Rocco Narcici Ela pega o prato, os talheres, a taça de vinho… e simplesmente vira as costas pra mim. Sem hesitar. Sem olhar de novo. Só vai embora, pisando firme no chão como se cada passo fosse uma resposta, um limite, um aviso. E eu fico aqui. Sentado. Olhando para a comida. Sentindo o cheiro do vinho abrir na bancada. E percebo, sem nenhuma surpresa: perdi a fome. É sempre assim. Eu não funciono mais como um ser humano normal. Como alguém que sabe conversar. Como alguém que sabe manter… qualquer coisa. Eu me tornei um homem péssimo para diálogos. Seja qual for o assunto e com quem for. Eu não sou mais maleável. Não sou claro. E, principalmente, não consigo falar de mim. De coisas pessoais. De coisas que realmente tem raízes. Não consigo. Eu travo. E o mais irônico é que eu já

