Capítulo 22

862 Words
Rick Dowson Quando finalmente paramos, encontramos uma pequena clareira cercada por árvores altas. A luz do sol atravessava as copas, criando padrões de sombras que dançavam no chão. O cenário era quase pacífico, mas apenas para quem não sabia o que nos cercava. O silêncio ao nosso redor não era natural. Era um aviso. Ayla ajudou a garota a se sentar em uma pedra coberta de musgo, enquanto eu andava ao redor, inspecionando cada detalhe. Meus sentidos estavam aguçados, e minha mente trabalhava rápido, tentando antecipar qualquer ameaça. O vento soprou entre os galhos, mas não era apenas ele que movia as folhas. Algo estava nos observando. — Precisamos de um plano. — Falei, mantendo os olhos atentos ao redor. — Essas coisas não vão parar. Não podemos ficar esperando o próximo ataque. — Concordo. — Ayla respondeu, a voz calma, mas carregada de preocupação. Seu olhar encontrou o meu, e por um instante, algo silencioso passou entre nós. Uma conexão, uma compreensão mútua da gravidade da situação. Cruzei os braços, tentando organizar meus pensamentos. E como faremos isso? Você tem um livro mágico ou algo assim escondido? Ayla arqueou uma sobrancelha e um sorriso breve cruzou seus lábios, mas seus olhos não acompanhavam a diversão. — Não, Rick. Mas conheço alguém que pode ajudar. Meu ceticismo foi imediato. Eu odiava confiar em desconhecidos. Já tinha feito isso antes e não tinha terminado bem. — Quem? — Uma aliada. — Ela respondeu, hesitando por um momento. — Alguém que entende a magia por trás do símbolo e o que ele significa. Revirei os olhos, sentindo um peso extra em minha paciência. — Outra pessoa misteriosa? Ótimo. Isso só melhora. — A ironia era evidente na minha voz, mas Ayla não recuou. — Ela é confiável. — Seu tom era firme, sem espaço para discussão. — E se queremos sobreviver, precisamos dela. Minha primeira reação foi rejeitar a ideia. Confiar em outra pessoa nesse momento era um risco, mas continuar sem respostas era suicídio. — E onde encontramos essa sua "aliada"? — Perguntei, tentando esconder meu desagrado. Ayla apontou para as montanhas ao longe, quase ocultas entre os troncos das árvores. — Na fronteira das montanhas. Mas chegar lá não será fácil. — Nada nunca é. — Suspirei, ajeitando a mochila nas costas, já me preparando mentalmente para o próximo desafio. Foi então que a menina, que até então estava em silêncio, falou. Sua voz era calma, mas havia algo nela — um peso, uma sabedoria que não combinava com sua idade. — Não é apenas o caminho que será difícil. As sombras estão mais próximas do que vocês pensam. Ayla e eu trocamos um olhar. Havia algo na maneira como ela falava que me inquietava. Como se soubesse de coisas que nem mesmo nós sabíamos. — E o que você sugere, pequena? — Perguntei, meio sarcástico, meio curioso. Ela me encarou com olhos que pareciam pertencer a alguém muito mais velho. — Nós precisamos sair agora. Se ficarmos, eles vão nos encontrar antes do pôr do sol. O silêncio voltou, denso e carregado de tensão. Eu sabia que ela estava certa. A clareira, que antes parecia um refúgio, agora parecia uma armadilha à espera de se fechar sobre nós. — Certo. — Murmurei, pegando minha mochila. — Vamos sair daqui. Ayla segurou a mão da menina e começou a andar. Eu as segui, mas antes de desaparecer entre as árvores, olhei uma última vez ao redor. Eu não conseguia ver nada. Mas podia sentir. Algo — ou alguém — estava nos observando. Apertei os punhos e me aproximei de Ayla, sussurrando: — Espero que essa sua aliada valha a pena. Ela não hesitou na resposta. — Ela vale. — Mas havia algo em seu tom, uma sombra de dúvida, que me fez perceber que, talvez, nem ela tivesse tanta certeza assim. Quando finalmente paramos, encontramos uma pequena clareira cercada por árvores altas. A luz do sol atravessava as copas, criando padrões de sombras que dançavam no chão. O cenário era quase pacífico, mas apenas para quem não sabia o que nos cercava. O silêncio ao nosso redor não era natural. Era um aviso. Ayla ajudou a garota a se sentar em uma pedra coberta de musgo, enquanto eu andava ao redor, inspecionando cada detalhe. Meus sentidos estavam aguçados, e minha mente trabalhava rápido, tentando antecipar qualquer ameaça. O vento soprou entre os galhos, mas não era apenas ele que movia as folhas. Algo estava nos observando. Quando saímos da clareira e entramos de volta na floresta densa, o céu parecia mais escuro, e a sensação de estar sendo seguido apenas aumentava. O caminho até as montanhas seria longo, mas algo me dizia que não chegaríamos lá sem lutar. O verdadeiro desafio ainda estava por vir. Antes que pudéssemos planejar nossa próxima etapa, um som ecoou pela floresta. Era um sussurro baixo, quase imperceptível, mas carregado de algo maligno. O suficiente para fazer minha pele arrepiar. Me virei instintivamente, meus olhos vasculhando as árvores ao redor. — Você ouviu isso? — Perguntei, rosnando baixo, os músculos já tensos. Ayla assentiu, seus olhos atentos e o rosto tenso. — Estão nos cercando de novo.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD