Capítulo 5

1436 Words
Ayla Solano — Por que eu? — Minha voz saiu em um sussurro trêmulo, carregado do nervosismo que eu não conseguia esconder. Rick não hesitou. Ele fechou o espaço entre nós, e a proximidade era sufocante. O calor do corpo dele envolveu minha pele como um toque invisível, e o som de sua respiração controlada contrastava com a batida frenética do meu coração. Seus olhos, profundos e implacáveis, pareciam atravessar todas as barreiras que eu tentava manter de pé. — Porque, Ayla… — Sua voz saiu baixa, quase rouca, arrastando cada palavra como se pesassem dentro dele. — Você não é apenas meu destino. Você é minha força, minha fraqueza. E, no final, você é tudo o que importa. O impacto de suas palavras me atingiu como um golpe certeiro. Um choque de emoções percorreu meu corpo, um incêndio que começou na boca do estômago e se espalhou sem controle. Rick não era um homem de muitas palavras. Ele não precisava ser. A intensidade bruta de sua confissão me fez esquecer até como respirar. — E se eu não conseguir ser tudo isso para você? — A confissão escapou antes que eu pudesse impedir, uma fraqueza que não queria demonstrar. Rick ergueu a mão lentamente, hesitante, como se testasse os próprios limites. Mas quando seus dedos finalmente tocaram minha pele, o contato foi elétrico, um arrepio quente se espalhando por mim. — Você já é. — Sua resposta veio carregada de uma certeza inabalável, destruindo qualquer dúvida que eu ainda guardava. Minha respiração ficou presa. Meu corpo ficou imóvel, cativo sob o peso daquele olhar. O perigo que Rick representava nunca esteve na força de seu corpo, mas na forma como ele tomava tudo ao seu redor — e agora, estava tomando a mim. Sua mão deslizou para a minha nuca, os dedos se entrelaçando suavemente nos fios do meu cabelo, e um arrepio percorreu minha espinha. Não era uma prisão. Era uma promessa silenciosa. — Você acha que tem escolha, Ayla? — Ele murmurou, e a tensão carregada em sua voz fez o ar entre nós vibrar. — Mas você já escolheu. Desde o momento em que não correu. Desde o instante em que ficou. As palavras dele foram uma lâmina afiada, cortando qualquer resistência que ainda me restava. Ele estava certo. Meu corpo já havia cedido antes que minha mente compreendesse. Desde o primeiro instante, desde o primeiro olhar… Não era dúvida. Era medo. Medo de me perder completamente para Rick e nunca mais encontrar o caminho de volta. O silêncio entre nós era denso, carregado de algo perigoso e irresistível. Meu coração batia acelerado contra minhas costelas, como se tentasse me alertar sobre o que estava prestes a acontecer. — E se estivermos errados? — Minha voz saiu quase inaudível, um fio de hesitação que eu não conseguia esconder. Rick inclinou a cabeça levemente, seus lábios tão próximos dos meus que o ar entre nós vibrava, carregado de uma promessa não dita. Ele não avançou. Não forçou. Apenas esperou. Esperou minha rendição. — Errado seria não tentar. — Sua voz era um sussurro, um convite, uma provocação. E aquelas palavras foram a última peça que faltava para que eu caísse. Antes que pudesse racionalizar minhas ações, dei um passo à frente, encurtando a distância entre nós. O ar ficou pesado, denso, como se a própria atmosfera conspirasse contra minha sanidade. — Você é perigoso, Rick. — Minha voz saiu firme, mas o calor que percorreu meu corpo me traiu. Ele sorriu. Um sorriso lento, predador. Um aviso e uma tentação ao mesmo tempo. — Eu sei. Meu peito subia e descia rapidamente, cada célula do meu corpo reagindo à presença dele. — E eu não confio em você. A tentativa de manter a lógica parecia frágil, sem força, como se eu estivesse me agarrando a um fio prestes a se romper. Rick inclinou a cabeça, os olhos cravados nos meus, lendo cada pensamento, cada receio que eu tentava esconder. — Então confie no que sente. Seu tom baixo e rouco me envolveu como uma corrente quente. Era um desafio. Um comando. Seus dedos começaram a subir lentamente, roçando minha pele, incendiando cada centímetro por onde passavam. Quando tocou meu rosto, o mundo ao redor desapareceu. Eu deveria recuar. Deveria correr. Mas Rick era um incêndio — destrutivo, incontrolável, mas devastadoramente lindo. — Você me assusta — admiti, minha voz m*l