Nova Escola
Lavínia narrando
Olho cada pessoa que passa, me perguntando se elas são tão fúteis quanto parecem. Risadinhas, preocupações com provas, exibindo suas coisas.
Definitivamente, vou perder a paciência com o primeiro Ken ou Barbie que me irritar.
— Aqui, senhorita Cordopatri, suas mães arrumaram sua matrícula e agora você está definitivamente inscrita nesta escola. Seja muito bem-vinda — diz o diretor, enquanto minha mãe me belisca levemente na cintura, me fazendo sorrir e assentir.
— Obrigada.
— Vou deixá-las à vontade para se despedirem, mas ela terá aula, então sejam rápidas — ele diz, se retirando e falando com os pais do Brad, meu melhor amigo, que infelizmente também está sendo obrigado a vir.
Brad é alto, n***o, forte, com olhos lindos e brilhantes como jabuticabas. Seu sorriso é enorme, brilhante e encantador, iluminando qualquer ambiente.
— Filha, agora não dá mais tempo de te levar para casa. Lembre-se de não arrumar briga e se manter na sua, certo? — minha mãe Cecília me abraça e eu a aperto forte.
— Lembre-se de achar a abelha rainha, ok? Eu estudei nesse mundo comum e eu era incrível até terem preconceito sobre mim, então arrasa — minha mãe Alice me abraça. O braço direito delas, Jhon, que também é pai do Brad, se aproxima.
— Vamos, senhoras? — ele pergunta e elas assentem.
— Tchau, crianças. Brad, cuide dela, tá legal? — minha mãe pede e o abraça.
— Pode deixar, tia Cecília.
— Eu sei cuidar de mim mesma — digo, cruzando os braços.
— Você ainda tem um temperamento frágil — ela diz, indo embora.
— Por que será, né? — sussurro, vendo-os fechar a porta ao sair.
— Vamos, maluca? Esconder as facas e fingir sermos normais e não sequelados com traumas — Brad diz, passando o braço em meu pescoço e eu sorrio.
— Fingir ser normal? — pergunto retoricamente enquanto andamos pelo corredor principal e todos nos olham. Ergo mais ainda a cabeça e os encaro.
— Vai assustá-los. Lembre-se de sorrir como sua mãe mandou e fazer amigos — ele diz e n**o com a cabeça. — Já entendi, o que você quer fazer?
— Não quero chamar atenção. Lá na Camorra, eu sempre fui popular por ser a futura dona, mas aqui quero paz por um tempinho — digo, e ele para de andar.
— Nossas primeiras aulas são separadas? Droga, meu dever é... — ele diz, olhando o papel com as aulas.
— Tudo bem, prometo não matar ninguém — digo, beijando seu rosto e me afastando.
— Tudo bem, te encontro na próxima aula — ele fala, cruzando os braços e me esperando sair na frente.
Aceno levemente enquanto procuro a sala de história pelos corredores superpopulados e barulhentos. Olhando para o alto das portas, quase me derrubam ao esbarrar em mim.
— Cazzo — digo, olhando irritada para a pessoa que quase me derrubou.
— Ah, meu Deus, me desculpa! Prazer, sou Esthefany — ela pega minha mão, apertando e sorrindo. Esthefany é uma garota pequena, com um lindo corpo. Uma clássica loira de cabelos lisos e olhos azuis gentis. — Que bom que nos esbarramos. Todos estão falando de você e, claro, como quase líder de todos, estava curiosa para te ver. Qual é o seu nome?
— Lavínia — digo, de forma simples, quase saindo.
— Espera, olhei suas aulas com o diretor e sua primeira é comigo. Vamos, aquelas ali atrás são minhas amigas, mas hoje pedi privacidade. Se quiser conversar com elas, é só estalar os dedos. Aliás, aquele gostoso com cara de bad boy é seu namorado?
— Espencer, né? Desculpa, mas eu preciso conhecer um pouco a escola antes. Então, vou indo, tá?
— É Esthefany, e eu posso te apresentar a escola, boba. Vamos nos conhecer.
— Lavínia? — meu primo Matteo pergunta, ficando meio que na frente da Esthefany. Matteo é apenas um pouco mais alto que a irmã e tem cabelos negros. Embora ele seja bonito, sua falta de educação e respeito por mim ofusca sua aparência. — Podemos conversar? Tchau, Esthefany.
— Te encontro na sala, amiga — ela diz, saindo com sua saia rosa e salto alto.
— Obrigada, Matteo — digo, mas ele ignora, falando quase em cima de mim.
— Tinha tantas escolas na Itália e veio justo nessa? Ainda não me esqueceu? Já basta dividirmos a família, não precisamos dividir a escola também. Finja que não me conhece.
Disfarço o choque e coloco uma falsa cara de desprezo para mascarar a tristeza. n**o para todos que isso me deixou triste, mas, infelizmente, fiquei.
— Eu não escolhi estar aqui. Se estou, é obrigada. Agora sai da minha frente — digo, empurrando-o, e ele segura minha mão, me fazendo puxar bruscamente.
— Você já ouviu, não olhe para mim, não fale comigo, não...
— Não sei se você lembra, mas a matadora sou eu, a discípula frágil, como você mesmo disse, sou eu. Então não me teste, porque sabe que sou capaz de muita coisa. Não entre no meu caminho.
Saio em direção à minha sala e me sento em qualquer lugar.
Vocês estão confusos, certo? Mas isso aconteceu porque basicamente fui apaixonada pelo meu primo boa parte da infância. Ok, um pedaço da adolescência também. E o problema não era só esse. Eu me apaixonei pela minha prima também. Eles são gêmeos, mas muito diferentes.
Eu sou completamente apaixonada, ou melhor, era. Sempre batia neles, sem saber como demonstrar minha paixão no início. Em um dia, revelei minha paixão platônica pelos dois. O Matteo surtou e falou coisas horríveis para mim sobre ser mafiosa e suja, discípula e boneco da minha mãe, e sobre ser ridícula por gostar dos dois. A Morgana, minha prima, apenas saiu correndo, mas isso machucou da mesma forma. Morgana é pequena, com um lindo corpo, a clássica loira de cabelos lisos e olhos azuis gentis. Lembro que naquele dia o Matteo só calou a boca quando soquei ele e saí correndo, querendo esquecer o que tinha feito.
O professor entra, começando a aula, e o Matteo passa me olhando com raiva e se senta perto da janela.
[...]
Saio finalmente da última aula antes do intervalo. Esse ensino é super atrasado; aprendi isso há uns dois anos na Camorra.
O Brad sorri para mim e me abraça quando me vê, me tirando do chão.
— Que dramático — digo, começando a andar ao seu lado.
— Eu estava surtando naquelas salas longe de você e preocupado. Fora que umas meninas grudaram em mim, acho que nunca viram um chocolate preto assim. Sou tão docinho que se apaixonaram — ele fala, me fazendo gargalhar.
— Larga de ser convencido, Morningstar.
— Eu não sou convencido, e sim realista. Vamos sentar aonde? — olho todas as mesas do refeitório e a tal Esthefany me olha, sorrindo e levantando a mão, mas meus olhos se arregalam ao ver algo atrás dela.
Os cabelos loiros mais lindos que já vi na vida. Eu um dia fui apaixonada por ela, mas hoje nem ligo. A Morgana sorri em uma mesa cheia de meninas enquanto elas falam algo i****a, mas ela parece achar graça.
— Limpa a baba — o Brad passa a mão em meu queixo e bato o cotovelo nele, olhando para a fila da merenda.
— Para de graça. Hoje você está com o Patati e Patatá enfiados no **, né?
— Tá vendo como fica estressadinha quando falo das suas paixonites? Agora vamos comer porque gados também comem — bato nele, que ri, puxando minha mão em direção à fila para pegar comida.
O Matteo passa ao nosso lado sem olhar, e o Brad me olha de braços cruzados.
— Eu vou bater nesse branquelo m*l educado. Ele nem falou com você.
— Falou hoje cedo, mas não foi coisa boa, então só ignore.
— Depois nós que somos grossos e sem educação. Esses estereótipos sobre mafiosos estão errados.