Rocco Narcici O estacionamento da empresa nunca me pareceu tão pequeno como agora. Matias está aqui. Parado perto dos elevadores, com as mãos nos bolsos do casaco, como se tivesse todo o direito de ocupar aquele espaço. Como se não fosse um erro grotesco ele estar aqui. O olhar dele cruza o meu imediatamente, e o sorriso lento que se forma nos seus lábios é o suficiente para dissolver qualquer resquício de bom humor. Meu corpo endurece. — O que faz aqui? — Bom dia para você também, Rocco. — Que vontade de quebrar esse sorriso que ele mostra. — Não tenho nada para falar com você. — Minha voz sai firme, fria, sem espaço para conversa. — Sai da minha empresa! Dou mais um passo, pronto para passar por ele como se não existisse. Mas Matias se move também. — Eu tenho o que dizer. — Ele

