Escolhas
_ Moreno? Não sei. Acho que gosto de loiros. Mas este branquinho com os lábios carnudos e olhos azuis, é uma graça!
Falava com a minha secretaria virtual que concordaria com tudo que eu dissesse. Então porque eu gastava a minha saliva?
Porquê eu estava solitária. Eu e toda a população mundial. Perdemos o tato e a paciência conosco mesmos. Anti-socialidade era a nova epidemia.
Ninguém estava autorizado a procriar. As crianças precisavam ser perfeitas, e por isso deviam ser encomendadas e fabricadas geneticamente, antes de fertilizar o útero da futura mãe.
Como ter sentimentos por outro humano, quando tudo era máquina por todos os lados?
Talvez seja melhor assim. Sem decepções amorosas, nem traumas psicológicos.
Continuei a folhear o catálogo de onde eu escolheria o meu primeiro amante-mecha. O homem perfeito em tudo, que sempre me obedeceria e responderia as minhas expectativas sempre.
O seu amante mecha vem com sensor visual, olfativo, tátil, auditivo e paladar. E graças a estes recursos e o seu software avançado, ele está apto a interagir com você de forma perfeita e sincronizada, de acordo com as suas necessidades hormonais, emocionais e psicológicas. Além de cozinhar e cuidar de qualquer afazeres domésticos que você deseja na sua ausência. A sua pele é idêntica a pele humana, mas de regeneração rápida, não se preocupe com acidentes, pois o seu mecha-amante estará com você por muitos anos. Caso queira mudar o exterior do amante por outro, o senhor cliente poderá escolher no catálogo de peças e nós instalmos a nova aparência totalmente grátis.
Li no verso do catálogo que peguei na loja revendedora na volta para casa. As qualidades são incríveis, como o preço também. Poderia trocar o meu carro por um carro do ano com este dinheiro. Pensei. Mas eu não preciso de um carro. Preciso de um amante.
Já estou com trinta anos e nem um beijo decente eu consegui até hoje. Só recebi mordidas e roçar de lábios... Será que é pedir demais, um chupao de língua? Sentir carne na carne com pegada e desejo?
Os humanos sentem nojo uns dos outros. Eu que não pego outro humano. Me servi da lata de champanhe de pêssego que havia aberto quando cheguei. Se vendia em lata como refrigerante e cerveja. Vou escolher o meus possíveis amantes hoje e amanhã passo na loja para ver os modelos pessoalmente e escolher qual eu quero.
Sentei no sofá. Havia um questionário imenso que eu respondi online para dar continuidade a compra. Escrevi a minha vida praticamente toda ali. Era necessário para programar o meu robô. Havia dado metade do pagamento para reserva e início da programação que era feita antes de instalar a aparência.
Havia visto um modelo mais cedo, Joel. Era lindo! Eu o confundi com um humano e acabei jogando charme para ele. O robô me fez a venda sozinho até a sua dona aparecer. Era a gerente da loja. A essa altura o Joel já havia me falado tudo sobre os robôs e um pouco sobre os compradores que os quebravam e alegavam defeitos. Disse que o contrato cobria qualquer acidente, mesmo os intencionais por tempo indefinido.
Pude tocar o seu corpo, era de arrancar suspiros mesmo sabendo que ele era uma máquina. E a voz? Você podia escolher as vozes dos seus cantores favoritos e mudar em casa mesmo quando enjoasse.
A tevê ligou no horário do meu programa favorito. Eu ainda estava indecisa sobre aquele que deveria ser o meu companheiro para a vida toda... ou talvez só o primeiro.
Claro que eu preferia a primeira opção. Devo ser romântica. Isso é patético! É só uma máquina Marina. Disse para mim mesma, mas o meu coração não acreditava em mim.
Ok. Circulei nove modelos. O mais belos e perfeitos na minha opinião. No dia seguinte escolheria o modelo definitivo pessoalmente na loja onde encontrei o Joel, e na sexta à noite eu já teria o meu amante perfeito.
