, e eu quase soltei um suspiro ao vê-lo. Seu perfil era impressionante, mas de frente, ele era a personificação da perfeição masculina. E alto. Eu já estava acostumada a ficar cara a cara com homens. De salto alto, eu era um pouco mais alta que Lawrence. Mas o homem de olhos cinzentos à minha frente devia ter pelo menos um metro e noventa e três e transbordava confiança em cada centímetro do seu corpo.
Maravilhoso e Caro? Provavelmente nunca lhe disseram não em toda a vida.
Senti repulsa.
“Conheço a família Byrne. Você é um Byrne, não é?” Lawrence conseguiu olhar com desdém para o homem que era vários centímetros mais alto que ele. Era quase impressionante.
“Sou eu.” O olhar penetrante do homem se fixou em mim, um laço invisível apertando minha cintura e sufocando meus pulmões. “Oran Byrne.” Ele estendeu a mão para mim.
Eu concordei, não querendo ser indelicada, odiando o rubor que tomava conta das minhas bochechas quando seus lábios roçavam meus nós dos dedos.
"Às suas ordens", murmurou ele, sem nunca desviar os olhos dos meus, enquanto sua mão permanecia ali por mais tempo do que o apropriado.
A mão de Lawrence ainda estava nas minhas costas. Ele não conseguia ver isso? Quem ele pensa que é para fazer um movimento tão descaradamente sedutor bem na frente do meu encontro?
“Lina Schultze”, respondi com um sorriso forçado.
Wellington me puxou para mais perto, como se estivesse reafirmando sua posição. "Você não está me dizendo que eles estão considerando você para se tornar m****o aqui."
“Não estão considerando. Está decidido. Esta noite é minha primeira noite oficial como m****o aqui no Olympus.””
“Certamente, existem mais…apropriado organizações sociais para alguém com seus interesses.”
Quais eram os interesses dele? O que Lawrence queria dizer com isso? Quem era esse tal de Oran Byrne?
O sorriso de Oran em resposta era tão devastadoramente atraente que eu conseguia ouvir o sutil farfalhar de calcinhas caindo no chão ao meu redor. "Não vamos com tanta pressa, Lawrence. Não estamos tão distantes assim, você e eu."
Meu encontro zombou.
Oran levantou a mão. "Que tal isso, então? Deixaremos as cartas decidirem. Se você ganhar, cancelarei minha inscrição e você nunca mais me verá por aqui."
A mão de Lawrence se afastou de mim, e seu queixo se ergueu. "E se você ganhar?"
Pelo jeito que o olhar de Oran se fixou no meu, eu quase esperava que ele perguntasse por mim. Era um pensamento absurdo. Eu nem sabia de onde tinha vindo, nem a pontada de deceção quando ele não perguntou.
“Se eu ganhar, você me permite discutir uma proposta comercial com você.” Oran finalmente voltou seu olhar para Lawrence. Eu também. Até mesmo o estranho barbudo que havia se calado durante a conversa parecia fascinado em ouvir a resposta de Lawrence.
Um sorriso presunçoso surgiu em seus lábios. "Parece que não tenho nada a perder." Lawrence puxou uma cadeira e sentou-se à mesa.
Estendi a mão para a cadeira ao lado dele, e minha mão se chocou com a de Oran. Seus dedos fortes envolveram os meus antes que eu pudesse me afastar. "Por favor, permita-me." Ele estava sendo excessivamente educado, adicionando mais uma camada de tensão à pressão já sufocante no ambiente.
Ele soltou minha mão para puxar a cadeira, mas só depois que seu polegar deslizou um carinho sensual para cima e para baixo no centro da minha palma. O movimento minúsculo foi impercetível para todos. De resto, senti como se ele tivesse me despido, me estendido sobre a mesa e passado a língua por toda a extensão do meu centro. Eu não fazia ideia de que a palma da mão pudesse ser tão erótica.
Oran sabia exatamente o que tinha feito, a julgar pelo leve sorriso que surgiu em seus lábios.
Com as pernas tão trêmulas quanto as de um filhote de cervo, afundei na cadeira antes que alguém percebesse meu desconforto. Esses homens não eram os únicos treinados para manter uma fachada impecável. Dei um leve aceno de desdém para Oran e me virei para o meu acompanhante — o único homem naquela sala que merecia toda a minha atenção.
Alguém precisava transmitir essa mensagem ao meu coração. Ele havia retomado sua corrida frenética, convencido de que eu precisava correr para salvar minha vida.
Talvez eu tenha feito isso.
A julgar pela tensão ao meu redor, eu estava no meio de uma séria disputa de egos. Lawrence estava sentado à minha direita, e Oran estava um pouco perto demais da minha esquerda. Eu era o pedaço de carne apetitoso entre os dois.
“Senhores, façam suas apostas.” O crupiê começou a embaralhar as cartas.
Oran empurrou uma pilha de três fichas cor-de-rosa para o centro da mesa. Cada uma representava dez mil dólares. Lawrence fez um gesto para o supervisor de jogos pedindo uma pilha de fichas que seria debitada de sua conta no clube. Ele jogou sua aposta inicial de qualquer jeito sobre a mesa, como se não representasse o preço de um carro de porte médio.
O ar estava tão carregado de testosterona que coagulou nos meus pulmões.