Capítulo 2

2856 Words
CAPÍTULO 2 Emma bateu a porta com tanta força, que fez Madison surgir do corredor, assustada. “Senhor, achei que estivessem arrombando a porta.” Ela deu um suspiro aliviado e continuou tirando os brincos. “O que aconteceu com você?” Perguntou quando percebeu o estado da amiga. Emma estava com os sapatos e vestido em uma mão, caixa de cupcakes e bolsa no outro braço. Como ela equilibrou tudo isso até chegar em casa? Ela não sabia. Mas seu corpo gritava por descanso. Ela deixou a maioria das coisas na mesa de centro, e jogou-se no sofá. “Esse é o meu vestido?” Madison perguntou sorridente, pegando-o. “Sim, Madison, aí está o seu precioso que piorou o meu dia que já estava péssimo!” Reclamou, passando as mãos no rosto. “O que aconteceu, amor da minha vida? Você está horrível.” Perguntou. Emma abriu os olhos a encarando em incredulidade. Como se ela precisasse que alguém dissesse o óbvio. “Um taxista foi super i****a comigo, Maddie. Ele ficou correndo todo o caminho, e depois mandou eu descer do carro sem mais nem menos, só porque eu...” Ela estava um pouco constrangida de admitir o que tinha feito, então o tom de voz foi diminuindo na confissão. “Sujei todo o carro dele com os cupcakes.” Madison mordia a parte interna da bochecha tentando segurar o riso. Emma percebeu, e a encarou de olhos semicerrados esperando que ela ousasse ter a audácia de rir de sua situação. Felizmente ela engoliu em seco, e conseguiu deter a gargalhada que ameaçava escapar a qualquer momento. “Você o quê?” Perguntou totalmente descrente. Certo que coisas estranhas costumavam a acontecer com Emma, como na vez que um morador de rua mijou na perna dela, mas Madison ainda se surpreendia com os eventos da vida da amiga. “Ele fez eu me sujar com o café e eu revidei com meus bolinhos.” Deu de ombros, como se entendesse como uma troca justa. “Emma...” Madison juntou as mãos, como se estivesse prestes a rezar, mas era apenas um momento de reflexão para tentar encontrar as palavras para explicar a Emma, que ela não poderia sair sujando as pessoas porque elas foram grosseiras. “Você não pode fazer essas coisas e achar que é socialmente aceitável. Tem certeza que você não fez nada de errado? Ele realmente só te tratou m*l?” Questionou, fazendo Emma abrir a boca ofendida. “Por que você acha que eu fiz algo de errado? E como assim ‘Ele só te tratou m*l?’ Nada! Repito, nada! Pode justificar os momentos de terror que passei naquele táxi em alta velocidade.” Disse exaltada. “Certo, você tem razão. Ele é um i****a, e para ajudar na sua causa nunca mais pegarei um táxi na minha vida.” Madison ainda parecia não está levando a coisa toda a sério, e isso irritou ainda mais Emma, que bufou e cruzou os braços. Minutos depois a companhia tocou, e para a felicidade de Emma, era a única pessoa que poderia ter alguma empatia naquele apartamento. Daisy. “Ei, trouxe vinho!” Ela disse levantando uma sacola. Emma arrancou o pacote das mãos dela, ainda com a mesma carranca de quando chegou em casa. Ela deixou a porta aberta e uma Daisy confusa no tapete de entrada, enquanto rumava em direção ao sofá. Madison apareceu novamente, dessa vez jogando um moletom em cima de Emma. “O que aconteceu?” Daisy disse tirando a jaqueta e colocando outra sacola de papel no balcão da cozinha. “Emma decidiu se comportar como um macaco e começou a jogar coisas em estranhos.” Madison respondeu, pegando taças para servir o vinho que Daisy trouxera. “Vai se ferrar, não foi bem assim.” Ela reclamou trocando sua blusa suja pelo moletom que Madison a jogou. “Do que vocês estão falando?” Daisy estava confusa, mas já dava indícios que queria rir tanto quanto Madison quando Emma contou o que aconteceu. Para esclarecer as coisas melhor, ela decidiu contar toda a história do início, sem cortar nada. Por mais que ela se sentisse um pouco constrangida em confessar algumas coisas, ela pensou que o melhor jeito de mostrar que estava certa era expondo os absurdos detalhadamente. Mas ela não teve a reação esperada. Daisy estava ao seu lado no sofá, ainda a olhando de cenho franzido, e Madison estava debruçada no balcão da cozinha tentando disfarçar bebendo um gole de vinho, em uma tentativa de justificar a ausência de comentários.   “Você o humilhou, Emma. É claro que ele iria ficar bravo.” Daisy disse como se fosse óbvio. Emma riu, achando que era um dos delírios de Daisy e sua necessidade de problematizar as atitudes dela e de Madison. “Não humilhei não. Você acha isso, Maddie?” Claro que ela iria apelar pela ajuda da loira, que conseguia irritar Daisy com facilidade quando abria a boca para falar alguma piada s*******o. Mas até mesmo ela parecia concordar. “Então, fazer ele esperar sabendo que ele faria isso por precisar do dinheiro... foi meio humilhante. Mas se esse era o intuito, parabéns, você mandou bem.” Ela disse levantando o dedão em sinal de positivo e um sorriso encorajador. Daisy revirou os olhos, se perguntando o porquê dela esperar algo além desse tipo de comentário de Madison. “Ok, até mesmo ela viu o erro em toda a confusão. Acho que você deveria rever suas atitudes, porque ele foi até muito gentil em não te expulsar quando você o lembrou que pagaria de qualquer forma.” Daisy completou. “Isso não é justo. E desde quando você tem, sei lá, consciência de classe, Madison?” Apontou com raiva. “Transei com um empacotador semana passada.” Disse gesticulando, como se realmente uma transa casual fosse o suficiente para alterar a personalidade dela. “É como se eu pudesse sentir algo mudando dentro de mim, entende?” “Nesse caso, aconselho você a fazer um teste de gravidez.” Emma retrucou. “Ou um exame de doenças venéreas” Daisy completou com uma careta. “Vão se foder.” Disse vasculhando as compras que Daisy trouxera. “Você não trouxe aquela coisa artesanal novamente, não é? Jesus, era horrível.” “Era queijo, Madison. E foi feito com muito amor por vendedores locais, você devia comprar mais dessas pessoas e parar de enriquecer as grandes indústrias.” Ela defendeu. “Ah, realmente... você deve ter alimentado centenas de camponeses do oeste da França comprando essa beleza aqui.” Madison disse mostrando o rótulo da garrafa de vinho. “Como se vocês fossem beber um chardonnay qualquer, se eu trouxesse.” Reclamou, pois aparentemente era um grande sacrifício comprar coisas caras e ela só o fazia pelas amigas. “Sim, e você está salvando a camada de ozônio porque está dirigindo um carro elétrico. Já entendemos, Daisy.” Madison disse revirando os olhos, agora fuçando a caixa que Emma trouxera. Ela conheceu Madison no último ano do ensino médio, quando ela mudou para a mesma escola que a de Emma. Seu pai estava inaugurando um novo prédio, que tinha como intuito ser a sede principal de sua empresa de... papel. Sim, o pai de Madison fazia fortunas com desmatamento, como se Daisy não tivesse motivos suficientes para fazer cara feia para ela todas as vezes que a via. Madison estava extremamente revoltada, porque queria continuar na Califórnia, então em seu primeiro dia de aula ela fez questão de arrumar confusão com a garota que Emma odiava. Automaticamente elas se aproximaram, pois enquanto todos ficaram do lado de Ashley Garner, Emma defendeu a novata. Desde então elas se tornaram inseparáveis. Elas se tornaram a melhor companhia uma da outra, principalmente quando tinham jantares e festas de negócios chatíssimas, as quais eram obrigadas a participar por conta de seus pais. Era uma espécie de pacto, Emma iria nas de Madison, e Madison iria nas de Emma. Ninguém nunca era deixado na mão. Tudo ficou ainda melhor quando Madison começou a levar um cantil de whisky dentro da bolsa. Quase todas as vezes elas acabavam de porre, com seus parentes sem entenderem o porquê delas estarem tão alegres, mas satisfeitos por elas estarem felizes cumprindo suas obrigações.       