Comi proteína e tomei umas pílulas que substituía a ingestão de sete frutas diferentes. Depois deitei na minha cama de casal no meu quarto de apartamento luxuoso e adormeci sonhando com o meu mecha.
Nirvana pela manhã é ótimo para acordar. A noite é bom para dormir. Rock me faz bem.
Imaginei o meu mecha me servindo o café da manhã ao entrar na cozinha Ilha super prática. E fiz ovos mexidos para rechear a minha tapioca, chá quente pra ajudar a descer. Sentei a mesa da sala de jantar e comi assistindo o noticiário matinal.
Fui para o quarto escolher a minha roupa de acordo com a previsão do tempo de hoje. Escovei os dentes e lavei o rosto. Passei prime e base antes de fazer a maquiagem perfeita como deve ser a maquiagem de uma executiva. No fim deste ritual, não reconhecia a minha cara no espelho. Mas são os ossos do ofício. Peguei o elevador para o subsolo.
Uma senhora com uma criança que não parecia em nada com ela entrou no elevador. Era assim mesmo que eram os filhos. Parecia um anjo de porcelana loirinho, e a mãe era branca com cabelos pretos cacheados e curtos mais de quarenta anos. Provavelmente ela se aposentou para cuidar da filha.
_ Bom dia _ disse a menina e a mãe me sorriu.
_ Bom dia, querida _ respondi e ela sorriu.
O elevador abriu e elas desceram. Quando abriu de novo era o subsolo e me dirigi para o meu carro e entrei no carro indo para o trabalho. Cheguei no trabalho antes do horário. Executei o meu trabalho por ordem de importância. Tive várias vídeos reuniões, almocei pouco, voltei para o trabalho antes do horário do almoço acabar. Cumpri toda a minha agenda e saí mais cedo naquela tarde.
Cheguei na loja para escolher o meu mecha. Sem a ativação pareciam todos com bonecos. Escolhi finalmente, assinei os papéis e marquei a entrega para amanhã neste horário. Me despedi da gerente que cuidou da minha venda e do Joel.
Tomei um banho de banheira demorado e perdi a noção do tempo. Adormeci na banheira. Não jantei. Apenas escovei os dentes e fui dormir.
O dia seguiu quase totalmente igual. A diferença foi um contratempo que me fez sair meia hora atrasada do trabalho. Quando cheguei no apartamento, a enorme caixa já me esperava. Corri para abrir removendo a proteção com pressa. Observei o meu mecha nu e adormecido. Ainda parecia um boneco.
Li o manual que mandava ligar na tomada e eu fiz. Observei que dois lindos olhos claros abriram, mas estava em descanso para a primeira carga de energia. Depois disto ele se carregaria com a luz solar por dez minutos por dia e pronto.
Olhei aquele rosto perfeitamente desenhado e os contornos do seu corpo nu.
_ Meu Deus! Você é grande! _ pensei alto sobre o seu pênis. Mesmo sem estar ereto assustava. Imaginei se não podia ajustar, e segui para a cozinha lendo o manual. Fiz o meu jantar enquanto lia. Terminei de ler durante o jantar.
Bebi uma taça de vinho e adormeci na sala assistindo um filme que comprei pela internet. Quando acordei dois olhos claros me olhavam bem de perto. Tomei um susto e gritei.
_ Há algum problema? _ sua expressão era preocupada, a voz era perfeita, me deu arrepios só de ouvir.
Meu olhar baixou pelo seu corpo. GOSTOSO! E voltei para o rosto.
_ Você sabe quem eu sou? _ quis saber.
_ Você é Marina Evelin Pin, a mulher mais linda do mundo.
_ Gostei disso! _ sorri e sentei _ O que mais?
_ Sei de tudo sobre você, por onde quer que comece?
_ Senta _ bati no lugar ao meu lado e ele sentou.
