— Você me conhece?
Estou perdido nos olhos amarelos mais bonitos que eu já vi. Sim, algo naquela conversa era verídico – quais as chances de existir uma beleza assim? Seja lá quem for, deve ser reconhecida.
Minha atenção é divida entre o rosto familiar e as curvas marcadas. Os s***s dela sobem e descem, a pele branca do corpo aparentemente tão macio que me faz desejar toca-lo para conferir começa a ficar vermelha. A mulher engole seco, sem forças para ter qualquer reação a não ser despencar no chão antes que eu pudesse alcança-la.
Maldição!
Não fico mais parado, acordando dos meus próprios pensamentos e alcançando o corpo nu estirado no chão. Sem conseguir prestar atenção em qualquer outra coisa além dela, eu seguro sua cabeça entre minhas mãos e posiciono lentamente sobre minhas coxas. Verifico o pulso para ter certeza que está em uma velocidade normal, nada preocupante. Seus olhos estão fechados, então noto desde o nariz arrebitado aos lábios marcados – a forma de coração é desenhada em um batom.
Eu sou um homem hétero, saudável e com desejos muito fortes. É claro que estaria mentindo se dissesse que é possível evitar olhar para os s***s fartos disponíveis para mim, inclusive a pequena pinta cor de rosa no seio direito – desejo toca-la com a minha boca. Engulo seco quando meus olhos me traem ao encarar o meio das pernas dela.
De onde diabos eu conheço essa mulher?
— Axel? — Bianca toma a liberdade de interromper meus pensamentos, me fazendo tossir para limpar a garganta e lembrar que não estou sozinho. — O que está fazendo? Nós...
— Pegue um Uber e vá para casa, eu não posso deixa-la assim. — Aviso sem olhar para ela.
— Sim, senhor. — Bianca relembra o seu lugar mesmo deixando o desapontamento explícito em sua voz. — Esperarei o seu contato.
Não digo mais nada, Bianca e eu não precisamos de despedidas carinhosas ou coisas do tipo. Aguardo alguns instantes até ouvir a porta sendo fechada novamente e começo a erguer a cabeça da mulher nua em meu colo.
— Seja lá quem você é, acorde. — Tento acorda-la, mas nem minha voz nem meu toque em seu rosto tem sucesso.
Minha mão acaba tocando os fios dos cabelos castanhos e brilhantes, envoltos em ondas macias. Sim, eu tenho certeza que foram inspirados na ceda pura. Meu desejo é nunca parar de toca-lo e ainda mais, conhecer a textura de cada canto do seu corpo magnífico.
— Garota? Você precisa ir para casa, acorde logo! — Ordeno como se ela pudesse ouvir, balançando com cuidado sua cabeça numa tentativa falha dela despertar. — Droga! Mil vezes droga!
Arranco meu paletó na força do ódio, tendo dificuldade para passar o tecido pelos meus bíceps tão rápido quando eu gostaria. Mas quando consigo, eu cubro o corpo nu da garota em meus braços. Ela exala juventude, frescor e beleza. Sua aura faz esse banheiro parecer um quarto luxuoso de hotel beira-mar.
Há uma bolsinha presa em seu pulso por uma correntinha, então eu tento a abrir o ecler em busca de documentos. Para meu azar, tudo que consigo é fazer o cursor desprender do zíper e soltar entre meus dedos. Isso ainda pode ficar pior? Eu acredito que não. Só resta uma opção e essa não é uma boa para mim, sair com uma mulher nua e desacordada nos braços.
— Você está me zoando, não está? — Rosno, respirando fundo e soltando ar com força.
Mas qual outra opção me resta?
Deixar uma mulher nua e desacordada no banheiro masculino não me parece certo, em especial estando desacompanhada.
Seguro com cuidado o corpo mole enquanto uso meu paletó para envolve-la, até ergue-la do chão em meus braços. O cheiro doce, as curvas em minhas mãos, a maciez da pele de suas coxas em meus dedos, o rosto angelical...
— Deus, que diabos está acontecendo? — Eu cerro a mandíbula e jogo seu corpo desacordado sobre meus ombros.
Pego o vestido jogado por cima da pia e sigo para fora do banheiro de uma forma que jamais esperei na minha vida. Felizmente, o banheiro tem ligação com o corredor da saída dos fundos e eu não preciso passar pelo salão como se tivesse matado alguém e enrolado o corpo em um saco preto – essa foi a única coisa boa que me aconteceu. Caminho para a saída traseira que dá direto ao estacionamento.
— Sr. Salvatore? — Um dos seguranças parado na entrada do estacionamento me cumprimenta em tom de questionamento. Seus olhos balançam entre mim e a mulher que carrego.
— Ela bebeu demais, vou levá-la em segurança. — Garanto.
É uma situação de desconfiança, é claro. Mas minha boa imagem me precede mesmo aqui, sou alguém que não faria m*l a uma mulher. Então apesar de parecer desconfortável com isso o segurança cede passagem e eu alcanço a Porsche preta em minha vaga especial. Não tenho dificuldade em deitar a moça no banco do carona, deixando o encosto o suficiente para dá-lhe mais conforto mas ainda permitindo prender o cinto de segurança.
— Hummm... — Quando forço a fivela do cinto para garantir que está preso, ouço um gemido leve em direção ao meu ouvido que me faz estremecer. Movo meu rosto até ela, encontrando a mulher ainda desmaiada. A ponta no nariz afilado quase encosta no meu, sua respiração me faz desejar sentir se seu gosto é tão quente quanto ela. Meu paletó que a cobre acaba abrindo e revelando o seio direito e o pequeno sinal cor de rosa. — Senhor... Senhor Salvatore? Não, eu sinto muito, eu não quis ...
Franzo o cenho, buscando sentido em suas palavras. Não interrompo na esperança que ela complete alguma frase que me dê uma dica de onde nos conhecemos. Eu não tive nenhuma namorada desde a adolescência e com certeza não é a Marrie. Minhas submissas foram mulheres que eu conheço muito bem, cada cantinho do corpo, cada curva e detalhe. Claro que se fosse uma das delas eu me lembraria, em especial desses olhos amarelos e desses p****s apetitosos – e do sinal de nascença também.
Para minha desgraça, a mulher volta a adormecer totalmente sem terminar o que havia começado e não me dá escolha a não ser tomar o meu lugar e dirigir para um dos meus apartamentos. Manhattan é agitada e eu sou um homem de negócios, sempre há reuniões, eventos e coisas do tipo que preciso comparecer. Então tenho pontos espalhados em áreas estratégicas para facilitar minha locomoção. Tenho um apartamento no coração de Manhattan – Time Square. East Village também é um ponto de parada, assim como Soho e o lugar escolhido para hoje, Upper East Side.
Sinceramente, o apartamento que estou indo além de ser o maior, é o que considero realmente como casa – ou o que chega mais perto disso. Os outros são apenas pontos de parada para evitar trânsito e descansar caso se torne difícil voltar para casa ou manter a pontualidade. Por que estou levando essa mulher que não parece ser muito certa da cabeça para minha casa? Eu não sei responder essa pergunta.
O trânsito está tranquilo, meus pensamentos um pouco confusos e a mulher dorme como uma pedra ao meu lado. Vez ou outra eu desvio meu olhar até ela, encontrando feições tranquilas – até sorrindo em alguns momentos. Qual sonho ela deve estar tendo agora? Por Deus ...
Chegando no prédio de destino eu estaciono em minha vaga, a seguro novamente em meus braços amaldiçoando o cheiro que faz eu esconder meu rosto entre seus cabelos. Puxo o ar com força, sentindo o aroma de flores silvestres entrar em meus pulmões. Rosno, furioso comigo mesmo e minhas ações, antes de andar até o elevador e subir até a cobertura que é apenas minha.
Parece que seu peso é menor que de um saco de cimento, pois não tenho nenhuma dificuldade de conduzi-la em meu ombro mesmo quando uso apenas uma das mãos. Precisei de uma mão livre para fechar o carro, apertar o botão do elevador e também colocar a senha na fechadura eletrônica do meu apartamento. A senha abre a porta e também desativa o alarme simultaneamente. Por dentro não precisa da senha para abrir, mas por fora, sim.
Enfim, um pouco de tranquilidade – Ou não.
Amaldiçoo novamente.
Acendo as luzes e a visão do meu apartamento até me dá uma certa medida de paz. Decoração minimalista em cores escuras e aço, sem contar a piscina de borda infinita que fica como uma espécie de varanda na sala e é preciso abrir apenas a porta de vidro para estar nela. Da piscina, a visão do Upper East Side, é perfeito. A água é aquecida, há uma profundidade razoável para relaxar e uma mesa flutuando.
Respiro fundo e caminho para meu quarto com a até então desconhecida em meus braços. Ascendo a luz led apenas para clarear o suficiente e a deito na cama com cuidado, fazendo-a se mexer um pouco para aconchegar-se nos lençóis. Acabo sorrindo com a forma que ela parece estar em sua própria casa. Ainda existe esse tipo de inocência?
Me afasto, até sentir uma mão pequena agarrar meu polegar com força e me impedir de ir embora. Paraliso, tornando a olhar para ela. Sua silhueta está marcada com a meia luz, sinto meus dentes rangendo e eu aperto os olhos para controlar as sensações que ela desperta no meu corpo.
— Senhor Salvatore... — Geme baixinho, me fazendo ter a mesma expressão confusa no meu rosto. Continuo sem entender que diabos está acontecendo. — Axel...
— Me diga seu nome. — Peço, atordoado, como se ela tivesse me colocado em um bote no meio de um oceano.
— A... Ali... — Balbucia, antes de perder a consciência novamente e largar minha mão. p***a!
Que tipo de jogo i****a é esse?
Eu cubro seu corpo com um lençol, respiro angustiado e quando já estou saindo do quarto eu tenho uma luz em meus pensamentos. Eu posso tentar abrir aquela bolsa!
Primeiro removo com cuidado a bolsa de seu pulso, depois, seguro os dois lados e puxo com força para romper o ecler em dois. Essa coisa me parece frágil e com um pouco de pressão, consigo.
— Vamos descobrir quem é você, moça de dourado. — Sorrio de lado, me sentindo vitorioso como se estivesse prestes a desvendar um grande mistério.
Parece que estou invadindo a casa dela, a bolsa feminina é como algo muito pessoal mas não tenho escolha. Começo a revirar, torcendo para não encontrar nada comprometedor. A primeira coisa que consigo palpar é um tecido fino, que quando levanto em meus dedos eu confirmo – Uma calcinha de renda.
Devo admitir que perco alguns segundos em um devaneio i****a de como aquela b***a ficaria dentro dessa calcinha. Filha da p**a!
Coloco de volta na bolsa e abro mais a bolsa para liberar minha visão. Encontro um celular, descarregado. Até que... Aí está. Uma mini carteira apenas para documentos e cartões, pelo menos é o que parece e eu confirmo quando abro. Achei que descobrir quem é a moça de dourado seria minha vitória, mas quando vejo o nome escrito nos cartões e na identidade, além da foto do documento, eu quase caio para trás.
Meu queixo despenca tanto que tenho medo que solte do meu rosto.
— Alice Haddad. — Sopro. Seu nome ainda não me deu uma certeza, mas a foto sim.
É a minha secretária que está deitada nua na minha cama. Ela é a moça de dourado.