Capítulo 5

1119 Words
Diego Vasconcellos Depois daquele esbarrão no corredor do Copacabana Palace, uma coisa ficou clara: Lívia Monteiro não era o que eu esperava. Ela derramou champanhe no meu terno, me chamou de arrogante e ainda teve a audácia de rolar os olhos quando Henrique me apresentou como "sócio". A maioria das mulheres daquele círculo fazia o oposto — sorriam, se inclinavam mais perto, fingiam interesse só para ter uma noite comigo. Mas não ela. Lívia me olhou como se eu fosse uma mancha no sapato dela. E, por algum motivo que me recusava a analisar, isso grudou na minha cabeça. Foi por isso que chamei Marcelo. Meu advogado e amigo e o único que tinha coragem de dizer a verdade na minha cara apareceu no meu apartamento na Lagoa, trazendo um arquivo ele logo foi se servir de um copo de whisky. - Ela está numa enrascada… – ele disse, soltando as folhas na minha mesa. – O ex-namorado, Gustavo Vieira, tá usando um incidente com uma tal Ana Clara. Folheei os papeis. Fotos borradas, um vídeo editado, prints de uma tal @ladydocaos espalhando merda nas redes sociais. - E o Henrique? - Quer que ela case com o tal Gustavo para abafar o escândalo. Um gole amargo do whisky queimou a minha garganta. Clássico do Henrique. Resolver problemas com dinheiro e casamentos arranjados — como se não soubesse o quanto essa merda destruía gente. - Ela vai aceitar? – perguntei, já sabendo a resposta. Marcelo riu. - Você já conhece a resposta, Diego. Ele tinha razão. Lívia não era do tipo que se ajoelhava por pressão. E isso... isso me interessava. - Preciso de um encontro com ela. Sem Henrique. - Já arranjei. – Marcelo ele me entregou um convite. – Amanhã, vai ser o jantar de formatura dela na casa dos Monteiros e fiz Henrique te convidar. Olhei para o convite, depois para ele. - Como caralhos você conseguiu isso? - Bom, você é sócio dele, não foi difícil. – ele encolheu os ombros. – Lá você terá uma única chance. Sorri. Marcelo era um filho da p**a eficiente. - E se ela não quiser ouvir a minha proposta? - Ah, Diego. – ele levantou, ajeitando o paletó. – Você é um Vasconcellos. Convencer pessoas é o que você faz. Quando ele saiu, fiquei olhando para as fotos de Lívia no arquivo. Ela sorrindo em algum evento, com um vestido que grudava no corpo como uma segunda pele. {...} E agora eu estava aqui, no jantar de formatura Lívia, eu não conseguia tirar os olhos dela usando aquele vestido preto, do jeito que o seu cabelo caía em cachos rebeldes, da forma como os seus lábios se apertaram toda a vez que Gustavo – aquele merda do ex dela – se aproximava. Foi fácil perceber quando ela fugiu. Gustavo a seguiu como um cachorro no cio. Eu dei um tempo, fingindo interesse na conversa de algum acionista aposentado, antes de ir atrás. O corredor estava escuro, mas as vozes vinham da varanda. - Me solta seu babaca. – a voz de Lívia, afiada como uma lâmina. - Faz eu solta. Quando cheguei, ele estava com o nariz sangrando, e Lívia segurando o pulso como se estivesse com dor. Então vi o momento exato em que ele estava indo avançar nela. Agarrei Gustavo pelo colarinho, arrancando-o de perto dela como se fosse um inseto. - Acho que a moça disse não. – eu mantinha a voz calma. Ele engoliu seco quando me reconheceu. - Vasconcellos, isso não é da sua conta. – ele disse com arrogância e raiva. - É da minha conta quando vejo um homem assediando uma mulher. E se você sequer olhar para ela de novo, eu vou fazer você desaparecer de uma forma que nem sua mãe vai chorar o seu sumiço. Entendeu? – cortei, baixando a voz para um sussurro mortal. Não precisei repetir. Ele fugiu como o covarde que era. Lívia tremia, os olhos arregalados de pânico. - Ele vai usar isso contra mim. - Não vai. - Como você pode ter tanta certeza? Sorri. - Porque eu não vou deixar. E naquele momento, o plano se formou na minha cabeça. Levei-a para um canto privativo da casa. Arranjei uma bolsa de gelo para seu pulso, observando enquanto ela respirava fundo, tentando se controlar. - Eu posso te ajudar, Lívia. Ela ergueu o queixo, desconfiada. - Como? Como você me ajudaria? - Com um casamento falso. – falei sem rodeios. Os seus olhos arregalaram-se. - Como é que é? Não sei se escutei direito. - Escutou sim. Um casamento. Não vai ser de verdade. – expliquei, sentando-me na poltrona em frente a ela. – Você me ajuda, eu te ajudo. Ela levantou, começando a andar de um lado para o outro. - Você só pode estar louco. Como isso funcionaria? As pessoas descobririam que é falso, e eu estaria ainda mais arruinada! - Ninguém vai descobrir. Isso fica entre nós dois. Ela parou, os olhos faiscando. - Por que você faria isso? – ela perguntou, a curiosidade estampada no seu rosto. - Porque eu sei que está sendo processada por algo que não fez, e isso hoje com Gustavo pode complicar ainda mais a sua situação. E, porque também tenho os meus problemas. Problemas que um casamento resolveria. Lívia estudou o meu rosto, como se tentasse decifrar um código. - Você vai me ajudar a provar que sou inocente? - Sim. Ela fechou os olhos, respirando fundo. Quando os abriu novamente, havia uma decisão ali. - Eu topo. Henrique está me empurrando para o Gustavo, e tenho certeza que isso não vai parar até me ver casada com aquele i****a. - Então é um acordo. – disse, estendendo a mão. Ela olhou para minha mão, depois para meus olhos. - Ninguém pode saber. - Ninguém. Ela apertou a minha mão, e algo percorrer pelo meu corpo e tenho certeza que ela sentiu, pois logo puxou a sua mão, e perguntou. - Por onde começamos? Sorri. - Com alguns encontros públicos. Algo discreto o suficiente para não levantar suspeitas, mas claro o bastante para que Gustavo – e todo o Rio – saibam que você está fora do alcance dele. Ela mordeu o lábio, pensativa. - E depois? - Depois, nos casamos. Você limpa o seu nome, eu resolvo os meus problemas, e daqui a um ano, nos divorciamos. - Parece simples. – ela fala pensativa. - Nunca é. Ela riu, um som baixo e descrente. - Pelo menos você é honesto. - Sempre. – respondi. E assim, selamos o nosso pacto. Mas quando os nossos olhos se encontraram novamente, algo dentro de mim perguntou: E se um ano não for o suficiente?
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