Rocco Narcici Eu continuo olhando para a tela como se ela fosse capaz de me devolver outra verdade. Mas não devolve. O nome dela aparece no topo do arquivo, em letras frias, técnicas, impessoais. E quanto mais eu desço a página, mais eu sinto que estou lendo um dossiê sobre alguém que eu não conheço ou pior, sobre alguém que nunca teve o direito de se conhecer. As descrições são minuciosas. Crüéis pela frieza. Há gráficos, avaliações periódicas, observações escritas como se falassem de um produto em desenvolvimento. Falam do corpo dela com uma naturalidade nojenta. Do crescimento, da mudança das curvas, da “evolução estética”. Usam termos que tentam soar profissionais, mas só escancaram o quanto ela foi observada, medida, moldada. Dizem que, mesmo crescendo, Cassie mantinha um “rosto

