A briga

1617 Words
Durante a semana, as brincadeiras do grupinho das najas só pioraram. Fizeram incitações maliciosas sobre o Theo que o fez chorar, coisa inédita, pois nunca imaginei vê-lo  chorando, ele sempre transparecia ser invulnerável, confiante . Colocaram até um cadeado na alça da mochila do Willian, de modo que tiveram que chamar a diretoria para abrir o cadeado. E comigo, eles se superaram, a escola estava cheia de poças de lama, pois chovera de manhã. Então, na hora do intervalo, o Leo me pegou em um momento desprevenido e me derrubou em uma das poças, todos ao redor, do primeiro ao terceiro começaram a rir, incluindo os amigos do meu irmão, Rafael e Thomas, ambos não fizeram nada, hipocrisia para o que disseram antes. Eu não me aguentei, fúria desceu para os meus punhos, de modo que voei em cima do Leo, estava cansado de ser tratado assim, então revidei, mas ele era muito mais forte que eu, como sou apenas um magrelo que não sabe brigar, pois nunca fizera isso em todo o meu histórico escolar. O Leo com toda a sua força deu apenas um soco no meu olho sendo o suficiente para me deixar tonto e desnorteado, porém ainda não me dei por vencido, depois de um tempo rolando pela poça, nos debatendo, o vice-diretor apareceu e nos arrastou para diretoria. Chegando lá, nos lavamos e nos deram roupas limpas, uniformes velhos dos achados e perdidos, que no caso, nunca foram buscados. Após nos trocarmos, sentamos nas poltronas confortáveis e agradáveis da sala da diretora, as duas eram de frente para sua mesa, aguardávamos ela chegar, havia um espelho na extremidade da minha direita na parede da sala, fui reparar se meu rosto estava tão r**m assim, pois latejava de dor, e de certo modo, meu olho direito, o local onde o Leo havia esmurrado se encontrava roxo, disparei um olhar de ódio para o Léo que estava sentado na outra poltrona ao lado distraído, ele reparando que eu o encarava de forma mortífera, dá um sorriso forçado e diz: - Qual é Wally, se você não tivesse ido pra cima de mim, isso não teria acontecido - ele diz entre os ombros. - Se você não tivesse me empurrado na lama, isso não teria acontecido - rebato entre os dentes. - Só foi uma brincadeira, você parece que nunca está de bom humor. Reviro os meus olhos para outra direção, encerrando o assunto. A diretora chegara ao lado de um aluno, quando reparei melhor no rosto do indivíduo, vi que era o Igor, eu estranhei e indaguei perplexo: - O que ele está fazendo aqui? - Silencio! - diz a diretora severa. Ponho o meu olhar cerrado para a direção do Igor, desconfiado, e ele da um sorriso cínico e sussurra próximo de mim, enquanto a diretora abria e escrevia uns papeis. - Ora, eu sou uma testemunha do fato que ocorreu. – coloco minha mão no rosto, já prevendo que ia acontecer algo r**m. Por que de tanta gente que presenciou o fato, ela chamou, justamente o Igor? Observo melhor a diretora, ela tem cabelos curtos e pretos da cor do carvão, óculos em formato quadrado, uma pele um pouco enrugada, magra, um pouco mais gorda que eu, ela dispara um olhar serio para mim e depois sibila, encerrando o silencio que pairava na sala. - Então você é o senhor Nasc - ela revira o olhar agora serio para o Leo e prossegue - e você, presumo que seja o senhor Vinicius? Ambos assentimos. - Chamei o senhor Costa aqui para averiguar os fatos, ou seja, ele será uma testemunha - O Igor dá um sorriso maléfico - Bom, não fomos apresentados devidamente, meu nome é Miriam. Após isso, a diretora Miriam pediu para ambos contarmos nossas versões e no fim, disse: - Agora quero ouvir a versão do senhor Costa. - Bem, eu vi a cena toda senhora diretora – Igor faz uma cara de inocente e continua - o Wally estava andando próximo a poça de lama - diz, e fico até satisfeito, pois o Igor pode ser o que for, mas acho que ele não é injusto - e... então, o Leo se aproximou, e o Wally de repente o jogou na poça, sem mais nem menos - rapidamente o interrompo. - Não foi isso que aconteceu! - Exclamo, injurie. - Basta! - ela grita, parecendo um cão raivoso, antes mesmo de eu tentar me justificar - deixa o senhor Costa continuar - esbraveja me fitando com um olhar mortífero. - Então o Wally se jogou em cima e tentou bater no Leo, mas para se defender o Leo dá um soco no olho do Wally, e é isso diretora Miriam. - Tento me segurar o máximo para não gritar. - Bom, senhor Costa e senhor Vinicius estão dispensados e você senhor