Capítulo 6

873 Words
Lívia Monteiro Eu não acredito que topei essa loucura. A voz na minha cabeça gritava enquanto eu encarava Diego, que falava algo sobre marcar um horário com o advogado dele. Eu estava tão perdida nos meus pensamentos que m*l ouvia. - Advogado? – perguntei, piscando. Ele suspirou, a impaciência escorrendo pelos poros. - É, Lívia. Advogado. O nosso trato não vai ser só de boca. Quero assegurar que você não vai abrir essa boca linda pra ninguém. O seu tom era firme, mas os olhos faiscavam com algo que me fez engolir seco. Desafio. Como se ele soubesse que eu estava a um passo de fugir dali. - E esse advogado é de confiança? – perguntei, cruzando os braços. Diego sorriu, apenas de um lado, como se eu tivesse dito a coisa mais i****a do mundo. - É claro que é. Antes que eu pudesse responder, batidas na porta cortaram o ar. - Lívia, está aí? – a voz de Eduarda veio do outro lado, aguda de preocupação. – estou escutando vozes. Abre a porta e me conta o que aconteceu. Gustavo saiu daqui uma fera! Os meus olhos arregalaram. Merda. Diego não perdeu um segundo. - Vamos começar. – sussurrou, já se movendo em direção à porta. Eu agarrei o seu braço, os dedos afundando no tecido do terno. - Espera! Não estou pronta! Ele virou seu rosto a poucos centímetros do meu. O cheiro dele – amadeirado, uísque e algo intrinsecamente masculino – invadiu os meus sentidos. - Precisa estar. Para isso dar certo, você precisa cooperar. Outra batida. Mais insistente. - Lívia! Respirei fundo, fechando os olhos por um segundo. Tudo bem. Você consegue. - Pode abrir. Diego não hesitou. A porta se abriu, revelando Eduarda com a mão ainda no ar, pronta para bater de novo. Ela congelou ao vê-lo, os olhos saltando entre nós dois. - Está tudo bem? – perguntou olhando de mim, para Diego - Está sim. – respondi rápido demais. – A gente… estava conversando. Diego estendeu a mão para ela, sorrindo com aquele charme calculado que deve derreter metade das mulheres do Rio. - Prazer. Diego Vasconcellos. Eduarda apertou a mão dele, mas seus dedos tremiam levemente. - Eduarda Nunes. Amiga da Lívia. Ele puxou-a para dentro do quarto, fechando a porta atrás dela. - Já é hora das pessoas saberem. – anunciou, como se estivesse falando do tempo. Antes que eu pudesse processar, ele estava ao meu lado, a sua mão quente envolvendo a minha cintura com uma posse que fez o meu coração disparar. - É verdade. – eu disse, forçando um sorriso para Eduarda. – Desculpa não falar antes. A gente queria manter em segredo, mas… - Mas já está na hora das pessoas saberem. – Diego me cortou os dedos apertando levemente o meu quadril. Eduarda olhava para nós como se estivesse vendo um acidente de carro. - Vocês… estão juntos? Diego riu, baixo, e eu senti o som vibrar no meu próprio corpo. - Já tem umas semanas. Fiquei olhando para Eduarda, ela ainda olhava desconfiada, mas parece que tinha engolido a história. Os seus olhos brilharam com algo que eu não consegui decifrar – Choque? Talvez. - Vamos voltar, seu irmão deve estar te procuirando. – Diego murmurou no meu ouvido, os seus lábios quase tocando a minha pele. Ah caramba Henrique. Senti um frio na espinha. Meu irmão iria matar a gente. {...} O salão estava ainda mais cheio quando voltamos. Diego não soltou a minha mão nem por um segundo. Os seus dedos entrelaçados nos meus eram firmes, quase possessivos, como se quisesse deixar claro para todo mundo: ela é minha. Henrique nos viu antes que pudéssemos nos esconder. Os seus olhos escuros escanearam nossas mãos unidas, depois subiram para o rosto de Diego, buscando uma explicação. Ele se aproximou, e perguntou. - O que diabos…? - Henrique. – Diego cumprimentou, sorrindo como se nada estivesse errado. – Precisamos conversar. Meu irmão olhou para mim, e eu vi o exato momento em que ele conectou os pontos. - Lívia? Eu engoli seco. - A gente… – tentei dizer. - Estamos juntos. – Diego interrompeu, erguendo as nossas mãos entrelaçadas. – E eu acho que você vai querer sentar pra gente explicar. O rosto de Henrique ficou vermelho. Ele olhou em volta, para os convidados que já cochichavam, e apertou os maxilares. - Meu escritório. Agora. Diego apertou a minha mão, como se dissesse "confia em mim", e eu, como uma i****a, deixei ele me guiar pelo salão, sob os olhares de todo mundo. Eduarda nos seguia de longe, o seu rosto uma máscara de incredulidade. Gustavo estava perto do bar, segurando um lenço no nariz ainda sangrento. Quando nos viu, os seus olhos arregalaram, e uma fúria passou diante deles. Diego sorriu para ele, maliciosamente, e então – para meu completo horror – levantou a minha mão e beijou os meus dedos, bem na frente de todo mundo. - Você está louco? – sussurrei, sentindo o meu rosto pegar fogo. - Louco por você, amor. – ele respondeu, alto o suficiente para Gustavo ouvir. E então, enquanto me arrastava para o escritório de Henrique, uma única pensamento martelava na minha cabeça: no que eu me meti?
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