Diego Vasconcellos Quando estacionei diante da mansão Vasconcellos, a minha tia já estava no portão, o rosto abatido, os braços cruzados como se quisesse se proteger de algo invisível. Desci do carro com o peito pesado, embora a mente estivesse estranhamente... vazia. - O que aconteceu? – perguntei, a minha voz soando mais áspera do que eu pretendia. Ela se aproximou devagar, os olhos marejados. - O enfermeiro entrou no quarto para dar os remédios da noite... mas ele já estava morto. – a sua voz falhou um pouco. – Acho que morreu dormindo, Diego. Morreu dormindo. Sem dor. Sem arrependimento. Sem punição. - O desgraçado nem sofreu. – murmurei, encarando o movimento da equipe funerária que carregava o corpo coberto por um lençol branco. Um pedaço de carne inútil, finalmente inerte.