Nasc , preciso que aguarde, quero dar umas palavras com os seus pais hoje. - Eu tento protestar, mas ela não me escuta e sai da sala sem nem olhar para trás, mas antes, ela diz - Aguarde aqui, enquanto seus pais chegam. Senti-me traído, injustiçado, como se todos tivessem conspirado contra mim, acho que ninguém nessa escola gosta de mim, começando com aquela mulher maldita, a coordenadora Sol que me trocou de sala, se eu tivesse continuado na sala do Geovanni, nada disso teria acontecido. Logo minha mãe chegou, olhou para o meu estado e me abraçou, conferindo todas as partes do meu corpo para ver se eu estava bem. - Filho o que aconteceu? Você não é de se meter em confusão - diz preocupada. - Eu–eu – abaixo o meu olhar com receio. A diretora entra na sala, ela olha atentamente para a minha mãe e para mim, nos analisando do pé a cabeça, após isso arqueia uma das sobrancelhas, como se percebesse que algo estivesse faltando e pergunta: - Cadê o pai do senhor Nasc? Minha mãe, astuta e ríspida diz. - Não há a necessidade de ele estar aqui, podemos prosseguir? – ela olha para a diretora Miriam impaciente. - C- Claro – diz ela um pouco nervosa com a atitude repentina da mesma.  Seguro uma risada, colocando uma de minhas mãos para esconder meu riso, ver a diretora perdendo a pose de durona foi muito engraçado, minha mãe me reprende com o braço. Sabia que aquilo podia acontecer, pois minha mãe odeia quando alguém pergunta sobre o meu pai, bem, sobre ele, como a maior parcela dos brasileiros, digamos que o meu pai foi comprar cigarro e nunca mais voltou... A diretora prossegue, pedindo para eu contar a minha versão novamente, e logo ela conta a versão do Leo e do Igor, que por coincidência se batem, como se os dois tivessem planejado antes. Algo até estranho, uma vez que ambos não se gostam, mas é como aquele ditado: "o inimigo do meu inimigo é meu amigo". Minha mãe não convencida rebate: - E como você pode garantir que eles não estão mentindo? Pois você vai acreditar no relato de apenas um aluno – Minha mãe dois, diretora zero, tento segurar outra gargalhada, mas dessa vez a diretora Miriam percebe. Ela já nervosa com a situação embaraçosa, pede para me retirar incomodada, agora ela queria conversar sozinha com a minha mãe, então fui para o jardim, chorando aos ventos. Não esperava o que podia acontecer comigo, morria de medo de ser expulso. Como o jardim é praticamente na frente das salas dos primeiros , separados apenas por um corredor com pilastras que segura o telhado das salas. Olho para a minha classe, e consigo ter uma visão da parede da lousa, estavam tendo aula de Inglês, pelo que dava para se escutar. De repente, surge o Luiz na porta com algumas garrafas vazias, presumo que ele vai enchê-las. Ele olha para mim e percebendo as lagrimas em meu rosto se aproxima, aparentemente, preocupado. - Soube o que aconteceu e quero que saiba que acredito em você Wally, cem por cento, sei que não é de brigar. – coloca sua mãe sobre o meu ombro, passando sua calmaria. - É, mas a diretora não acredita em mim - enxugo as minhas lagrimas com a costa das minhas mãos. Ele me da um abraço tão confortante que fico sem ar. Não esperava aquela atitude, de repente, qualquer tristeza que se encontrava, some, como se ele tivesse aberto o céu nublado dentro de mim, dando lugar a um lindo arco íris. Engulo minhas lagrimas e o agradeço.  - Não se preocupe, vai dar tudo certo - diz tentando me animar - bem preciso ir agora - gesticula com as mãos. Ele se retira para o bebedouro e logo retorna para sala. Alguns minutos se passaram e minha mãe sai da diretoria com uma cara de finalmente, já cansada da longa conversa, se aproxima de mim e diz: - Eu acredito totalmente em você filho - ela da um sorriso e me conforto - vamos para casa, acho que você já teve de mais por hoje. - Mas e a diretora? E o que vai acontecer comigo? - pergunto confuso.  - Não se preocupe com ela, mamãe deu um jeito nessa mulher. Depois de ela ter dito aquilo, imaginei minha mãe e a diretora em um ringue brigando e minha mãe dando um nocaute nela. Aquilo me fez soltar um sorriso. No carro, fico pensativo no abraço quente do Luiz, é como se ele fosse a minha luz no fim do túnel, naquela escola onde parece que ninguém gosta de mim, mas mesmo assim, eu não o entendo, por que me tratar diferente na frente dos outros? O que isso ia mudar?...
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