Capítulo 5

2678 Words
CAPÍTULO 5 “Daisy, eu realmente não sei o que faria sem você.” Ela agradeceu, logo em seguida pegando uma garrafa de água na geladeira e bebendo tudo tão rapidamente, que estava escorrendo pela boca e descendo pelo pescoço. Emma tinha tanta sede, parecia que ela havia comido uma reserva de sal inteira, ou como se tivesse bebido cinco litros de água do oceano. Mas ao invés disso, fora apenas uma quantidade ridiculamente grande de drinks sofisticados. Ela estava começando a odiar destilados. “De nada. Acabou servindo para nós duas, no fim das contas.” Sorriu, mas ainda com uma espécie de careta no rosto por conta da nojeira que Emma estava fazendo. Daisy acordou mais cedo, para terminar de vomitar as entranhas e tomar um banho, e vendo que não teriam a mínima condições para ir trabalhar, ela fez uma montagem de Emma no hospital, falando que estava acompanhando-a. Emma achou uma ideia i****a, mas aparentemente, Rose havia acreditado quando a secretária mostrou-lhe a imagem, e respondeu a mensagem de Daisy falando que Rose desejava melhoras. Ela não sabia dizer se Daisy era muito talentosa no photoshop ou se sua chefe que era uma daquelas mulheres velhas confusas com a tecnologia. Pelo amor de Deus, a mulher estava constantemente vendo fotos editadas para pôr na revista, como ela não percebeu a farsa? Emma desconfiava que ela, sequer, havia olhado a imagem, e apenas mandou Lindsay enviar a mensagem desejando boas coisas. Sim, definitivamente esse fora o caso. Mas também veio aviso de que os prazos eram os mesmos para entrega de seu material da semana, ela poderia relevar a falta, mas estava inflexível quanto a essa parte. Emma estava bem com isso, contanto que ela não precisasse ir até lá ou dar maiores satisfações. Trabalhar em casa seria mais que suficiente por aquele dia. “Você fez um ótimo trabalho, tenho que admitir.” Madison disse devolvendo o celular de Daisy, depois de dar uma olhada na obra renascentistas que estava rendendo um conveniente dia de folga. Madison estava com uma ótima cara. Mesmo que tivesse manchado todo o travesseiro de Emma com maquiagem, ela já estava de banho tomado, com roupas confortáveis e segurando uma xícara de chá, sentada em um dos bancos da ilha da cozinha, ao lado de Daisy. Emma também já havia se lavado, mas estava com olheiras e seu cabelo castanho fora preso de qualquer jeito em um coque frouxo, parecido com o de Madison. Ela vagou pela cozinha distribuindo analgésicos, e estava para preparar um suco verde para seu ritual de desintoxicação. Mas estava parando constantemente para não morrer desidratada, e esperando o remédio fazer efeito para não explodir sua cabeça com o barulho do liquidificador. Daisy também havia se trocado, trajava uma camisa folgada e shorts de dormir. O cabelo curto, quase da mesma tonalidade do de Emma, estava molhado, respigando um pouco no tecido de algodão. “Tá, agora vamos ao que interessa. Seu romântico encontro no banheiro.” Madison disse mexendo as sobrancelhas. Emma suspirou e virou-se, pegando três colheres que estavam no congelador e passando uma para cada uma das garotas. Ela sempre se certificava de deixar esse tipo de coisa pronto antes de sair, ajudava na hora de tratar o rosto, quando ela colocava contra as bolsas arroxeadas ao redor dos olhos. “Foi horrível.” Ela recostou-se no balcão, lembrando de colocar a colher no pescoço para diminuir as manchas que estavam lá. “Pensei que ficaria sem andar por dois dias ou algo assim. Na verdade, até apelidei ele de Atom, sem que ele soubesse, claro. Mas quando ele abaixou as calças...”  Ela fez uma careta deixando o mistério no ar. “Ele tinha o p*u sujo?” “A gola rolê era muito grande?” As meninas tentavam adivinhar. Ouvindo as sugestões, Emma teve certeza que não significava tanta coisa, poderia ser bem pior, por exemplo, um caso grave de gola rolê. Quando você nunca sabe o que pode encontrar por baixo. “Não. Ele só tinha o p*u pequeno. Tipo, muito pequeno, de um jeito não normal.” “Você só pode estar de brincadeira... Aquele armário?” Daisy perguntou incrédula. “Cristo, isso está ficando cada vez melhor.” Madison disse com um sorriso sacana, puxando uma garrafa de vinho branco que estava perto dela e colocando dentro de sua xícara. “Não estou brincando. Era meio que isso:” Ela pegou a colher, marcando com o dedo a parte que correspondia ao tamanho do pênis. As meninas começaram a rir, até mesmo Daisy estava rindo muito. “Seu gigante de aço era na verdade de plástico. Pobre Emma...” Madison disse com falso pesar. “E o que você fez?” Daisy perguntou curiosa. “Sim, o que você fez? Caiu de boca?” “Eu...” Emma olhou para cima, e depois para o chão, sem conseguir encarar as amigas. Como ela poderia explicar o que fez? “Acabei rindo. Mas eu juro que foi sem querer, eu juro.” Ela justificou lamentando-se. “Não posso acreditar que você fez isso...” Daisy disse com um riso, só que dessa vez era de incredulidade. “Estou realmente amando essa introdução do tutorial: Como acabar com a autoestima de um homem.” Madison disse sarcástica. “Eu juro que tentei concertar depois, mas...” “Garota, garanto que você piorou tudo. Até mesmo um boquete soaria como uma espécie de prêmio de consolação em um momento desses.” “Os homens realmente ligam pra isso?” “Muito!” Madison e Emma falaram em uníssono. “É... você errou feio então.” Daisy disse, como se Emma precisasse de mais peso na consciência. “Eu sei.” Disse suspirando. “Mas que bom que você está viva para contar a história. Aquele homem teria acabado com você.” Madison disse, enfim, oferecendo uma palavra de conforto. “Sim? E uma parte de mim queria muito que isso tivesse acontecido. Poxa, Maddie, eu realmente não me importei com o tamanho. Foi só... o choque inicial.” Deu de ombros. “Bem, aconselho que você passe a mão antes das pessoas começarem a tirar a roupa. Você já irá para as vias de fato sem ter esse tipo de surpresa, e poupa os seus parceiros de um constrangimento.” Madison deu uma pausa, bebendo um gole da sua mistura exótica, e voltou a falar. “É como passar a mão por um pacote de biscoitos, para saber se eles estão todos inteiros ou esfarelados.” “Ótima analogia, Madison.” Daisy disse, não ironicamente, enquanto passava a sua própria colher para o outro olho. “Obrigada.” Emma estava pensativa, se perguntando como ela não havia percebido o que estava rolando enquanto ainda dançavam. Fora apenas desatenção. Se ela tivesse o número ou endereço, poderia ao menos mandar, quem sabe, um jarro de flores ou algo assim. Não, na verdade, essa era uma péssima ideia. Ela surtaria se alguém, por exemplo, risse de seus p****s pequenos e no dia seguinte mandasse flores para se desculpar. Mas não fazia diferença agora. Emma iria cortar seus limões, pepinos, couves e gengibres para o seu suco, e seguiria sua vida. O que estava feito não poderia ser mudado, e que convivessem com isso. Ela e Atom. “Acha que devemos tentar novamente esse fim de semana?” Madison perguntou, se referindo a sair mais uma vez. “Acho que vou tentar um encontro por algum aplicativo. Receber nudes e essas coisas...” riu. “Graças a Deus. Eu já estava prestes a sugerir algo mais calmo, meu corpo não tem mais dezoito anos.” Daisy disse gemendo e colocando os dedos nas têmporas. Sua dor de cabeça ainda devia estar intensa.   