Comecei a tocar o seu rosto e depois o cabelo. Era tão realístico agora! Passei as mãos pelo peito e desci pela barriga perfeita com todos os gominhos. Ouvi um suspiro de arrepio. Parei, olhei nos olhos do mecha.
_ Você sentiu isso?!
_ Sim. Eu posso sentir tudo da mesma forma que você, Marina.
_ Me chama de Mina _ falei, eu não gostava do meu nome, só do que significava.
Continuei explorando o corpo do mecha que num gesto rápido, se colocou sobre mim no sofá quando toquei o seu ventre. Fiquei deliciosamente assustada. Me analisou com o olhar e me beijou.
Foi um beijo perfeito.
Comecei a tirar a minha camisa, mas ele fez mais rápido e com apenas uma mão me dando um sorriso de lado que me fez morder o lábio de t***o. Tirou toda minha roupa e veio subindo dando beijos pelas minhas coxas, ventre, barriga, s***s. Apalpou os meus s***s e subiu dando beijos no meu pescoço. Mordeu o lóbulo da minha orelha e beijou a minha boca.
Uma das mãos sobre o meus s***s desceu afastando as minhas pernas que dobrei para dar mais a******a. Senti ele se encaixar na minha a******a penetrando. Não senti tanta dor quanto pensei que sentiria. Até hoje só vibradores haviam entrado ali. Mas a sensação de estar completamente preenchida no seu movimento foi divina.
Gemi assim como o mecha. Pensei em todo aquele tamanho do seu pênis que eu não consegui descobrir como regular. Olhei para baixo vendo o seu m****o me penetrar. Ainda estava enorme, mas havia diminuido bastante. Olhei para os seus olhos desconfiada.
_ Eu te ouvi reclamar. Ajustei para você.
_ Obrigada _ gemi com um sorriso.
Gemeu segurando a minha cintura e aumentando os movimentos com desejo. MDS! Meu corpo se aqueceu na base da coluna e me derramei em prazer, mas foi diferente de quando me masturbava. O prazer continuou se espalhando pelo meu corpo e fazendo todo o meu corpo se aquecer de prazer. Era melhor do que pensei que fosse.
O mecha estava com uma expressão de prazer e desejo me vendo gemer e sorrir. Era muito lindo! Entrei em outro orgasmo assim que os gemidos cessaram. Me beijou os pescoços e s***s e depois a minha boca.
O segundo orgasmo foi menos intenso, mas durou mais tempo.
_ Senta junto comigo _ pedi quando senti o terceiro orgasmo fazendo cossegas na meu cóccix. E ele gozou junto comigo.
Nos beijamos e trocamos carinhos deitados no sofá. Eu estava sobre o peito do mecha.
_ Você pode dizer o meu nome? _ pediu acariciando o meu cabelo.
Lembrei que ainda não havia dado um nome para o mecha.
_ O seu nome é Neo.
Deu meio sorriso _ Obrigado, Mina.
Sorri. Estava muito feliz com a minha compra _ Vamos tomar banho, Neo.
Vi o seu olhar parar nos meus lábios por um segundo. Ele aprendeu a usar a banheira. Depois do banho, fez o meu lanche diante do meu olhar atento sobre o seu corpo nu embaixo do avental. Era tão bom vê-lo assim, que me esqueci que tinha comprado roupas para ele. Fui a loja na semana passada com as medidas que eu havia escolhido para ele. Alto é claro e tudo o mais previamente decidido no preenchimento do questionário.
Lanchei a mesa na sua companhia. Parecia até um sonho. O Neo era simpático e galante, era como se eu fosse realmente a mulher mais linda do mundo para ele. Conversamos sobre os assuntos em maior evidência e demos a nossa opinião pessoal sobre isso. Nem parecia que ele estava em uma caixa há poucas horas. Me serviu vinho e sorriu das minhas piadas fracas. E cozinhava muito bem. Eu não comia com tanto prazer fazia muito tempo.