Lívia Monteiro A expressão de Henrique era tão congelada que eu quase soltei a mão de Diego. Quase, porém, ele segurava a minha mão tão firme que era impossível soltar. Meu irmão estava parado à frente da janela do escritório, os dedos apertando o copo de uísque como se fosse esmagá-lo. O silêncio pesou como um véu de chumbo entre nós três, até que ele finalmente cuspiu as palavras: - Desde quando isso está acontecendo? O seu olhar perfurou as nossas mãos entrelaçadas. Eu senti os dedos de Diego apertarem os meus, com mais firmeza contra a minha hesitação. - É recente. – menti, a voz mais suave do que eu queria. Diego tomou a frente antes que eu pudesse continuar, o seu tom arrastado de quem nunca pediu permissão na vida: - Tempo suficiente para eu saber que sua irmã é uma mulher de

