Estou um pouco desconfortável por ter pouco pano cobrindo meu corpo. Não sou uma puritana, porém, eu não estou usando sutiã e Caroline garantiu que sem calcinha iria valorizar mais o tecido sedoso do vestido que estava marcando a costura. Se algo cair no chão, se eu abrir um pouco as pernas sem querer, se o vento bater, se dançar de m*l jeito... Minha “licinha” estará totalmente visível.
Por que eu ainda escuto Carol?
Não temos dificuldade em passar pela porta de entrada usando os ingressos. Entregamos e damos de cara com um corredor inteiramente preto, com paredes, teto e chão todo em camurça. Estou acostumada com pessoas ricas, empresários e CEO’S, todo esse pessoal metido a b***a que deve frequentar esse lugar. Então, acredito que não terei dificuldades.
Um passo após o outro, Caroline e eu estamos dentro da Fire and secrets.
Pouca iluminação, música em um tom calmo e apesar do teor s****l não há nada escandaloso, pessoas se esforçando em mantar a classe e tudo realmente bem sigiloso. Não é possível reconhecer ninguém se não estiver com pouca distância graças ao tema escuro e luzes em led. Apesar disso, cada olhar se vira para a entrada, me causando um desconforto.
Como eu disse, não sou tímida, mas também não estou acostumada a ser o centro das atenções. Homens e mulheres nos encaram, talvez por sermos novas aqui – Acredito eu. Não é possível perceber o tipo de olhar, mas suas cabeças não se movem em outra direção além de nós. Nesse momento minhas pernas parecem falhar e eu encaro Carol.
— Há algo de errado comigo? — Eu a questiono baixinho. — A maquiagem borrou, eu sentei em algum lugar sujo ou algo do tipo?
— Errado? — Carol sorri. — Não, Ali. Você está um absurdo de perfeita. Relaxe, vamos aproveitar. — É quando passa um garçom ao nosso redor, ele tem duas taças em cima da bandeja e está caminhando em direção a uns sofás que ficam em um canto mais escondido da boate. Mas quando ele passa por nós, Carol intercepta as duas bebidas para nós e dá uma piscada para o rapaz vestido de forma elegante. — Tenho certeza que o cavalheiro que as pediu pode esperar um pouco mais, não pode?
— E... Eu não...
— Ficará entre nós. — Carol lança um sorriso travesso para o pobre homem e me entrega uma das taças.
— Tudo bem, sejam bem vindas então.
— Obrigada. — Sorrio gentil para ele, um pouco sem graça. — Perdoe-me por isso.
— Não se preocupe. — Ele acena, antes de retornar para o caminho que veio.
— Por favor, Caroline, não crie problema para nós ou para qualquer outra pessoa hoje, está bem? — Reclamo. — Além disso, é melhor eu não beber.
— Apenas uma, para começar a noite. Como prometido, eu vou me comportar e cuidar de você. Confie em mim. — Talvez eu me arrependa disso mais tarde.
Amanhã é final de semana, não tenho trabalho, passei uma semana sendo desgastada física e psicologicamente, acho que eu mereço um pouco de diversão. De uma única vez, despejo o líquido em minha garganta. O gosto é adocicado e ao mesmo tempo refinado.
— Isso tem gosto de ouro, o que é? — Pergunto, levando uma mão ao peito para tentar abafar o queimor.
— Isso é... Martini. — Carol está com os olhos esbugalhados me encarando com o copo vazio. Sorrio meio desajeitada, percebendo que as coisas ao meu redor começaram a ficar meio embaçadas. — Só que é um bem caro.
— Eu preciso de mais um. — Aviso.
— Ali, eu mudei de ideia, acho melhor você não beber. Um copo foi o suficiente da última vez, não acho que seja uma boa ideia tomar o segundo. — Gargalho do seu comentário. Primeiro eu deveria me divertir e agora eu preciso parar? Não mesmo.