Ela não costumava ter tanta sorte em encontros online, porque sempre parecia ter um porém. Ou a pessoa era muito diferente pessoalmente, tinha alguma mania esquisita, ou simplesmente era alguém se passando por outra pessoa. E eles normalmente sempre faziam questão de um jantar ou passeio antes. Ela não estava com ânimo e nem paciência para algo assim, mas a mais recente experiência a deixou um pouco receosa quanto a uma nova tentativa de fast f**a. Felizmente as meninas passaram a tarde com ela, ajudando a fazer um brunch improvisado. Emma conseguiu colocar algo sólido no estômago, e só quando o fez. Percebeu o quanto estava faminta depois de longas horas sem comer. Com energias renovadas, ela alcançou o computador no quarto e foi para a sala, onde Daisy estava sentada em uma extremidade do sofá usando o celular, e Madison estava na outra, com os olhos grudados na televisão assistindo um episódio de Keeping Up With The Kardashians. Também havia suas velas perfumadas acessas, o que a deixava mais relaxada. Emma escreveu dois parágrafos, até se distrair com o episódio do reality. “Essa é o que ela perde o brinco de diamante em Bora Bora? Isso definitivamente merecia um Emmy.” Ela fechou o computador, distraindo-se com as cenas em que Kris tenta ajudar a filha. “Certo? As temporadas antigas são as melhores.” Madison concordou. De início, Daisy não pareceu ligar muito, mas seus olhos começaram a escapar com frequência para a televisão para entender o contexto dos diálogos que estava ouvindo, e de repente, ela já estava tão imersa quanto as meninas, que fizeram pipoca e estavam passando a tigela de um lado para o outro. “Me mata admitir que realmente estou gostando isso, mas tenho que ir. Preciso ir no Central Park tirar algumas fotos.” Quando sua amiga citou o trabalho, Emma lembrou-se que tinha que fazer o dela. E isso incluía ir a algumas lojas para acrescentar material para o seu manuscrito. “Oh, meu Deus! Estava quase esquecendo que tenho que ir ver as liquidações.” Disse levantando de súbito. “Emma, você já pensou em comprar uma agenda ou algo assim? Ou, sei lá, colocar lembretes no seu telefone?” Madison disse com ironia. Ela não estava errada ao todo. “Eu anoto as coisas em uma agenda, ok? Eu só esqueço de verificar as coisas que coloquei lá.” Ela não poderia fazer tudo também, não é mesmo? uma coisa de cada vez.       “Vou me trocar. Você precisa de uma carona?” “Sim, claro. Irei me trocar também, só um minuto.” Emma correu para o quarto, se perguntando como ela poderia ser tão burra. Ela estava procrastinando tanto para chegar nessa parte, que nem se deu conta que estava faltando coisas e era essa maldita “pesquisa de campo”, como Rose chamava. Acontece que ela poderia terminar o artigo minutos antes do prazo de entrega, mas precisava acrescentar alguns números como referência, e essas promoções relâmpagos tinham data para acabar. “Não acredito que você continua fazendo isso.” Madison disse rindo, olhando Emma da cabeça aos pés. Ela estava vestindo um lenço na cabeça, óculos de sol e um grande casaco. Havia um pavor que Emma nutria em ser vista nos lugares que Rose mandava ela ir, mesmo que muito dificilmente ela fosse ser reconhecida por alguém, já que as pessoas do seu ciclo social jamais estariam rondando por aqueles lugares. Provavelmente só Daisy, para tirar fotos ou ser um estranho no ninho no meio de algum protesto. “Claro que sim. Se você acha bobagem, bem que poderia ir fazer isso por mim.” Retrucou. Nada a deixava mais estressada que os dias que ela tinha que fazer isso. Madison levantou as mãos em rendição, mas ainda com um sorriso i****a no rosto. “Boa sorte com o trabalho de vocês.” Desejou, ganhando um aceno de cabeça de Daisy e um “Que seja.” De Emma. Ao menos ela estava grata pela carona que havia ganhado. O carro era extremamente confortável, e sua amiga a deixava escolher as músicas. Emma era uma péssima motorista. Reprovou no exame inúmeras vezes, e quando conseguiu sua carteira, bateu o carro duas semanas depois. Mas ela não