Capítulo 4

1586 Words
Ayla Solano As sombras da floresta pareciam vivas, deslizando entre as árvores, dançando ao meu redor enquanto eu avançava pelo caminho já tão conhecido. O encontro com Rick havia deixado marcas profundas, impossíveis de apagar. Cada palavra sua, cada olhar ardente, cravava-se em mim como uma chama que queimava e, ao mesmo tempo, me atraía de maneira perigosa. Eu havia visto sua verdadeira natureza, sua transformação brutal, selvagem, feroz. E, ao invés de sentir medo, fui consumida por algo ainda mais assustador: o desejo. Não era apenas uma atração comum; era visceral, primal, como se algo dentro de mim respondesse ao chamado dele de uma forma que eu não conseguia compreender. Eu deveria ter fugido. Eu deveria ter sentido pavor diante da b***a que ele realmente era. Mas, ao invés disso, fiquei ali, paralisada, fascinada. O poder que emanava dele era avassalador, como um feitiço impossível de quebrar, e meu corpo reagia de maneiras que eu não queria admitir. Sempre fui dona de mim mesma. Nunca precisei de ninguém para me definir, para me completar. Mas Rick... Rick desmontava todas as minhas certezas. Com ele, as barreiras que eu construíra ao longo dos anos desmoronavam como areia ao vento. Tudo o que eu sabia sobre quem eu era parecia estar se dissolvendo diante do que eu sentia por ele. Quando alcancei a clareira onde minha cabana se escondia entre as árvores, soltei um suspiro pesado. Antes, aquele espaço era meu refúgio, meu santuário. Agora, parecia sufocante. Cada canto, cada objeto, carregava o peso de um desejo incontrolável e de uma curiosidade perigosa que crescia dentro de mim. Dentro da cabana, os móveis e as prateleiras de ervas pareciam me observar, silenciosos juízes da minha sanidade. O caldeirão no canto, a mesa rústica, os livros empilhados... Nenhum deles conseguia afastar a única imagem que dominava minha mente: Rick. Seus olhos ferozes, o corpo forte e dominante, a promessa silenciosa embutida em cada movimento. Eu estava dividida. Fingir que nada havia mudado ou me render ao que era inevitável? Mas, no fundo, eu sabia. A escolha já estava feita. Eu senti sua presença antes mesmo de vê-lo. Rick sempre sabia como me encontrar. Como se algo invisível nos conectasse, chamando um ao outro sem que precisássemos dizer uma palavra. Desta vez, ele surgiu da escuridão da floresta, como um predador calmo e letal. A luz do luar delineava seus traços fortes, destacando o perigo e a sedução que exalavam dele em igual intensidade. Meu coração acelerou. Ele caminhou lentamente em direção à clareira, seus passos precisos, controlados, como se já soubesse o desfecho dessa caçada. — O que você quer, Rick? — Minha voz saiu firme, mas traidora, carregada de uma hesitação que não deveria existir. — Você sabe o que eu quero, Ayla. — A resposta veio baixa, rouca, carregada de promessas não ditas. Minha pele se arrepiou. — Quero que pare de lutar contra isso. Contra mim. Ele deu mais um passo. A distância entre nós era quase inexistente agora. O ar parecia pesado, carregado de algo eletrizante. O cheiro dele me envolvia — uma mistura de madeira, terra molhada e perigo. Meu corpo reagia sem que eu pudesse impedir. Rick levantou a mão e roçou os dedos no meu rosto, um toque quente e possessivo. Eu deveria afastá-lo. Eu deveria lutar. Mas, ao invés disso, fechei os olhos e me perdi. Naquele instante, percebi a verdade que vinha negando para mim mesma. Rick não era apenas uma tentação. Ele era minha ruína. E, ainda assim, eu não conseguia resistir. — Não tenho escolha, não é? — murmurei, minha respiração entrecortada, lutando contra a onda de excitação que ele provocava em mim. Rick não desviou o olhar. Havia algo nele — um magnetismo feroz, um domínio silencioso — que me prendia no lugar. Seu cheiro, a proximidade de seu corpo, tudo nele era uma ameaça ao meu autocontrole. — Sempre há escolha — ele disse, dando mais um passo, seus olhos queimando nos meus. — Mas o destino já fez o trabalho dele. Agora é você quem decide. As palavras dele ecoaram dentro de mim. Eu sabia que estava certa ao temê-lo, mas não era medo o que me mantinha imóvel. Era algo muito pior. Desde o momento em que o vi, algo em mim mudou. Algo que eu não podia mais ignorar. Rick não era apenas o lobo. Ele era minha perdição e, ao mesmo tempo, a única coisa que eu verdadeiramente desejava. Eu deveria recuar. Eu deveria levantar barreiras e protegê-las com todas as forças. Mas, em vez disso, dei um passo à frente. O ar entre nós se tornou pesado, carregado de algo