Lívia Monteiro
Eu não acredito que topei essa loucura.
A voz na minha cabeça gritava enquanto eu encarava Diego, que falava algo sobre marcar um horário com o advogado dele. Eu estava tão perdida nos meus pensamentos que m*l ouvia.
- Advogado? – perguntei, piscando.
Ele suspirou, a impaciência escorrendo pelos poros.
- É, Lívia. Advogado. O nosso trato não vai ser só de boca. Quero assegurar que você não vai abrir essa boca linda pra ninguém.
O seu tom era firme, mas os olhos faiscavam com algo que me fez engolir seco. Desafio. Como se ele soubesse que eu estava a um passo de fugir dali.
- E esse advogado é de confiança? – perguntei, cruzando os braços.
Diego sorriu, apenas de um lado, como se eu tivesse dito a coisa mais i****a do mundo.
- É claro que é.
Antes que eu pudesse responder, batidas na porta cortaram o ar.
- Lívia, está aí? – a voz de Eduarda veio do outro lado, aguda de preocupação. – estou escutando vozes. Abre a porta e me conta o que aconteceu. Gustavo saiu daqui uma fera!
Os meus olhos arregalaram. Merda.
Diego não perdeu um segundo.
- Vamos começar. – sussurrou, já se movendo em direção à porta.
Eu agarrei o seu braço, os dedos afundando no tecido do terno.
- Espera! Não estou pronta!
Ele virou seu rosto a poucos centímetros do meu. O cheiro dele – amadeirado, uísque e algo intrinsecamente masculino – invadiu os meus sentidos.
- Precisa estar. Para isso dar certo, você precisa cooperar.
Outra batida. Mais insistente.
- Lívia!
Respirei fundo, fechando os olhos por um segundo. Tudo bem. Você consegue.
- Pode abrir.
Diego não hesitou. A porta se abriu, revelando Eduarda com a mão ainda no ar, pronta para bater de novo. Ela congelou ao vê-lo, os olhos saltando entre nós dois.
- Está tudo bem? – perguntou olhando de mim, para Diego
- Está sim. – respondi rápido demais. – A gente… estava conversando.
Diego estendeu a mão para ela, sorrindo com aquele charme calculado que deve derreter metade das mulheres do Rio.
- Prazer. Diego Vasconcellos.
Eduarda apertou a mão dele, mas seus dedos tremiam levemente.
- Eduarda Nunes. Amiga da Lívia.
Ele puxou-a para dentro do quarto, fechando a porta atrás dela.
- Já é hora das pessoas saberem. – anunciou, como se estivesse falando do tempo.
Antes que eu pudesse processar, ele estava ao meu lado, a sua mão quente envolvendo a minha cintura com uma posse que fez o meu coração disparar.
- É verdade. – eu disse, forçando um sorriso para Eduarda. – Desculpa não falar antes. A gente queria manter em segredo, mas…
- Mas já está na hora das pessoas saberem. – Diego me cortou os dedos apertando levemente o meu quadril.
Eduarda olhava para nós como se estivesse vendo um acidente de carro.
- Vocês… estão juntos?
Diego riu, baixo, e eu senti o som vibrar no meu próprio corpo.
- Já tem umas semanas.
Fiquei olhando para Eduarda, ela ainda olhava desconfiada, mas parece que tinha engolido a história. Os seus olhos brilharam com algo que eu não consegui decifrar – Choque? Talvez.
- Vamos voltar, seu irmão deve estar te procuirando. – Diego murmurou no meu ouvido, os seus lábios quase tocando a minha pele.
Ah caramba Henrique.
Senti um frio na espinha. Meu irmão iria matar a gente.
{...}
O salão estava ainda mais cheio quando voltamos.
Diego não soltou a minha mão nem por um segundo. Os seus dedos entrelaçados nos meus eram firmes, quase possessivos, como se quisesse deixar claro para todo mundo: ela é minha.
Henrique nos viu antes que pudéssemos nos esconder. Os seus olhos escuros escanearam nossas mãos unidas, depois subiram para o rosto de Diego, buscando uma explicação. Ele se aproximou, e perguntou.
- O que diabos…?
- Henrique. – Diego cumprimentou, sorrindo como se nada estivesse errado. – Precisamos conversar.
Meu irmão olhou para mim, e eu vi o exato momento em que ele conectou os pontos.
- Lívia?
Eu engoli seco.
- A gente… – tentei dizer.
- Estamos juntos. – Diego interrompeu, erguendo as nossas mãos entrelaçadas. – E eu acho que você vai querer sentar pra gente explicar.
O rosto de Henrique ficou vermelho. Ele olhou em volta, para os convidados que já cochichavam, e apertou os maxilares.
- Meu escritório. Agora.
Diego apertou a minha mão, como se dissesse "confia em mim", e eu, como uma i****a, deixei ele me guiar pelo salão, sob os olhares de todo mundo.
Eduarda nos seguia de longe, o seu rosto uma máscara de incredulidade.
Gustavo estava perto do bar, segurando um lenço no nariz ainda sangrento. Quando nos viu, os seus olhos arregalaram, e uma fúria passou diante deles.
Diego sorriu para ele, maliciosamente, e então – para meu completo horror – levantou a minha mão e beijou os meus dedos, bem na frente de todo mundo.
- Você está louco? – sussurrei, sentindo o meu rosto pegar fogo.
- Louco por você, amor. – ele respondeu, alto o suficiente para Gustavo ouvir.
E então, enquanto me arrastava para o escritório de Henrique, uma única pensamento martelava na minha cabeça: no que eu me meti?