Rocco Narcici Eu encaro os fios de cabelo como se fossem uma afronta pessoal. Eles estão ali, dentro daquele pacote transparente, inofensivos à primeira vista, quase ridículos. Um detalhe banal. Um nada. E, ainda assim, são capazes de carregar uma bomba inteira dentro de mim. Sabrina deixou isso aqui como se fosse a prova de algo que eu me recuso a aceitar. Como se um punhado de fios pudesse redefinir a minha existência. Não. Não pode ser verdade. Eu aperto o maxilar com força, sentindo os dentes rangerem. Não existe nenhuma possibilidade lógica de eu e Matias termos quaisquer grau de parentesco. Nenhuma. Nós não nos parecemos em absolutamente nada. Nem no rosto, nem no corpo, nem no jeito de falar, de andar, de pensar. Ele é impulsivo, instável, invejoso, mäl caráter e mais. Eu sempr