— Não seja boba... — Agarro a mão livre de Carol e começo a arrasta-la para a pista de dança, onde há desconhecidos se mexendo ao som de Zayn Malik – Eu reconheceria essa voz macia em qualquer lugar, é como se seus lábios passassem sobre cada centímetro de pele, arrepiando... — Vamos dançar um pouco.
— Alice, pelo amor do bom Deus, você pediu que eu não nos fizesse passar vergonha, agora eu te peço o mesmo. — Choraminga, me seguindo sem muita vontade e olhando ansiosa para os lados.
Ainda vejo muitas cabeças viradas em nossa direção, principalmente quando eu começo a dançar no ritmo lento de Pillowtalk. Os rostos estão mais impossíveis de serem vistos claramente que antes, além da pouca luz, meus olhos parecem estar girando. Danço com uma taça vazia na mão e começo a rebolar meus quadris, movendo-os lentamente e abaixando alguns centímetros até o tecido da roupa curta subir mais um pouco.
— f*****g and fighting on... — Canto baixinho, deslizando lentamente meus dedos da mão livre desde meu pescoço até minhas coxas. — It’s our paradise and it’s our war zone...
— Tudo bem, vamos sentar um pouco agora até você recobrar o seu juízo. — Ouço Carol resmungar e segurar firme minha mão. Quando dou por mim, já estou andando junto com minha amiga em direção a um dos sofás afastados.
Droga de noite! Eu preciso de um pouco mais de coragem, e é o motivo do meu sorriso quando vejo um garçom passar por nós.
— Uma dose de coragem, por favor... — Tento falar o menos embolado possível depois de chamar sua atenção. Também estendo para ele a taça vazia que está em minha mão e ele a recebe com um sorriso divertido nos lábios. — De Martini, eu quero dizer.
— Eu trarei agora mesmo. A senhorita também quer alguma coisa?
— Não, obrigada. Apenas cancele o pedido dela. — Caroline responde.
— Não a escute, eu estou pedindo e desejo receber o meu pedido em mãos se não for muito incômodo para o senhor. — Sorrio para ele, que acena com a cabeça e vai embora aparentemente se divertindo com a cena. — Eu vim aqui por você, então cale a boca e me deixe em paz. Estamos aqui, não estamos? Vá se divertir, droga!
— Eu não posso, prometi que cuidaria de você. — Reforça, olhando ao redor meio tentada. — Se bem que...
— É um homem, não é? — Gargalho enquanto nos aproximamos dos sofás grandes e com mesas no centro. Carol me coloca sentada.
— Você não se importa, não é?
— Apenas você sendo va.dia. Quer dizer, sendo você. — As palavras se embolam no meu cérebro e na minha língua, mas ao menos Carol parece se divertir.
— Então estou indo, você não saia daí até eu voltar. — Ordena, me fazendo levantar a mão em sinal de juramento.
— Eu juro. — Prometo com um sorriso nos lábios. Mas alguns segundos depois, eu não me lembro mais do que eu prometi.
Felizmente, não fico muito tempo sozinha. O garçom que encontrei e pedi minha bebida aparece e me entrega uma taça, que animada, eu seguro tão rápido quanto levo a boca. Tomo dois goles, antes de desaprender o caminho para a boca e derramar o resto do conteúdo do copo no vestido caro.
— Está tudo sobre controle. — Balbucio para o garçom, forçando um sorriso.
— Tem certeza? Eu posso...
— Tudo suave, suavíssimo... — Minto. Agora eu realmente estou preocupada com o a roupa de ouro que estou usando. Deus, eu não posso pagar por isso. — Na verdade, pode me dizer onde fica o banheiro?
— Posso acompanhá-la até lá. — Se oferece gentilmente.
— Não há necessidade, eu consigo sozinha se me mostrar onde é. — Não posso passar a vergonha de dizer que não sou capaz de ir ao banheiro sozinha, eu sou uma mulher adulta.
— Ande até o último sofá, vai ver um corredor parecido com a entrada e duas portas, só entrar na porta que tem uma mulher na plaquinha. — Detalha, usando uma mão para indicar o percurso que preciso fazer, eu vou acompanhando com atenção.