E então elas foram para os anos de ouro, mais conhecido como: Os anos na universidade. Sem os pais por perto, ela perdeu a conta das vezes que elas se reversaram segurando o cabelo uma da outra para que uma delas pudesse vomitar, depois de uma noite de festas em fraternidades, e também das vezes que teve que tirar Madison de cima das mesas que ela estava dançando sem blusa. Emma aproveitou tanto quanto ela, mas colocando em uma balança, Madison tinha uma bagagem muito extensa de experiências. Talvez se Emma tivesse mais uns três anos no campus ela pudesse tentar igualar. Agora elas estavam realizando a fantasia de toda garota que tem sua melhor amiga, que era a de morarem juntas. Havia ocasiões em que elas se irritavam uma com a outra, seja por um casaco emprestado sem que uma delas soubesse de antemão, ou quando alguém tropeçava em um tapete de yoga no meio da sala. Mas elas realmente não viam como poderiam viver essa fase da vida sem ser perto da melhor amiga. Emma não conseguia se ver sem ter Madison e sua insensibilidade que iria irrita-la assim que ela pusesse os pés em casa, como ela acabara de fazer. E Madison não se via sem os dramas de Emma. Elas se completavam naquele yin-yang de futilidade. Por isso Emma desconfiava que a implicância que Madison tinha com Daisy, era em parte, ciúmes. Certo que Daisy tinha todo o perfil de pessoa que a irritava, mas Emma a achava extremamente agradável a maior parte do tempo. E ela havia acrescentado bastante nas noites de diversão das meninas. “Será que teria como vocês pararem? E por favor, alguém teria como pedir comida japonesa?” Emma interrompeu antes que elas começassem a discutir. “Estou ocupada agora.” Madison encarando o bolinho que tinha em mãos. Daisy ficou responsável por fazer o pedido, enquanto todas se acomodavam melhor para escolher o que iriam assistir. Houve uma longa discussão, que durou tempo suficiente até a comida chegar, e todas acabaram assistindo Dance Moms, como sempre acontecia. Ou era isso, ou s*x And The City. Elas sempre brigavam, e sempre voltavam para as mesmas séries, porque Daisy e Madison nunca entravam em um consenso, e Emma se aproveitava disso para assistir o que queria com a justificativa de apaziguar os ânimos. “Emma, você não tinha um encontro marcado para essa semana?” Madison lembrou repentinamente. “Eu não falei para vocês que desmarquei?” Perguntou confusa. Deus, havia sido tão imemorável todo o processo de conhecer aquele homem, que ela sequer lembrou-se de avisar as amigas que havia inventado uma doença para se livrar dele, ao menos durante aquela semana. “Não, você não nos disse nada. Rose deve estar te deixando maluca.” Daisy riu. “Por que você desistiu? Ele parecia bonito nas fotos... em alguns ângulos.” Madison tentou defender, mas sabendo que não era algo que ela poderia fazer no momento. “Ele parecia meu pai falando comigo, não sei explicar bem. Mas quando conversarmos por mensagens, ele só sabia falar de trabalho e em como a vida dele era corrida por ser um homem tão importante. Eu definitivamente não preciso disso.” Falou tomando mais um gole de vinho. Emma odiava como os homens que a cercavam pareciam ser esses protótipos de Bill Gates engravatados, sempre com as mesmas conversas e até mesmo... aparência. Talvez ela tivesse algum problema e estivesse procurando um pai ao invés de um namorado, e por isso nunca acertasse em uma opção viável. Apenas a mera possibilidade de que esse fosse seu problema, fez Emma começar a suar frio. “Jesus Cristo, será que eu estou em uma daquelas fases em que procuro o pai que nunca tive em qualquer homem na rua? Eu realmente preciso de terapia, tipo, para hoje mesmo se possível.” Ela já estava prestes a pegar o celular para procurar uma terapeuta, quando Madison o pegou de sua mão, a impedindo. “Claro que não. Talvez você devesse apenas aumentar a área de pesquisa do seu Tinder. Ou você acha que vai encontrar alguma variedade nessa região?” “Ela tem razão. Por exemplo, a quantidade de loiras como Madison chega a ser obscena por aqui.” Daisy disse brincando com seu hashi. “Eu não vou te xingar porque não entendi se isso foi uma espécie de insulto.” Madison retrucou. “Hm... talvez vocês tenham razão.” Refletiu. Se ela queria algo diferente, teria que sair desses típicos ciclos os quais ela vivia. O único momento em que ela se via mais distante do seu mundo, era quando estava no trabalho, e mesmo assim, ainda havia Daisy sendo uma parte de sua bolha.     Ela realmente sentia que precisava de algo diferente, mesmo que ela estivesse destinada a ter um almofadinha como marido, já que seus pais não aceitariam nada diferente disso, ela definitivamente poderia procurar opções melhores para uma boa noite de sexo casual. Era o tipo de coisa que Madison fazia constantemente, t*****r com qualquer estranho que a fizesse sentir minimante atraída. Ela dizia que contanto que você esteja se protegendo, não há necessidade de ter o número de alguém que você não pretende ver de novo. Por algum motivo, quando ela pensou em alguém diferente do que ela estava acostumada, ela pensou no taxista. Primeiro foi na nuca, com aquele corte de cabelo, depois em como ele parecia não ligar se estava de barba feita ou não, ou em como ela parecia bravo. Depois em seus braços, que não eram exageradamente fortes, mas ainda assim, ainda haviam músculos salientes quando ele os tencionou com raiva. Ela sentiu a boca secar, e rapidamente sacudiu a cabeça tentando se livrar dos pensamentos. Mesmo que só ela estivesse ciente de seus devaneios pecaminosos com ele, Emma sentia como se ele ainda estivesse vencendo, quando pensava nele daquela forma. “O taxista, ele era bem gostoso.” Confessou. Ela não aguentava guardar as coisas para si por muito tempo. Madison pareceu engasgar com o vinho, o que rendeu um olhar irritado de Emma, pois ela estava sujando o sofá. “Certeza? Um motorista de táxi? Esse é um tipo totalmente inusitado, tenho que admitir.” Daisy riu. “Como assim ele não era um senhor barrigudo e calvo? Quer dizer, se for também não há problema nenhum.” Madison disse dando de ombros. “Você é nojenta. E não, ele na verdade parecia ser bem jovem. Talvez por isso não soubesse como tratar um passageiro.” “Por que você não pagou a corrida com um boquete? Vi que isso anda sendo bem comum nos aplicativos.”   “Madison, você definitivamente não deveria falar esse tipo de coisa.” Daisy disse com cara de nojo. “Por quê? Boquetes te assustam?” Como se não pudesse ficar pior, Madison fez gestos obscenos para provocar Daisy. A resposta foi uma embalagem de arroz no rosto, que arrancou gargalhadas de Madison. “Enfim, eu acho que isso é uma péssima ideia porque ela nem sabia se ele tem namorada ou não. Você não quer chupar alguém e no outro dia dar de cara com ela, o marido e o dois filhos de cinco anos no Central Park.” Emma parou a taça no meio do caminho que ela fazia em direção a sua boca, e Madison deu uma pausa na limpeza que estava fazendo no cabelo, tentando tirar os pedaços de arroz que haviam caído. “Isso foi assustadoramente específico.” Emma disse de cenho franzido. “Que tipo de mulheres você anda encontrando nesses aplicativos, sua maluca?” Madison perguntou com uma expressão quase idêntica à de Emma. “Nada que vocês devam se preocupar. Só... não chupe ninguém com família.” “Hm, não sei... algo sobre ser uma destruidora de lares realmente me deixou excitada agora.” Madison disse sem nenhum pudor. “Falei isso para a Emma. De você eu já espero esse tipo de coisa.” “Ei, foi você que confessou que acabou com a vida de um garotinho fazendo os pais dele se divorciarem.” “De onde você tirou isso? Eu nunca disse que eles se...” “Ok, eu acho que já entendi o recado. Nada de boquetes em estranhos.” Emma disse encerrando a discussão antes que elas perdessem mais tempo. Madison iria falar qualquer tipo de besteira para tirar Daisy do sério mesmo. “Sabe o que eu acho? Que deveríamos sair amanhã, ir em uma festa em East Village. Assim você pode começar sua caçada pelo melhor sexo sem compromisso da sua vida.” Madison sugeriu. E de todas as coisas que ela disse durante a noite, aquela havia sido a única que realmente parecia uma boa ideia.   
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