desistiu. Seu pai comprou um novo, e ela acabou o largando em um engarrafamento. O trânsito parecia que nunca iria andar, e ela estava de TPM, e sem nenhum emocional para ficar horas e horas esperando. Então ela simplesmente o largou e saiu andando irritada, esbarrando em tudo e todos. Desde então ela achou que era melhor simplesmente se virar e esquecer a ideia de ter um veículo, ao menos enquanto morasse em Nova York. Depois que Daisy a deixou em seu destino, ela saiu em busca da lojas que correspondiam ao pedido de Rose. Ela anotava tudo no telefone e tirava algumas fotos discretamente. Deus, ela realmente odiava seu trabalho. Estava escurecendo cedo, como sempre acontecia quando estava nas estações mais frias, então ela se deu por satisfeita, pronta para ir para casa e terminar tudo naquela mesma noite. Bem, era o que ela pensava que iria fazer, pois seus planos foram por água abaixo quando ela percebeu que Josh estava saindo de uma loja, e parecia caminhar em sua direção. Emma parou abruptamente, e praguejou baixinho. Se perguntou o que ele estaria fazendo, ainda mais naquele horário, quando ele devia está saindo do trabalho. Mas ela lembrou-se que nem mesmo ela respeitava as regras sobre sair mais cedo sem permissão, que dirá o sobrinho da chefe. E era óbvio que ele estaria perambulando pelas redondezas, não se acha camisas de super-heróis bregas como as que ele usava em lojas da Quinta Avenida. Ela tentou raciocinar, imaginando que talvez ele não a notasse, mas seu casaco era muito chamativo e Josh era tarado demais para não olhar para uma mulher que passasse por ele. Se ele a visse, iria dedurar Emma e sua doença falsa, e por mais que Rose não fosse demiti-la, ela encontraria um jeito de puni-la de alguma forma. Há algumas semanas atrás, ela não se importaria, mas ela havia xingado ele e quebrado um de seus bonecos colecionáveis. Josh não iria ter piedade. Em uma medida drástica, Emma correu em direção ao trânsito, desesperada para chegar ao outro lado da rua. Só que o sinal não estava fechado, e os carros começaram a frear e buzinar, com direito a alguns xingamentos de motoristas furiosos. Ela viu a felicidade por breves momentos. Era questão de alguns passos para ela se ver livre do maluco da copiadora e seguir seu caminho para casa. Foi então que ela sentiu o impacto. E tudo ficou preto. Emma nunca tinha reparado em como o céu era cinza naquela parte da cidade. Provavelmente era porque ela sempre andava por lá de cabeça baixa, para que não vissem seu rosto. Mas agora, deitada no chão depois de um lapso de inconsciência, ela percebeu. O céu era cinza. “Meu Deus, você está bem?!” Perguntou uma voz que não parecia estranha ao todo. E foi quando o dono dela apareceu em seu campo de visão. Ela semicerrou os olhos, e enquanto tentava reconhecer aquelas feições, Emma parecia não conseguir ouvir o que ele falava, como se o homem estivesse no mudo. O corte de cabelo. A barba por fazer. A pele bronzeada. As íris castanhas, essas que ela poderia ver com riqueza de detalhes, pois estava próximo de seu rosto. Ela conhecia aqueles olhos. Emma tinha os visto em um retrovisor de um táxi dias atrás. Havia juntando uma pequena quantidade de pessoas em volta, chamando a emergência e interessados em saber se ela estava bem. Franziu o cenho, e em meio a protestos para que ela ficasse quieta, Emma mexeu a cabeça para o lado para ver o que tinha a atingido. E lá estava o carro amarelo. Foi quando ela tirou o lenço, e o encarou. Ele parou de falar pela primeira vez desde o momento que saiu do carro, e sustentou o olhar de Emma. Ela percebeu a onda de horror atingir ele, quando o motorista notou que se tratava de sua passageira maluca. “Você?!”  Gritaram um para o outro. 
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