O dia já havia começado m*l com a briga que tive com o meu irmão, como todo irmão brigamos por coisas mínimas, como: de quem será a vez de usar o computador e entre outros, porém dessa vez a coisa foi f**a, mas não me deixei abalar. Chegando à escola, sentei no meu canto e fiquei na minha, queria ficar sozinho, abaixei a cabeça e os pensamentos tomaram conta da minha mente, "será que todos me aturam por pena?", "será que há uma cura para esse tipo de sentimento que tenho com o Luiz?".
As horas se vão e chega o intervalo, o Luiz como sempre estava com o grupinho das najas, mas precisava perguntar uma coisa para ele, com relação ao trabalho que íamos fazer em grupo, me aproximei da mesa que eles estavam sentados, meio receoso, com medo dos olhares julgadores. Eles zoavam enquanto ouviam funk em uma pequena caixinha de som. A Flavia começou a disparar um olhar desconfortante para mim, eu a ignorei e me voltei ao Luiz, disse sobre o trabalho, mas fui interrompido por ela.
- Qual é? Sua cabeça de alfinete – todos começaram a rir, incluindo o Luiz – Vem falar de trabalho agora? Me poupe né? Vai comer pra engordar!
Todos riem novamente, disparo um olhar para o chão, queria tanto me defender, mas sempre quando eu sou ignorante com alguém, ou algo do tipo, fico com receio e me sinto m*l, então permaneço calado.
- Acho que na casa dele nem deve ter comida, deve morar debaixo da ponte – diz o Leo.
- Nem isso, deve morar com as gazelas – diz a Claudia.
- Sua b******a, Lambisgoia, Graveto! – Todos começaram a me xingar em uníssono, menos o Luiz e a Beatriz que só observavam rindo.
Aquelas palavras nem me atingiram tanto quanto o fato do Luiz não ter me defendido, pensei que éramos amigos, não! Talvez foi só a grande expectativa que criei sobre ele... Retirei-me de lá com um monte de lágrimas nos olhos, fui para o banheiro, chorar o intervalo inteiro dentro de uma das cabines. Por que as pessoas são tão cruéis? Senti falta dos meus antigos amigos, Geovanni, José Tiago, Rogério e Pedro. Lembrei que até eles me abandonaram, o Geovanni só me procura quando necessário, o José Tiago nem me olha nos olhos, como se eu fosse inferior a ele, o Rogério foi para o período da manhã e o Pedro está em outra escola... Sinto que realmente não pertenço a nenhum grupo, é como se eu fosse um peso morto a todos. Como Ketlin disse, digno de pena.
Às vezes parecia que o mundo não precisasse de mim... Talvez a única solução seja a... - Naquele momento eu conseguia enxergar apenas a escuridão, tudo a minha volta transparecia a obscuridade. Olhei para o meu pulso, observei as minhas veias ressaltadas esverdeadas, imaginei uma faca nelas, jorrando sangue até o momento que eu caísse em um sono profundo... Não, eu lembrei o que a igreja pregava, provavelmente eu iria para o inferno que seria pior que a minha vida. Não queria isso, ainda...
Entrei na sala enxugando as lagrimas disfarçadamente e fiquei no meu canto excluído dos outros, com a cabeça baixa, para falar a verdade, nunca senti que realmente fazia parte daquele grupo. Fiquei mais aliviado e ao mesmo tempo triste por ninguém vir perguntar se estava tudo bem. Quando o sinal bateu, peguei minhas coisas o mais rápido possível para não encontrar o Luiz no caminho, e infelizmente ele surgiu atrás de mim, me impedindo de prosseguir, ele me cutuca.
- E ai? Por que não me esperou?
- Acho que você sabe a resposta – digo seco.
- Ah... Sobre o pessoal? Eles só estavam brincando.
- Se isso é brincar não quero nem saber quando é levar a serio mesmo – digo entre os dentes, apresando os meus passos.
- Ah para Wally! – ele segura um de meus braços e me puxa com força para perto.
Fico muito próximo de modo que consigo sentir o seu cheiro, ele cheira a baunilha, nos dois nos afastamos rapidamente, eu coro... desvio olhar para o chão tímido.
- Desculpas! Eu não pensei que fosse te magoar. – ele diz com uma voz doce.
- É, mas do mesmo jeito você fez.
- Eu já pedi desculpas – ele diz fazendo biquinho e cosquinhas em mim.
Eu cedo e começo a rir. Mas depois lembro que estou bravo com ele e cruzo os braços, encho as bochechas e desvio o olhar.
- Você fica bonitinho bravo – ele da um soquinho no meu ombro e dá um sorriso.
- Ah! Tá bem! - exclamo ao ar.
- Eh?
- Eh o que? – digo me fazendo de desentendido.
- Você me perdoa?
- Eu te perdoo – suspiro derrotado.
- Esse é o Wally que conheço – Ele me da um abraço e o aroma de baunilha toma conta do meu olfato novamente, fico sem reação, não sei se devolvo o abraço ou fico parado mesmo.
Eu não sei, mas em instantes ele conseguiu tirar qualquer resquício de raiva que tinha dentro de mim. Perto dele eu só queria ver o seu sorriso com suas covinhas e admirar os seus lindos olhos. É até um fato estranho se pensar, é como se eu tivesse criado uma relação de dependência com ele, mesmo eu estando magoado, o fato de eu saber que quando estivermos sozinhos ele vai agir diferente, já me alivia, uma vez que, o pouco de afeto que ganho fosse necessário e me súplice. Não consigo ficar bravo com ele, é louco o que a atração faz com a gente, nos torna gados, peço que não me julguem, você já devem ter se sentido assim? Se submeter a humilhações apenas para se contentar com o pouco, bizarro, mas é tudo ainda muito novo para mim.
Fomos indo conversando sobre o quanto matemática é difícil, me despedi dele e continuei o meu caminho para minha casa, pensativo. Talvez ele tenha vergonha da minha amizade, por isso que na frente das Najas ele age de uma forma e sozinho comigo ele age de outra forma. Por que as pessoas tem tanto problema com a minha aparência? O que me deixou mais m*l, somado com tudo, é que quando estava passando por uma moça na causada, ela ficou disparando um olhar de desdém. Chegando em casa, fui direto para o meu quarto chorar muito. Eu queria ser tele transportado para outra dimensão, onde todo mundo é igual a mim. Assim, ninguém me trataria diferente...