— Muito obrigada, você me salvou. — Aceno para ele, confiro se minha bolsinha está presa no meu pulso pela cordinha dourada e sigo caminho.
Meus passos são meio descoordenados, então agradeço mentalmente pela pouca luz mais uma vez e as pessoas não poderem ver com clareza essa vergonha. Tenho certeza que são esses saltos que estão atrapalhando meu andar. Mesmo assim, eu consigo chegar na frente das duas portas uma ao lado da outra. Pisco os olhos algumas vezes, buscando em qual delas está a mulher indicando o banheiro feminino.
— Por que... — Pisco, tentando fazer a nuvem desaparecer dos meus olhos. — Mamãe mandou eu escolher essa daqui... — Na sorte, aponto para uma das portas e entro.
Para minha sorte, não há ninguém. Para meu azar, também não há chave. Para minha infelicidade, não estou usando sutiã e nem calcinha porque nem o vestido nem Carol permitiram.
Ao menos estou no banheiro feminino, nada que ninguém nunca tenha visto. Qualquer mulher que entrar aqui vai entender e até se oferecer para me ajudar, com certeza. Deixo a bolsinha sobre a pia e encaro meu reflexo no espelho, novamente ficando satisfeita com o que vejo – acabo sorrindo para mim mesma.
Trago meu foco de volta ao que interessa, tirar a mancha de Martini desse tecido caro. Vou desfazendo com dificuldade o zíper lateral, até minhas mãos sem muita coordenação ter sucesso – quase dou um “soquinho” no ar por isso. Passo o vestido por cima da minha cabeça, desarrumando meus fios castanhos, mas o que importa é que vou resolver o meu problema.
Começo a esfregar a mancha na pia no banheiro com um pouco de água apenas, esfrego, esfrego, até sentindo meus p****s balançando com o esforço. Carol me paga por essa, com certeza ela me paga. Coloco uma única gota de sabão e continuo, tremo só com o medo disso não sair e eu não ter como devolver o vestido amanhã. Deus, por favor, olhe por mim só dessa vez.
Com o tecido molhado não dá para ter certeza, mas não há muito mais que eu possa fazer além de torcer. Penduro o vestido na beirada da pia e espero, entrelaçando minhas mãos como em uma oração enquanto aguardo que seque ao menos um pouco antes de eu colocar de volta.
Porém, antes que eu pudesse estar novamente vestida, a porta é aberta bruscamente. Mil opções passam em minha mente, mas meu corpo não obedece nenhuma além de virar de frente para a porta. Senhor, Santíssimo...
Por que, meu Deus?
Não é uma mulher como eu torcia que fosse. Quer dizer, vejo que tem uma mulher mas ela não está sozinha e muito menos é onde está minha atenção. Há um homem, um homem que eu conheço bem em qualquer lugar ou situação, mesmo com minha visão um pouco turva. É ele! Axel Salvatore.
Surpreendentemente, é a primeira vez que esse homem olha para mim. Em cinco anos, ele nunca sequer olhou em meus olhos, agora parece hipnotizado neles. Não só meus olhos recebem sua atenção, mas cada área visível do meu corpo que está disponível para ele. Meus s***s, minha barriga e... O meio das minhas pernas. Só então eu lembro exatamente o estado que estou, totalmente nua na frente de Axel, não só o homem que sou perdidamente apaixonada há anos mas também o meu chefe arrogante.
— Se... Senhor Salvatore? — Gaguejo, quase desmaiando em sua frente. Meu cérebro parece levar uma dormência para todo o meu corpo, eu vejo tudo escurecendo.
Novamente ele sobe o olhar para meu rosto, prestando atenção de uma forma que nunca fez. A ondulação em meus cabelos, nos meus olhos que estão enormes o encarando. Ele também está confuso, ele nem sabe quem eu sou. Engulo seco, com o corpo todo formigando e amolecendo.
— Você me conhece? — É tudo que ouço, antes de não conseguir mais me sustentar de pé e perder os sentidos no chão gelado do banheiro.