Capítulo 23

944 Words
Rick Dowson A menina começou a tremer, agarrando a mão de Ayla com tanta força que parecia estar se segurando à vida. — Eles não vão parar. — Ela murmurou, sua voz baixa e cheia de um medo ancestral. O cheiro das sombras começou a se intensificar, sufocante como fumaça densa. Era mais forte do que antes, como se o próprio ar estivesse impregnado de escuridão. Senti o calor da transformação começar a subir pelas minhas veias, uma energia selvagem pronta para explodir. Mas dessa vez, algo estava diferente. Era como se elas soubessem que estávamos aqui, como se estivessem nos testando. — Fique com ela. — Ordenei a Ayla, minha voz firme enquanto dava um passo à frente, me posicionando entre elas e o perigo invisível. — Rick, não seja imprudente! — Ayla tentou argumentar, sua voz firme e cheia de preocupação. — Eu sou o alfa. — Rosnei, puxando meu braço de volta. — Se essas coisas querem me caçar, está na hora de aprenderem o que isso significa. Ayla e eu trocamos um olhar carregado de tensão. Havia uma promessa silenciosa ali, uma certeza de que nenhum de nós sairia dali sem lutar. A menina se encolheu ao lado de Ayla, seus olhos grandes e assustados refletindo o brilho pálido da luz filtrada pelas árvores. O silêncio foi rompido por um movimento súbito entre as sombras. Algo estava vindo. Algo faminto. Meu coração martelava, não de medo, mas de antecipação. Se eles queriam uma guerra, estavam prestes a descobrir o que significava enfrentar um alfa furioso. Avancei sem esperar resposta. As árvores ao redor pareciam se fechar, as sombras se mexendo de forma inquietante entre os troncos retorcidos. O ar estava denso, carregado de uma energia que fazia minha pele formigar. Os sussurros se intensificaram, quase rindo de mim, provocando-me como fantasmas invisíveis. Um rugido baixo escapou da minha garganta enquanto a transformação se completava. Minhas veias pulsaram com um poder bruto, minha visão ficou mais nítida, os sentidos aguçados ao extremo. Eu sentia o cheiro da terra molhada, o aroma sutil de Ayla misturado à tensão no ar, e o fedor das criaturas que emergiam das sombras. Elas tomaram forma aos poucos, grotescas e famintas, feitas de pura escuridão. Seus olhos brilhavam em vermelho, ardendo como brasas vivas, e seus corpos moviam-se com uma agilidade animalesca, predadores impiedosos rondando sua presa. — Venham — murmurei, mais para mim mesmo, sentindo a adrenalina percorrer cada fibra do meu corpo. O calor da fúria me incendiava por dentro. A primeira criatura investiu com rapidez, suas garras afiadas como lâminas reluzindo na luz escassa da floresta. Mas eu era mais rápido. Segurei-a pelo pescoço, sentindo sua forma se contorcer sob minha força antes de esmagá-la contra o chão. Um chiado agonizante ecoou no ar enquanto ela se dissolvia em névoa n***a. Mas outras vieram. Sempre vinham. A segunda sombra atacou por trás, mas eu já esperava. Girei no último segundo e golpeei-a com um soco brutal, arremessando-a contra uma árvore. O impacto fez a casca estourar, e um grito sobrenatural reverberou pelo bosque. Antes que pudesse recuperar o fôlego, mais duas se lançaram contra mim, famintas, sedentas por destruição. — Rick, cuidado! — A voz de Ayla cortou o ar, carregada de desespero. Meu coração apertou. Girei a tempo de ver uma sombra maior emergir da escuridão, densa e ameaçadora. Essa era diferente. Letal. Seus olhos eram mais profundos, flamejantes como o inferno, e suas garras curvadas brilhavam como aço polido. Ela não me queria. Não dessa vez. Ela estava indo direto para Ayla. E para a menina. Não pensei. Apenas corri. O chão parecia tremer sob meus pés. Cada batida do meu coração era um golpe contra o tempo. Cada passo, um desafio ao destino. Mas, por mais que me movesse rápido, meu instinto gritava que eu não chegaria a tempo. Não. Eu tinha que chegar. Com um salto, me lancei contra a criatura, colidindo com ela no último segundo e a arrastando para longe de Ayla e da criança. O impacto nos jogou contra o solo, a fera rugindo enquanto tentava me rasgar com suas garras. Segurei seus pulsos, impedindo-a de me dilacerar, e rosnei de volta. — Você não vai tocá-las. — Minha voz era um trovão de fúria contida. A criatura gritou, um som gutural e ensurdecedor, e as sombras se agitaram ao redor. Era como se todo o bosque vibrasse com sua ira. O chão estremeceu, as árvores se inclinaram, e eu senti a energia escura se acumulando ao nosso redor. — Ayla, leve a menina e corra! — Gritei, minha voz cortando o caos. Ela hesitou por um segundo, nossos olhos se encontrando na penumbra. Mas ela sabia. Sabia que eu lutaria até meu último respiro para protegê-las. Pegando a mão da criança, Ayla se virou e começou a correr. Seus passos eram leves, mas apressados. O vento bagunçava seus cabelos, e por um instante, antes que ela desaparecesse na floresta, vi o medo e a dor em seus olhos. Eu não podia deixar essas sombras vencerem. Com um impulso, girei a criatura contra o chão e cravei minhas garras em seu peito n***o. Ela se debateu, mas eu pressionei mais, sentindo a energia n***a se dissipar sob meu toque. Mais delas surgiram, cercando-me. Era um enxame de escuridão, pronto para me devorar vivo. Mas eu era o Alfa. E aquela floresta era minha. Meus músculos pulsavam com uma força ancestral. Meu sangue queimava com a fúria de gerações. Se aquelas coisas achavam que poderiam me deter, estavam prestes a aprender o preço de desafiar um lobo em sua fúria total. A luta ainda estava apenas começando.
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