bruto e ancestral. Como se algo primitivo, profundo e selvagem nos ligasse de uma forma que ia além da razão. Cada célula do meu corpo parecia despertar com sua presença, e eu odiava o quanto isso me enfraquecia. — Então me diga, Rick… o que significa aceitar quem eu sou? — Minha voz saiu firme, mas o calor que percorreu meu corpo ao encará-lo me traiu. Ele sorriu. Um sorriso predador, lento e perigoso. Como se já soubesse a resposta antes mesmo de eu perguntar. — Significa que, juntos, podemos descobrir até onde isso nos levará. Suas palavras se alojaram dentro de mim, mexendo com algo que eu não queria nomear. A tensão entre nós se tornou insuportável. Uma dança silenciosa, feita de olhares intensos e promessas não ditas. Cruzei os braços, tentando disfarçar o tumulto dentro de mim, e soltei a pergunta em um tom carregado de falsa indiferença: — Você sempre entra sem ser convidado? Tentei soar fria. Tentei manter o controle. Mas o tremor na minha voz não passou despercebido. Rick inclinou a cabeça levemente, analisando-me como um caçador avaliando sua presa. E então sorriu de novo. Aquele sorriso. Aquele sorriso perigoso que me irritava… e me atraía em igual medida. — Só quando sei que sou esperado. Eu revirei os olhos, um gesto que não combinava com a inquietação pulsando dentro de mim. Mas então, ele fez algo pior. Ele riu. E foi nesse momento que percebi que estava perdida. Rick não era apenas um perigo para o meu corpo. Ele era um perigo para a minha alma. E, o mais assustador de tudo? Eu queria ser dele. — O que você quer, Rick? — Minha voz soou firme, mas por dentro, eu lutava para manter o controle. Ele avançou lentamente, seus passos carregados de uma presença que fazia o ar ao nosso redor vibrar. Como se o próprio ambiente reagisse a ele. Quando parou a poucos centímetros de distância, senti o calor do seu corpo alcançar o meu, um calor que me envolvia e desestabilizava. Seus olhos brilhavam sob a luz fraca, intensos, famintos. Ele não olhava apenas para mim — ele me enxergava. Cada parte, cada segredo, até mesmo os que eu escondia de mim mesma. — Saber se você já decidiu — sua voz era baixa, rouca, carregada de uma promessa perigosa. Meu coração disparou, e por um momento, esqueci como respirar. Mas me recusei a demonstrar fraqueza. — Decidi o quê? — desafiei, mantendo meu olhar fixo no dele. Rick inclinou levemente a cabeça, como se eu fosse um enigma que ele adorava decifrar. O brilho nos olhos dele era quase hipnótico, e de repente, senti-me nua diante de sua presença avassaladora. — Se vai aceitar o que somos um para o outro. As palavras dele me atingiram como um impacto físico, não de dor, mas de algo muito mais profundo, mais intenso. Algo que me dominava de dentro para fora. Não era só o que ele dizia, era o que ele pedia sem dizer. Ele queria tudo. Ele queria que eu me rendesse. Ao que éramos. Ao que o destino já havia escrito para nós. Engoli em seco, sentindo meu corpo responder como se estivesse sendo chamado para algo maior. Algo inevitável. — E se eu não aceitar? — Minha voz saiu baixa, hesitante, como se eu mesma não acreditasse nessa possibilidade. Rick deu mais um passo. A distância entre nós desapareceu. O calor dele me envolveu, sufocante, viciante. Seus olhos ardiam com algo perigoso. Algo que eu temia e desejava ao mesmo tempo. — Você pode tentar resistir, Ayla… — Sua voz era um sussurro, mas cada palavra cravava-se em mim como uma corrente invisível. Ele ergueu a mão e roçou os dedos pelo meu rosto, e um arrepio cortou minha pele. — Mas no fundo, sabe a verdade. Meu corpo inteiro reagiu. Meu coração batia forte, um caos de emoções que eu não conseguia controlar. — Você é minha. — A intensidade em seu olhar fazia minha respiração falhar. — E eu sou seu. Não havia escapatória. Não havia lógica. Rick não era apenas um homem ou um lobo. Ele era tudo o que eu desejava… e tudo o que eu temia. Ele avançou mais uma vez, e o ar entre nós pareceu eletrizar-se. Cada movimento dele era um desafio, uma provocação silenciosa, um convite que eu não podia ignorar. — Então eu vou embora — disse ele, a voz firme, um tom que soava quase definitivo. Algo dentro de mim se contraiu. A ideia de vê-lo partir me atingiu como um golpe. Eu deveria deixá-lo ir. Eu deveria virar as costas e fingir que nada disso importava. Mas quando Rick começou a se afastar, percebi a verdade mais assustadora de todas. Eu não queria que ele fosse. Eu nunca quis. E talvez, apenas talvez… eu já estivesse perdida.
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