passando de um sussurro, encoberta pelo ritmo frenético do meu coração. Os olhos dele brilharam, intensos, carregados de algo sombrio e profundo, algo que palavras nunca conseguiriam expressar. — Eu também me assusto. A honestidade crua de sua confissão cortou qualquer barreira que eu ainda tentava manter de pé. Ficamos ali, parados, enquanto a tensão crescia entre nós, pulsante, insuportável. O momento se alongou como um fio prestes a se partir. Então, Rick se inclinou, e tudo desabou. Seus lábios encontraram os meus, e foi como se o universo inteiro entrasse em colapso. Não havia mais espaço para dúvidas, para lógica, para resistência. Apenas o calor avassalador daquele instante. O beijo foi feroz, bruto, carregado de desejo contido e emoções que se recusavam a ser negadas. Minhas mãos subiram, agarrando seus ombros, buscando algo para me ancorar enquanto sua força me envolvia, me consumia. Rick me puxou para mais perto, seu corpo irradiando calor, como se quisesse me marcar de uma maneira que ninguém jamais poderia apagar. E, naquele momento, percebi a verdade mais perigosa de todas: Eu já era dele. A tensão que nos envolvia antes agora queimava em cada toque, cada movimento. Rick não era apenas perigoso; ele era inevitável. E, naquele momento, soube que estava perdida – mas, talvez, exatamente onde deveria estar. Quando finalmente nos afastamos, nossas respirações ainda estavam descompassadas, os corpos quentes demais para ignorar. O silêncio da clareira foi preenchido pelo eco do que havíamos acabado de compartilhar. Mas o que realmente me desestabilizou foi o sorriso que surgiu nos lábios dele. Lento. Predador. A personificação da vitória. — Acho que você acabou de decidir — disse ele, a voz grave e carregada de uma certeza perigosa. Meu coração disparou. Eu ri, tentando recuperar o controle da situação, mas a intensidade do momento me traiu. Balancei a cabeça, murmurando: — Talvez. Mas até eu sabia que essa palavra não carregava convicção suficiente. Os olhos de Rick se estreitaram, a luz feroz e intensa refletindo em seu olhar. Ele deu um passo à frente, e o pouco espaço que ainda existia entre nós simplesmente desapareceu. Sua presença era esmagadora, e meu corpo reagia a cada movimento dele como se estivesse sintonizado com sua energia bruta e avassaladora. — Não existe "talvez", Ayla. Não com a gente. O tom dele não era uma pergunta. Era um decreto. Um comando silencioso que ecoou dentro de mim, como se já fizesse parte da minha essência. Meu coração batia descompassado, como se soubesse que a verdade que Rick carregava era inegável. Ele não era um risco. Ele era uma sentença. E eu estava disposta a cumpri-la. O silêncio que se seguiu foi tudo menos vazio. Era pesado, denso, repleto de promessas que ainda não haviam sido feitas, mas que pairavam entre nós, esperando para serem cumpridas. Eu não confiava nele completamente. Mas confiava no que sentíamos. E isso era ainda mais perigoso. — Você pode ser meu destino, Rick — murmurei, cada palavra carregada de um aviso. — Mas, se você me quebrar, eu não vou esquecer. Os olhos dele brilharam, um relâmpago de algo sombrio e profundo passando por suas feições. Então, Rick riu. Uma risada baixa, rouca, que enviou arrepios por toda minha pele. Ele ergueu a mão lentamente, os dedos roçando meu rosto com uma suavidade inesperada, como se eu fosse algo precioso. Algo que ele temia perder. — Se eu te quebrar, Ayla… será porque já estarei em pedaços. As palavras dele me atingiram como um golpe certeiro. Eram cruas, despidas de qualquer barreira ou pretensão. Mas o que realmente me destruiu foi o olhar dele. Rick estava tão perdido quanto eu. Dois lados da mesma moeda, tentando encontrar equilíbrio em meio ao caos. Então, ele estendeu a mão. Uma oferta silenciosa. Um pacto sem palavras. Meu peito se apertou, minha respiração ficou presa, e por um momento, tudo o que existia era ele. Rick. O lobo. A tempestade. E eu estava pronta para enfrentá-lo. Com um último respiro, entrelacei meus dedos nos dele. No instante em que nossas mãos se uniram, o mundo pareceu parar. Não havia mais dúvidas. Nem hesitações. Apenas a certeza de que, não importa o que viesse a seguir... não havia volta.
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