Rocco Narcici O silêncio da madrugada pesa mais do que qualquer barulho que ouvi hoje. A casa inteira está mergulhada numa quietude quase irreal, quebrada apenas pelo som irregular da respiração da Maggie. Ela finalmente dorme, não porque está em paz, mas porque o corpo pequeno não aguentou mais. Choro, medo, confusão… tudo cobra um preço, até de uma criança que ainda nem entende o tamanho das perdas que sofreu. Eu estou sentado ao lado da cama dela. Não tenho coragem de sair daqui. A luz do abajur está fraca, propositalmente baixa, criando sombras suaves nas paredes cor-de-rosa do quarto. Um quarto que foi preparado dias atrás, sem que eu imaginasse que seria usado tão rápido. Os brinquedos estão espalhados de forma organizada demais, como se alguém tivesse tentado criar um ambiente

